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Fernando Fitas
Nacionalidad:
Portugal
E-mail:
jffitas@gmail.com
Biografia

Fernando Fitas

Fernando Fitas nasceu no Alentejo, em novembro de 1957.
No início dos anos 1960 os seus pais decidiram rumar até Lisboa, em busca de uma vida melhor, situação que o levou a ingressar na Casa do Ardina, onde fez a instrução primária.
Foi nas páginas d’ O Ardina (jornal mensal editado por esta instituição) que iniciou a sua atividade jornalística, posteriormente prosseguida em O Século.
Após o encerramento deste matutino assumiu as funções de correspondente da agência polaca Interpress para a imprensa regional portuguesa. Em simultâneo colaborou em vários jornais.
Com o aparecimento das rádios locais, colaborou numa das emissoras do concelho do Seixal, na qual, ao longo de vários anos, teve a responsabilidade da emissão de vários programas de âmbito cultural.
Em 1978, editou o seu 1.º livro de poemas, intitulado Canto Amargo, oito anos mais tarde publica Amor Maltês a que se seguiu, em 1992, Silêncio Vigiado.
A sua expressão escrita não se limita, no entanto, à poesia, estendendo-se também à ficção e à narrativa. Exemplo disso é Cantos de baixo, novela editada em 1989.
Em 1991, fundou o quinzenário Outra Banda, o qual dirigiu até maio de 1997, ano em que dá à estampa Mar da palha, volume em que colige uma série de crónicas e reportagens feitas durante esse período. Nesse mesmo ano foi convidado a colaborar na fundação do matutino 24 Horas. Colaborou posteriormente no semanário Tal & Qual.
Embora tenha frequência do antigo Curso Geral do Comércio, assume-se como um autodidata por vocação e necessidade.
Atualmente está a realizar, para a Câmara Municipal do Seixal, um projeto no domínio da recolha e preservação de memórias e vivências de pessoas ligadas às coletividades deste concelho, denominada Histórias associativas – Memórias da nossa memória, trabalho que se traduzirá numa edição de três volumes, cujo primeiro, dedicado às filarmónicas, já está editado.
Em abril de 2008 publicou O Saciar das Aves, obra poética que assinala os seus trinta anos de atividade poética. Essa obra tem capa e ilustrações do Mestre Louro Artur.

Deitado foi teu corpo
sobre a cama
na comunhão efémera
dos corpos,
na generosa entrega acontecida

E dilatando-se um corpo
noutro corpo
foi mais intensa
e mais sublime a dádiva,
foi mais belo e verdadeiro o amor

Deitado foi teu corpo
sobre a cama
onde hoje jaz inerte
o pó do tempo.

Fernando Fitas - Do livro Silêncio Vigiado - 1992

 

Havia um barco
(ou um poema)
em cada Primavera
que inventávamos.

O sol inundava
os lábios
de cada sorriso
acordando
as crianças
que habitavam em nós
e uma flauta de vento
pendurou cerejas
nos dedos da manhã

Lindas as cores
suculentos os frutos
dos corpos e das bocas

Fernando Fitas - Do livro Silêncio Vigiado - 1992

 

Crepúsculo

Os pássaros em bando
pousavam no arvoredo
cansados do céu.

Incendiava-se
a lenha na lareira.

A noite
vestia devagar
a vastidão dos campos.

Fernando Fitas, do livro "Amor Maltês",

 

Os inquisidores silêncios
emergem
do mais fundo
como duas lâminas
dilacerando o tempo

Limitando o espaço
só o sonho
resta.

Fernando Fitas - Do livro "Silêncio Vigiado", 1992.

 

Tivemos os silêncios vigiados
e os passos proibidos,
o caminho encarcerado
antes de esboçarmos o caminhar

E cercado o murmúrio
e cercados os olhares
nos gélidos muros
a dor tamanha que carregámos.

Fernando Fitas - Do Livro "O Silêncio Vigiado", 1992.

 

Mais do que o rumor
das folhas rente ao chão
é o pressentido som
das nossas vozes
solidariamente obrigadas
ao silêncio

E mais do que a nudez
pousada nos teus olhos
é esta certeza
de não saber as palavras
do teu corpo
amanhecendo no frio
de todas as esperas

Gélidos desertos
nos braços do poema

Fernando Fitas - "Do livro Silêncio Vigiado", 1992.

 

Ave te chamaria(s) se não fosse
haver em teu olhar uma flor ausente
que derramando vai quanto perfume
vestiu o despontar (despertar) das madrugadas
que de afectos cobriram esta casa.

Por isso flor és não só de rosa
mas de aloendro — creio — e madressilva
e de acácia e de trigo e de poejo
p’ra que melhor nos saibam os desejos
que o marulhar de lábios mais incita.

Guardadora de ventos e de rios
e de nascentes e margens e afluentes
que despidos ainda se apresentem
de quanto néctar houvesse ao seu alcance
sem que tivesse sido recolhido.

Fernando Fitas - Do livro "O Saciar das Aves", 2008.

 

AS VOZES E OS CORPOS

Os corpos ergem-se ao sol
dão início à caminhada
cada dia começado
nas vozes que se levantam.

Vêm do fundo do tempo
do mais profundo da vida
como farinha de trigo
-sempre amassada sofrida.

E dos longes donde vêm
(tamanha é a lonjura...)
que as vozes estendem-se ao longe
marulhando espaço fora.

E entre montes e cerros
tangem liras suas cordas
que "o cante" estende-se ainda
por vozes que erguem os corpos
e os corpos erguem a vida.

Fernando Fitas. Do livro Silêncio Vigiado - 1992.

 

 

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