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Mara de Sao Pedro
Nacionalidad:
Portugal
E-mail:
Biografia

SEIS DA TARDE

Falar com um amigo,
desfiar lamúrias
e deixar cair uma lágrima incontida.
Quantos de nós partiram...
É um nó de angústia
que não dá para travar
o Tempo.
Pouso o telefone, brusca.
A chuva cai mansa
e Verdi escorre no ar
do meu estúdio.
Acho que vou sair.

***************************

Apaziguando leve,
o verde preguiçoso dos sobreiros,
chuva miudinha e fria ensopa
a areia fina e as pedras
do riacho murmurejante.
Como aragem mansa
em fim de tarde outonal,
lobos surgem da penumbra,
desconfiados e sedentos.
Silhuetas pequenas e desajeitadas
correm entre eles,
latindo de excitação.
Uma pausa de silencio
impera firme,
enquanto a sede é mitigada.
Um uivo lançado e esvaído
na tarde mansa,
descansa na alma
de quem lá estava.
O trotar rápido e cauteloso
dilui-se na floresta já negra
e novo uivo rasga a solidão,
encontrando eco
muito mais além
na bruma das serras distantes.

************************

Em gigantesca nuvem,
colorida por mil matizes de chuva
acabada de tombar,
fadas, trolls, gnomos
e sílfides dançavam
numa sonatina divertida
e inconsequente,
como se todas as barreiras inventadas
tivessem caído
em suave e delicada cascata.
Sereias e duendes trocavam
receitas de Amor,
feitas de algas, nenúfares
e ouriços do mar...
Numa névoa delicada,
espaço encantado
de uma floresta-mar,
retirou-se Ban-shee *
A sua missão,
desvanecida de intenções
partiu com ela,
num adiamento carinhoso,
enquanto o seu Lobo Branco,
deixava cair no ar
um uivo longo e fabuloso.

* Ban-shee – Espírito feminino que pressagia a Morte, esperando no exterior da casa e que faz parte da tradição irlandesa.

biografia:

MARIA DE SÃO PEDRO

Nascida em 1943, no dia de S. Pedro, cedo se revelou uma apaixonada pelas artes. Cursou a E.S.B.A.L. e conta no seu percurso mais de duzentas exposições de pintura.
Com apenas doze anos, apresentou no extinto Diário de Lisboa, o seu primeiro conto, uma história de cow-boys que lhe foi recusado pela Censura. Aos quinze anos, ganha ex-aequo, o primeiro prémio de um concurso radiofónico de contos policiais. Com toda a sua produção transmitida na rádio, é, então, publicado um conto seu, de ficção cientifica, na Antologia “Terrestres e Estranhos” – Editorial Panorama, onde ombreia com nomes tão famosos como: Isaac Azimov, Arthur C. Clark e Natália Correia entre outros.
Utilizando vários pseudónimos, dedica-se à poesia e à short story, tendo continuado a ser publicada em jornais, revistas e sido distinguida com inúmeros prémios.
Em Outubro de 2000, coordena e edita a Antologia “Gatos, gatinhos...”, a que se segue em 2001, nova Antologia “Cachorros, cachorrinhos...”.
É também em 2001 que publica “LUA DE LOBOS”, onde contos e poemas revelam na autora, a sua paixão que a faz viajar, neste livro, aos mundos real e mítico dos Lobos. Em 2003 é lançado o seu livro “SENHORES DO MEDO” em que pela primeira vez em Portugal, é abordado o tema da “violência doméstica”.
É no ano de 2002 que colabora com poesia na colectânea LOBOS, sendo a autora da capa com um desenho a carvão de uma cabeça de lobo, assinado sob o pseudónimo Milêna, sendo este nome pelo qual é conhecida no mundo das Artes Plásticas..

Medo ao jantar

Numa altura em que se assiste a uma perigosa vulgarização de todas as formas de violência, lançar um livro em que são descritos episódios que são verdadeiros hinos à desumanidade, pode parecer somente mais um capítulo da inefável tragédia que é a vida moderna. Hoje, a violência tornou-se novela e é consumida enquanto tal. Histórias horríveis como as que são descritas em SENHORES DO MEDO são alegremente digeridas pela família em frente à televisão, à hora do jantar. Notícias em que o espancamento, a tortura e o medo reinam, transformaram-se nas \'Gabrielas\' ou nas \'Vilas Faias\' da pós-modernidade. A época da \'fast-food\' convive agora amenamente com um tempo de \'fast-violence\'. Perante este estado de coisas, o que fazer?
Maria de São Pedro dá a resposta.
A sua. E a sua resposta é um grito. De revolta, mas também de esperança. Dando voz a mulheres torturadas pela vida, a autora insiste em não calar. Em resistir e em tornar únicas histórias de violência que, mais do que um rápido e quase assassino consumo, merecem ser consideradas um convite à reflexão sobre o ponto em que o Homem - a Sociedade - se encontra.

Fernando Esteves – Jornalista

“Em SENHORES DO MEDO, encontramos a dimensão do crime da violência doméstica, hoje crime público, que a todos diz respeito, como um fenómeno transversal – ele vive e convive entre ricos e pobres; ele é praticado por agressores com e sem adições; ele impõe-se pela manipulação psicológica exercida sobre a mulher, vítima deste violento crime, seja ele física, psicológica ou sexualmente praticado.”

Dra. Maria do Rosário Figueiredo
Psicóloga

 

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