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Andr Boniatti
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia

poesia

fica inerente em nós
o apreço pela vida
fica crucificantemente
como andar pelado
debaixo
da escrita

fica imerso no intuito
a cadência
o profundo
fica o re-vinho reticencioso [a clausura no esquerdo
profundo do peito], fica o corcundo
profundo do espelho
ficam as manchas
.profundo e sem jeito.

fica passado a limpo o verso mais ínfimo
mas toda poesia será sempre rascunho, por favor! não discorde

mas toda poesia será sempre contigo. ou não será.

fica no ombro o desgaste da pena
não fica a caneta
tudo será conforme antigamente, a pedra e o punho,
mas que também não fica a limpo; só o fumo,

fica a fumaça

e o fogo contenta a perder-se no ar puro.
fica a fumaça;
você para mim

mas não fica o que
foste:

fica-me a noite
fica-me a noite
fica-me a noite

e nada permanecerá
e nada comunicará
e nada se concluirá
e nada de nada [nada]
nadificar-se-á

rascunho será;
rascunho.

...

fica a rasura mas o resumo
só o mercúrio
do tempo
dirá.

***

que te falta ouvir

que te falta ouvir
no ouvido que não escuta
não era a tristeza mútua
que repartíamos
sós

não o era também
nem nunca pudera sê-lo
aquilo que ao entendê-lo
não discordávamos
nós

não pudera ainda
ser tudo o que te não disse
nem mesmo o que te mentisse
e que dizíamos
crer

nem menos o era es-
tas coisas que te escondia as
conversas que eu nunca tinha
mas que podíamos
ter

não era portanto
outrora o que te faltava ou
agora o que te restava ou
ainda o que eu não di-
ria

o era somente
aquilo que não se entende
palavra que não depende
da boca dizê-la um
dia

***

se soubessem rezar as flores

eu não rezaria uma oração.

minha religião
é como as flores, não pedem mais
que o sol e a chuva,
ou que a terra,
ou que o
ar.

que rezariam as flores se pudessem rezar???

se pudessem rezar as flores
as flores
não seriam flores,
seriam qualquer coisa estúpida como aos homens,
e teriam religiões estúpidas como aos
homens,
e eram completamente estúpidas
como aos homens;

mas a estupidez das flores é bela,
porque as flores não são
homens,
as flores são só flores,
são bonitas com seu caule e coloridas com suas cores,
e as cores das
flores
não estudam e não têm nomenclatura, e por isso
são
mais belas, e sabem que são cores
porque as têm,
e não o sabem, porque as são;
mas os homens são
estúpidos,
não têm cor e nem têm pétalas, têm enciclopédias, dicionários e
legendas, e decoram orações com a memória,
e memorizam coisas tolas,
e depois de rezar
acreditam que o céu é azul
e que deus tenha barba,
tenha ouvidos
e nariz.

se os homens fossem inteligentes
não teriam jardins,
seriam eles próprios o jardim,
e cultivavam muitas coisas, cultivavam flores
e amizade,
e morriam surdamente,
e não queriam nada mais... mas os homens...

são estúpidos.
os homens e as mulheres,
e as crianças são
melhores, mas serão também estúpidas, e por isso
os homens

são
estúpidos.

e também suas crendices.
todas as crendices são estúpidas.
só as das flores que não são. das flores e das
pedras. que as pedras
são melhores que os homens. as pedras nos jardins
fazem canteiros.
e os homens fazem
guerra.
e a guerra é uma doença. a mais cara
à estupidez humana.
e por isso
os
homens

são estúpidos.

se as flores acendessem velas
não ser-
ia para os mortos,
seria para a noite ser mais verde e pra que o verde colorisse com a noite,
e seria a procissão um longo abraço
com as ruas e as
luas
e as abelhas,
e cos vôos colibris.

se a razão evidenciasse a
divindade
seria divina a matemática, e não deus,

e por isso se decoram orações,
mas não se oram,
como um exercício matemático a um
problema indis-
solúvel,
quase sem sabê-lo, à luz dos postes,
da manteiga e do
cozido.

oram as flores
que nunca aprenderam rezar...
sua oração está aí,
a cada dia quietamente,
para os olhos
e os
sentidos.

oram as flores porque existem,
porque as flores
têm
poesia,
e não palavras, mas os

homens,
só palavras, e por
isso

são
estúpidos.

os homens são todos estúpidos.
os homens e as mulheres.
mas
as
flores
são só flores, e os
canteiros, -
re-
ligião.

biografia:

André Boniatti
é poeta e dramaturgo brasileiro. Natural do estado do Paraná, nascido na cidade de Corbélia, distrito de Nossa Senha da Penha, escreve desde sua adolescência, tendo publicado 3 livros: \'O Cárcere da Liberdade\', ao lado de Edy das Graças Braun, através da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná; \'Girante Popular\', produção artesanal junto ao colegiado de Letras da Universidade Estadual do Oeste do Paraná; e \'Fragmentos do Silêncio [Versos Esparsos]\', de poesia filosófica, edição do autor. Tem sites de publicação na web, tais como: Berçário das Imersões em http://poiesisboniatti.hd1.com.br/; no Recanto das Letras: http://recantodasletras.uol.com.br/autor.php?id=5602; e o blog de escrita em tempo real, assim o digamos: O Livro das Pretensões em http://olivrodaspretensoes.blogspot.com/. \'Sua poesia anuncia a perplexidade frente ao mistério da existência e a inutilidade de todos os afazeres e vaidades humanos diante do silêncio inexorável que é a única resposta a vir do espaço sideral.\', como diz em prefácio para o livro \'Fragmentos do Silêncio\' a professora doutora em Letras pela USP Valdeci Batista de Melo Oliveira, e seus poemas \'São jóias irretocáveis, em que convivem encanto e desencanto, chão e amplidão, angústia e liberdade; verdadeiras odes ao Amor: inspirados, delicados, joviais, filosóficos, ideais...\', assim como cita Jô do Recanto das Letras, crítico literário da web, em homenagem ao autor: http://66.228.120.252/homenagens/2122678. Tem seu e-book de poesia física filosófica \'A Cosmo-profecia do Movimento ao Infinito\' citado pelo mesmo crítico em: http://66.228.120.252/resenhasdelivros/2337904

zeforis@hotmail.com

 

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