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Antnio Fonseca
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia
INSOLAO

Fervia o horizonte da estrada.
Meio-dia o sol a pino!
As curvas embaadas...
Um toco: um fantasma.
Uma vaca: um monstro.
A vaca comia capim seco
E empoeirado
Da beirada da estrada;
E babava barro!
Do lado de l da cerca,
[onde havia um rio]
H, agora, outra estrada,
De cho,
Todo rachadinho!
Acolchoado...
Onde, outrora, um porco,
Buscava um restinho de barro
Para se enlamear.
s margens rastejava
Uma jibia...
O porco e a jibia
Eram os nicos vivos.
Eu estava morto de sede!...

BEIJOS PASSADOS

As mulheres que me beijaram
Quando eu era criana
[e foram muitas],
Hoje so velhas
Ou j morreram!
Eu tambm envelheci
E, hoje, somente uma mulher
Me cheira, me ama
E adora ser inspirao
Para meus poemas!...

O QUADRO

Uma fmea,
Com estgio de mulher,
Enfeitou minha casa.
Limpou, poliu, brilhou
E ps uma rosa vermelha na jarra.
Depois, cobrou um remendo no vidro
Do quadro que adorna o hall de entrada.

No necessrio...
Alguma coisa precisa haver
Para registrar a falha masculina!

Quando o Bem voltar,
O quadro vai ser outro!

ESPERA

Passo, vou, compro e volto.
Caio, me ralo, me enrolo e choro.
Sinto saudades, estremeo.
Bebo mais um gole!
Abstmio o sexo se atrofia...
Como sinto a falta de Maria!
Chega, chega mais perto!
Estou de peito aberto,
Ansioso na espera...
O que aconteceu ontem
Nem me lembro.
Chega janeiro
E no chega dezembro...

CENTRAL DO BRASIL
[Para Fernanda Montenegro]

Na praa da central do Brasil,
Os pombos comem, mansos e atentos,
Os mendigos rateiam migalhas,
O propagandista ecoa sua voz,
Os bancos ocupados com desocupados,
A menina vadia e espreita suas vtimas,
O trem... O trem apita e parte!
A vida foi bela
E a Fernanda, de mos vazias,
Olha aos cus agradecida:
Obrigada Senhor,
At aqui, arredaram-me o tapete, mas venci!

MIRAGEM

Abriu... abriu-se muito!
Era junho
E, pela abertura, mirava-se a flor,
Respirava-se o olor.
Desabrochou o nctar suave
Que, inebriando, enlouquecia.
Na cabea, a recordao do ltimo jogo
Frentico, exaustivo, rubro como a flor.
Desposa-se a solido sob qualquer pretexto!...
Por entre a abertura, mirando, respirando
Solitariamente, quase esquecendo
Do jeito simples: Eu te amo... Eu te amo...
Um pequeno detalhe faz a diferena:
O sonho em miragem!...

AFORA A SAUDADE

Afora a saudade, vai tudo bem...
A alface cresce.
A abbora se ramifica.
A couve, verdinha, se enfeita.
A mandioca faz sulcos no cho duro.
Os pardais insistem em almoar de graa,
Mas a minha esperteza os impede de vazar as cordas
Das armadilhas e, assim, a horta produz.
Afora a saudade, vai tudo bem...

MEU EPITFIO

Jaz,aqui,comigo:
A infidelidade,
A inimizade,
A desonestidade,
O desamor
E a devastao da Terra.

Era meu sonho
Deixar o Mundo melhor
Para os que ficaram!...

biografia:

Antnio Fonseca
tem 57 anos, casado, 3 filhos e 2 netos. autor de: O Lar na contramo, Trilhas, S, Poesias Contemporneas, O Homem de Pedra [poesias]; Tonico - uma histria fantstica [auto-biografia fantasiosa, romance]; Dirio de Solido [romance]. membro imortal da ABEL [Academia Betinense de Letras], Betim Minas Gerais Brasil.

 

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