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    Eliane 
    Alcântara 


    Eliane Alcântara / Brasil
    إليان القنطرة / البرازيل

    Profetisa do ausente


    Rasgo os bolsos de uma distância
    Não menor que a dor de sorrir
    E moleca de uma paisagem anuviada
    Desenho flores para enganar espinhos

    Visto a solidão de saia, cruzar de pernas
    Mundo que encaixa boêmio em tinta
    Face lavada de ontem candura e desespero
    No dedilhar de uma voz gemente

    Longe o tempo alisa pequena semente
    Divindade no arco dos medos
    Coragem de quem caída prevê começo
    Só na esquina do corpo amado

    A memória, trampolim exato corre
    E a visão, amiga que nem sei
    Continua, agora, contínua ave
    No céu de uma saudade sem asas

    نبوءة غائبة

    تتمزّق جيوب المسافة
    هو ليس سوى وجع حين الابتسام
    وفي مشهد من الطّبيعة رحب
    أرسم زهورا لأخاتل الأشواك

    مشهد لوحدة التنّورة، لاشتباك الساقين
    عالم يضمّ البوهيميّ في لونه
    وجه غسله بالأمس الطّهر واليأس
    في باحة صوت مستغيث

    بعيدا، يصقل الوقت بذره القليل
    ألوهة في قوس المخاوف
    شجاعة الهاوي الذي يتوقّع النهوض من جديد
    فقط في ركن ما، من الجسد الهاوي

    الذّاكرة، لوحة صحيحة تجري
    ولدى اتضاح رؤية أيتها الصديقة التي لا أعرفها
    واصلي الآن، وطيري أيتها العصفورة
    في سماء النوستالجيا بلا جناحين

    Instantâneo

    O tempo mala da saudade
    Brinca ao amanhecer
    Nos olhos da menina
    E à tarde lágrimas
    Banham a mochila do anoitecer
    Com cores inexatas
    Onde brota uma azaléia
    Medrosa cor
    [corpo de mulher]
    Na busca do amor

    لحظيّ

    الزّمن متاع النّوستالجيا
    يلهو فجرا
    في عيني طفلة
    وبعد الظهر
    تملأ الدموع
    حقيبة الأصيل
    كألوان زائفة
    حيث ينمو النبت الصّحراويّ
    لون خائف
    [ جسد امرأة]
    يبحث عن حبّ

    Curiosidade

    Foi perdendo o medo
    De abrir minhas cortinas
    Que vi flores e borboletas
    Na transparência do novo dia

    فضول

    مع زوال الخوف من إزاحة الستائر
    رأيت الأزهار والفراشات
    في شفافيّة يوم جديد

    Românticos

    Atiro-me desvairada em ti
    E concedo-nos o céu a morder lençóis
    Liberando gemidos, desencravando desejos
    Sinalizando a ordem do dia eterno ato
    Quando tu encaixas meus sinais aos anseios teus
    E somos fantasias de nós dois

    Infiltra-me com teus amores, odores
    E doce é teu gosto a persuadir-me tua fêmea
    Domada criatura exposta em carícias
    Sem receios, conceitos ou temores
    Teus lábios destilam-me o corpo
    E veneno antes perigo preso em olhares
    Escorro doce sentença ao teu prazer
    Úmido delírio das pernas trêmulas
    Ao teu arfar soberano em minhas coxas
    Entregues a tua língua suave a percorrê-las

    Em brasa ardo eu, ardes tu, ardemos,
    Rejuvenescemos, desfalecemos, reiniciamos,
    Inventamos palavras, traçamos o contorno dos deuses,
    Vulcões, abissais recônditos coroados de amor/tesão
    E tudo na selvageria de sermos homem e mulher
    Anjos desnudos na mais pura condição dos amantes

    Passa [o] tempo

    Trabalhei um pensamento
    Para criar um instante
    Que me fosse eterno

    De nada serviu tanto empenho
    Se quando desisti
    Descobri no silêncio

    A eternidade das coisas
    Não dura mais
    Que o atual momento

    Dor de poeta

    O que me dói não faz passeata
    No coração daquele que amo
    O que me dói, dói no fundo
    Aonde só entra a noite
    Com seus mistérios partilhados

    O que me dói
    É a verdade de amar.
    Por isso sou escuro silêncio
    Mesmo quando há tanta claridade
    A despencar do meu olhar

    تعريب : يوسف رزوقة

    Tradução em árabe por youssef Rzouga


    Biografia
    Eliane Alcântara / Brasil
    إليان القنطرة / البرازيل
    Eliane Alcântara. Brasileira, nascida em 01/01/1973
    Gosto de ler e escrever desde criança. Sou professora de 1ª à 4ª série do ensino fundamental.
    Gosto de animais, moro em uma cidade pequena no estado de Minas Gerais [Lajinha], cercada de montanhas, pássaros, muito verde .
    Amo o silêncio, sou distraída demais, venho aprendendo a cuidar de flores, adoro fotografias de paisagens.
    Tenho um livro de poemas para ser publicado.
    Um romance com sessenta páginas deixado a um lado e um novo blog no qual comecei a postar os poemas que escrevo especialmente para ele [o blog].

    elianealcntara@yahoo.com.br

    http://www.eliane_alcantara.blogger.com.br/

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