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Nuno Rebocho
Nacionalidad:
Portugal
E-mail:
nrebocho45@gmail.com
Biografia

Nuno Rebocho

Nuno Rebocho, jornalista, poeta e escritor português, atualmente residente em Cabo Verde. Nasceu em Queluz (Portugal), viveu a sua juventude em Moçambique e tem 70 anos de idade. Viveu episodicamente em Espanha e Marrocos e foi preso político durante a ditadura de Salazar (cinco anos de prisão). Autor de vasta obra publicada – poesia: “Breviário de João Crisóstomo”, “Uagudugu, seguido de O Onanista e de um Poema a Lenine”, “Invasão do Corpo”, “Memórias da Paisagem”, “Po(lítico)”,“Nau da India”, “Poemas do Calendário”, “Santo Apollinaire, meu santo”, “Manual de Boas Maneiras”, “Arte de Matar”, “Cantos Cantábricos”, “Discurso do Método”, “Canto Poliédrico”, “Canções Peripatéticas”, “Arte das Putas”, “Canto Finissicular”, “A ilha de Amianto”, “A Papaia”, além da participação em diversas antologias em Portugal, Espanha, Brasil e Argentina. Autor de crónicas (“Estravagarius” e “Estórias de Gente”) e do romance “A Segunda vida de Djon de Nha Bia” e também de estudos sobre investigação histórica.

Desempenha atualmente funções de assessor da Câmara Municipal de Ribeira Grande de Santiago (Cidade Velha, Património da Humanidade).

 

O regicídio

 

mataram o rei e eu não curei a minha dor de fígado

que é uma dor tão reflexa como as dores da história:

mataram e não fizeram mais: porque jamais

a morte é a forma convexa de um sonho ou uma vitória.

que mata o cano da arma       que clama o gatilho?  

balas de ódio: o veneno da raiva.

e não consta que a vida aplauda

- não consta que a cauda da víbora seja mãe de filho.

 

é a alma que canta e empurra e levanta

a vontade de erguer sobre a cidade o clamor,

o vento seca as lágrimas de quem acalma a dor.

e que grita o estupor? o espanto

de matar a lei e nada mudar – só o amor muda

onde a lei castiga a divergência: matar é que nunca

nem que seja o rei nem que seja o réu

nem que seja o príncipe nem que seja o índice.

se é esse o princípio é essa a consequência

 

: que no caminho ninguém se iluda

com os sinais da morte - levanta-se da cama a história

veste o espartilho e não adelgaçam as ancas;

se o gatilho escarra ficam as pernas mancas.

 

viste e aprendeste – mataste e sofreste.

mataste. morreste.

e nada vingaste e em nada venceste. nada disseste.

apenas morreste.

 

 

Três poemas de amor

 

1.

quando dispo a noite é o teu corpo que calcorreio

na longa solidão da memória. os gélidos braços

no entanto falam de futuros porque o amor é viagem

e amanhã o mar entrará por esta casa trazendo

os sargaços e os sabores da vida. e haverá calor

e as palavras de dizer os teus olhos e os teus seios

onde o horizonte é o sentir da proximidade. hei-de

então dizer-te com o ósculo da venturança e o requinte

da alegria. e amar-te-ei na foz do tempo. e vestirei

a noite com a roupagem do cio. e falarei de amor.

 

2.

sabes os segredos do vento que refresca os lábios

como o linho que as aves tecem e é por isso

que estas mãos não envelhecem na água da ternura:

o corpo sim e também as pernas entontecidas

dos caminhos que sempre conduzem à esperança.

tu sabes dos continentes incontidos nos mapas

e das magmas e das árvores e dos mares. eu apenas sei

esperar que tragas a ciência ao regolfo do meu ânimo

e soltes as velas para que o barco zarpe até onde.

 

3.

amanhã os milhos vão inchar nas encostas e acenar

de verde aos viandantes dos silêncios porque hoje

as nuvens choram sobre o campo da tristeza. é assim

a lei do insofrimento. na casa do tempo tudo se transforma

e eu amealho as partículas do desejo para que a carne

assuma o seu amanhã lá onde lavraremos as leiras

de nos conjugarmos – lá onde os cinzéis darão a forma.

é com estas águas que os rios se fazem e eu me lavarei

das crespas mágoas que azedam o leite da noite

então sobre o teu seio a haste da minha verdade

 

 

 

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