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Roberto Csar Ribeiro Chaves
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
rodberth@yahoo.com.br
Biografia

SECO LATO

E lá vai o velho balde
ao triste velho poço.
Naquele fundo fosso
água é que não tinha.
Dali tudo o que vinha
era o estalo seco...

Foram meses de seca
– de reles solidão.
Quieta se alastrava
por várzea e campina.
Foi fazendo ruínas
no longínquo lugar.

O dia no limiar:
já raiava a labuta
com o fardo nas costas
e na testa o suor.

Na hora de cortar lenha,
dava machadada cega.
Não se via o futuro
tampouco humanidade.

Roça não produzia...
ao bom Deus rezava:
– Livrai-me da agonia
de ver sonho morrendo
no fundo da minh’alma,
nas minhas cercanias...

Fitava sempre o céu
(esperança inda tinha).
Mas a gota que se via
era única e salobra...
Irrigar plantação
ela não poderia.


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POR UM FIO

Cadê o fio da meada?
Está emudecido
o grito de alerta.
A tola risada
faz valer o risco.

Veja onde está a vida...
Ela está na esquina,
no meio do meio-fio,
pintada de preto
sobre fundo branco.


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FLORES EM VÃO

Limiar do dia, sol começa a nascer
com o ininterrupto arrastar de horas.
E no fim da tarde, a luz, a fenecer,
largando na boca o gosto da aurora.

Cada dia nesta estação é um abismo.
De minúsculo a imenso, vai me absorvendo.
Na batida incessante do tempo me assisto
pela manhã friorento e à noite ardendo...

Antes me erguia, agora despedaça.
Alma errante e coração desorbitado
até que a primavera vá e se refaça.

Mas para quê... Tanto esforço em florir –
renascer beleza no talo cortado –
se impossível é de murchar se abstrair?



Biografia:
Sou anônimo até então.

 

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