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Paulo Izael
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia
DESTERRO DA ALMA

Era uma vez...Foram tantas vezes
Que no consegui avaliar
As agruras por que passei
Nesta horripilante passagem.

Na clausura propiciada
Pelo entrevero da saudade,
Senti o desmantelo da alma,
Aprisionada massa disforme;

Reminiscncias desgostosas
Que me remeteram h um tempo
Coberto pela mortalha do abandono,
Onde o sofrimento fazia moradia.

Quantas vezes o dor enxugou o pranto,
Retendo a lagrima indecisa,
Flexionando os lbios arroxeados
Para mostrar um sorriso forado!

Minha peregrinao em busca de paz,
Denotou incorrees desastrosas
Laureada por paliativos venosos
Que construram minha derrocada.

Determinado a reanimar o sentimento,
Enveredei por crenas obscuras.
Incorri em infrutferas tentativas,
Com resultado desesperante e aflitivo.

Diante das intermitncias da reencarnao,
Desiludi-me com a descartvel exposio.
Minha estadia imprestvel e desastrosa,
Revelava um erro de concesso divina.

O mote doloso do poema da vida,
Norteou meus lentos passos,
Incorri na tumorao da aura,
Que decomps as partculas da massa.

Agreguei as prfidas inutilidades
Que sempre partilharam meu caos,
Cruzei as mos, e contemplei o fim;
No leito negro, enterrei a penosa existncia.

Sob a glida lpide, fiz minha guarida.
Vez por outra, espio coraes rancorosos,
Depositarem flores apticas e desoladas.
A treva do meu viver, regurgita fragrncias.

Sou alma errante e penalizada pelo cio,
A pajear esta matria em estado de putrefao.
Foi assim que encurtei a distncia da vida
Para alienar-me a escuridade do limbo...!

COMO POSSO TE ESQUECER?

Hoje, reli tuas cartas amareladas.
No melanclico sto da memria,
Algumas caixas empoeiradas
Ainda guardam muitos sonhos.
Percebi que o tempo traioeiro,
No hospeda apenas uma passagem,
Determina a existncia de meu amor.
Sinto-me inanimado nesta clausura
Que me acresce de infinda saudade.
Vejo a lua esconder o brilho,
Conspirando contra meu sentimento.
No consegui transpor a lembrana.
A cada dia sou acometido por lgrimas
Que me punem pela aquiescncia
De sempre mergulhar no passado.
No luto, a intempestividade do rompimento
Enegreceu minha atitude e suscitou a dor.
Minha incompletude fez-me refm
De um amor que h muito partiu.
Agora, embebido no fel do abandono,
No inquietante lamento da reconstruo,
Vi a letargia danosa se avantajar.
No mais articulo, fui soterrado pelo abandono.
Abracei o vazio, flertei com a tristeza.
No adeus, teus dedos datilografaram o ar
E apagaram a luz que iluminava a felicidade.
Preciso me reciclar, voltar a viver.
Que mais preciso fazer para te esquecer?

AINDA VEJO ROSAS

Desnorteado pelas fraquezas que a vida me mostra,
Na mandinga que eu no acredito,
O cristo ressuscitado que partiu sem retornar,
Finei a adorao ao santo no comrcio do altar...

Tanta hipocrisia que a tonta filosofia,
Tenta em vo explicar vertendo graduada tolice.
Sou partcula diminuta, desconectada,
Errante, sem entender o porque de tantas guerras.

O mundo tomba sonado em busca do poder.
Nada peo, tampouco desejo curvar-me ao lamaal.
Apenas desejo ser, existir sem subtrair auras.
Um amor que partiu, outro que chegou incomodando.

Processo o instante para deparar-me com a realidade.
Abandonei crenas duvidosas calcadas na ganncia,
Acreditar no abstrato abraar o vazio.
No imbrglio da alegria, desmereci o sorriso.

J vi meus lbios arroxeados pela dita[dura],
Da experincia herdada pela truculncia,
Pintei na tela da vida minhas feies disformes,
Pinceladas por agresses postadas na sombra do pranto.

As ingerncias dos mandatrios sucumbiram ideais,
Espelhos quebrados, desenhos opacos e lgubres.
Numa esttica lagrima, o solitrio sorriso glacial
Que estancou o pranto na retina gelatinosa.

Sinto-me absorvido pela imposio do reacionarismo
Que aos pouco vai minando e mumificando a eloqncia.
Em dose diria, a plula do conformismo me estatiza.
Embora paream clidas e esmorecidas, ainda vejo rosas.

No inconformismo, enlacei o clice do meu desespero.
Entornei o copo da amargura e brindei a derrota,
Onde o fel do meu dissabor gerou secreo venenosa.
Degustei a infelicidade do momento e ofereci rosas.

Vi minha alma ausentar-se em sinal de protesto.
A nvoa da sofreguido cobriu-me de tristeza.
A mortalha do abandono selou a forosa aquiescncia.
O apocalipse sorriu, o infernou aplaudiu, o cu feneceu.

Absorto, no esbocei aflio, tampouco desejei perdo.
Na vertente da sabedoria que regia todos os engodos,
O cncer da malfadada existncia havia sido extirpado.
Avistei a decomposio paisagstica na flor da roseira.

Em minha imputada esqualidez, ainda vejo rosas...
Que se digladiam com seus espinhos em riste.
Todas buscam o poder na mais poderosa fragrncia.
Rosas tetraplgicas, viciadas, sem perfume; desbotadas!

biografia:

Poeta, escritor e compositor, Paulo Izael tem dois livros publicados: 'Desiguais e Solitrios' - poesias, pela Quatryx Editora e 'Vida Amarga' - romance, pela Editora Seqncia. Compositor de mais de 150 msicas, tem parte delas gravadas por cantores e conjuntos. Alm disso, tem mais de oitocentas poesias escritas.

Paulo um amante das artes. Coleciona vrios quadros, estatuetas e centenas de Cds. Gosta de ouvir Louis Armstrong, Ray Charles, Billie Holiday e Chico Buarque, alm de enveredar por peras e todo o vasto repertrio da Mpb e samba do Brasil. Excelente jogador de Damas e apreciador de churrasco, cerveja e vinho. Ao contrrio do que canta sua poesia que sempre lembra a melancolia e a despedida cruel, tem um senso de humor apurado e sempre est de bem com a vida e pronto para dialogar.

Atualmente est com um romance pronto, de 700 pginas, e est em negociaes com editoras para a publicao do mesmo. Escreve desde os nove anos e tem parte da obra publicada na usina de letras. 'Escrevo o que sinto e no vivo o que escrevo', diz Paulo Izael.

 

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