s
s
s
s
s
s

El contenido de esta página requiere una versión más reciente de Adobe Flash Player.

Obtener Adobe Flash Player

Arlindo Barbeitos
Nacionalidad:
Angola
E-mail:
arlindo_barbeitos@yahoo.com.br
Biografia

Arlindo Barbeitos

Eu, tal como minha mãe, avó, irmãos e primos-irmãos nasci, aos 24 de dezembro de 1940, em uma das pequenas aldeias, próximas  da vila de Catete, local não longe da capital da colónia portuguesa de Angola, Luanda.  Em Catete e em Luanda, fiz os meus estudos primários e secundários. Como estava proíbida por Salazar a existência de Universidades nas dependências do Império, então, em 1958, parti para Lisboa. No  intuito era seguir estudos universitários, contudo, já influenciado, na minha terra, por ideias nacionalistas, em 1959, aderi a um movimento clandestino que pretentia libertar todas as colónias lusas. Entretanto, pude fugir de Lisboa em abril de 1961 e, em Paris, me tornei membro do MPLA( Movimento Popular de Libertação de Angola). Ainda em 1961, outubro, fui para a Alemanha Ocidental, ou melhor Frankfurt/Main.

Depois de quatro anos de trabalho braçal, como “Gastarbeiter”- Trabalhador-Hóspede- consegui ingressar na Universidade local, nomeadamente no famoso Instituto de Pesquisa Social, a fim de cursar Sociologia, com Theodor .Adorno, Max Horkheimer, Ludwig Marcuse e Juergen Habermas. Simultaneamente, estudava no Frobenius-Institut, Antropologia especializando-me em África. Após obtenção de um diploma em Sociologia, a convite pessoal do Dr.Agostinho Neto, parti para a Guerrilha nas regiões orientais de Angola. Aí, durante cerca de um ano e meio, leccionei Português, Matemática, Física e Geografia nos ditos Centros de Instrução Revolucionária- C.I.R. Entranto, fui ferido em combate e contraí uma tuberculose, por conseguinte, fui reenviado em abril de 1973 para a Alemanha, onde depois de muita luta havia antes adquirido asilo político.

Agora, já não em Frankfurt/ Main, mas sim em Berlim Ocidental, principiei na Universidade Livre de Berlim Ocidental, em 1974 uma dissertação doutural acerca da génese da Angola antiga. Infelizmente, este trabalho foi interrompido porque, após a queda da ditadura em Portugal, o Dr.Agostinho Neto mandou regressar ao país todos quadros superiores que estavam no exterior. E, havendo acatado a ordem retornei a Luanda dois meses antes da nossa independência, a 11 de novembro de 1975. De imediato, me converti em intérprete para alemão do primeiro Presidente Angolano. Mantive essa actividade por dois anos, posteriormene, entrei como docente na Universidade Agostinho Neto e, ao mesmo tempo, me converti em consultor do Ministro da Cultura. Neste passo, há a salientar que a 10 de dezembro de 1975 me tornei em um dos Fundadores da União dos Escritores Angolanos- U.EA.

Enfim, não importa mencionar aqui as muitas actividades a que me dediquei, no decurso da minha assaz acidentada vida, porém, talvez valha a pena mencionar que, do começo de 1985 ao fim de outubro de 1988, fui adido cultural da Embaixada de Angola em Argel. Para além disso, me transformei em conselheiro pessoal do Embaixador para assuntos árabes. 

Ao longo da fase da minha vida que vai de 1961 a 1999, escrevi poesia, Angola Angolê Angolema, Nzoji( Sonho em Kimbundu língua angolana), Fiapos de Sonho, La Leveza do Luar crescente, contos, O Rio-Estórias do Regresso e vários ensaios de Filosofia Política, Sociologia e Antropologia que foram publicados em revistas científicas angolanas, francesas e austríacas. Dos diversos ensaios que escrevi, destaco um redigido em 1999, mas reformulado em 2007, Sociedade, Estado: Sociedade Civil e Identidade em Angola que veio à luz sob a chancela da U.EA.

Entretanto, em 1995, em Paris, na École Supérieure En Sciences Sociales, completei um mestrado em Antropologia e retomei, ainda nessa instuitção mas em colaboração com a Universidade Portuguesa Da Beira do Interior, a dissertação dotural em Sociologia Histórica, principiada em Berlim em alemão e terminada em francês entre Paris e Lisboa. Apesar das muitas modificações, a ideia inicial manteve-se e o trabalho acabou por ser publicado, em versão bastante medíocre, pela editora parisiense L’Harmattan em 2008. O título da obra é- Angola/Portugal: des identités coloniales équivoques Historicité des représentations de soi et d’autrui   

A partir de 2007, de regresso definitivo ao país, recomecei as actividades professorais, fazendo hoje parte do corpo docente da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto, onde ocupo o posto de Director do Centro Avançado de Estudos Africanos.

A seu tempo, a minha obra magna foi traduzida para o português e saiu, em 2011, nas Edições Kilombelombe de Luanda, e ganhou, em 2012, o Prémio Nacional da Cultura.  

Arlindo Barbeitos                                                                               Luanda, 26/12/2013

 

borboletas de luz

 

                                esvoaçando

                                de cadáver  em cadáver

                                colhem

                                 o fedor dos mortos em

                                                                 vão

 

 

                                 e

                                  pelos buracos da renda

                                                          dos dias

                                  passam alacres

                                  do mundo do esquecimento

                                   ao país da indiferença

                                   levando consigo

                                   o polén fatal

                                   das flores da guerra

 

                                  borboletas de luz

   

 ***********

 

                               distraída na verdura

                                a garça branca

                                repousa sobre uma pata só

 

                               apodrecido na morte

                               o soldado preto

                               nem pernas tem

 

*************

 

ao de leve amanhecendo

                               abrem-se  a flor e o dia

                                e

                                meus dedos roçam suaves

                                tua face inda nocturna

                                de súbito

                                 rebenta a bomba

                                 na incadescência de luz e orvalho

 

 

                                 ao de leve amanhecendo

                                 abrem-se a flor e o dia

 

 

Desarrollado por: Asesorias Web
s
s
s
s
s
s