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Geraldo Maia Santos
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia
A LENDA DO PLANETA AZUL

[pra Agenor Campos]

era o planeta mais lindo da via-ltea
flores e aves cantavam por toda parte
seres humanos felizes danavam com a lua
o sol repartia seus raios pro milagre da chuva

dizem que se dedicavam na arte do amor
e celebravam a vida sem nenhum pudor
se amavam por toda parte porque era bonito
semeavam o smen o arroz o trigo e o milho

moravam pequenas cidades piramidais
viviam em paz entre si e os animais
em pleno gozo e ternura em plena harmonia
at o fim do universo e o comeo do dia

era o planeta onde havia solidariedade
ali cada um exercia sua diversidade
se era aceito por ser igual ser diferente
e nada mais tinha valor que a vida e sua semente

as leis eram as que haviam na natureza
viver uma aventura de eterna beleza
o todo era uno e tudo era um ser divino
e a vida era s uma questo de menina e menino

Geraldo Maia

SONETO EM SILNCIO


Presta-me um favor quando te envolves
pedra argila pele flor de gua
teia de emoes sutil angua
revelando em meio ao que encobres

E neste ponto a veia bifurcada
estaca o arremesso voz embargada
no pice irrevogvel do impulso
que estanca magnfico: a pulso

Nem parece trgua mais uma tocaia
moleque malinando por baixo da saia
lambisgia trana pimenta de cheiro

Observo teu silncio ao candeeiro
Um sopro e pronto: o esplendor se instala
Treme a noite tua luz que fala

Geraldo Maia

ERGAM-ME UM MONUMENTO
PARA O CACIQUE BABAU

Depois de aniquilarem quase todos
Tomarem suas terras e suas riquezas
Homem branco no auge da torpeza
Busca apreender os que esto soltos
Pedindo socorro para sobreviver
Alguns no sabem mais o que fazer
Se enforcam ou se trocam por anis
Ou caados e arrancadas as peles nuas
Tem aqueles queimados e a ponta ps
So chutados das terras que so suas

Mas os ndios so exmios lutadores
Vendem caro suas vidas aos invasores
E os Tupinambs so um bom exemplo
De que o ndio defende o seu templo
Com muita luta com garra e com denodo
Faz de tudo para defender o seu povo
E a natureza que lhe d tudo na vida
Toda riqueza sade e paz repartida
Vem da floresta e floresta retorna
Mas tem hora que o caldo entorna

O ndio obrigado a entrar em guerra
S faz isso em defesa de sua terra
Ou da vida do povo de sua aldeia
O ndio no tem medo de cara feia
De bala coturno tanque zarabatana
Nem de flecha lana faco m fama
ndio s teme perder sua liberdade
Se priso melhor que venha a morte
Por isso muitos caem nas reservas
Ou desaparecem nos colos das serras

Outra vez a polcia tenta prender
E humilhar um ndio injustamente
No quer ouvir o que ele tem a dizer
Nem dialogar de forma conseqente
S sabe usar a fora da violncia
Mas no tem poder nem competncia
Para chegar com o ndio a um acordo
Prefere utilizar os modos do invasor
Age na marra para garantir o soldo
Amplia e perpetua o reinado do terror

A que os ndios esto submetidos
Quase todos vistos como bandidos
Culpados dos crimes que cometemos
At hoje os matamos e os submetemos
Ao nosso modo de vida e os impedimos
De viver a cultura de seus ancestrais
Aniquilando por completo os sinais
As marcas que as tribos trazem das eras
Na verdade s sabemos agir como feras
Contra qualquer tipo de coisa viva

Ns vivemos sem qualquer perspectiva
Que a morte que tornamos mais ativa
Ao faz-la com qualquer um e sem pudor
Mas os ndios vivem em torno do amor
Da partilha e do respeito pela vida
coisas que essa sociedade genocida
desconhece o que no seja mercado
negcios lucro usura juros o reinado
da total coisificao do ser humano
verdadeira obra prima do tear divino

que a ganncia reduziu a mo obra
no satisfeita a sociedade ainda cobra
do ndio obedincia cega s suas leis
que abdiquem do fato de serem reis
e se reduzam a vermes obedientes
mas o ndio se arma at os dentes
pra lutar em defesa de sua herana
suas leis suas lendas a prpria dana
as cantigas que contaram os ancestrais
sua viso de mundo e tudo mais

que possa definir um tipo de cultura
em vez disso apontam com tortura
extermnio prises sanes e drogas
e outras aes das mais retrgradas
e quando o ndio assume sua raa
sua coragem seu grito seu poder
ento logo transformado em caa
soldados mandados para lhe prender
apenas porque defende o seu povo
motivo para prender Babau de novo

Mas Rosivaldo Ferreira da Silva
Sabe bem que mais essa tentativa
Tem por trs o interesse financeiro
O motivo de tudo o vil dinheiro
A rapina das riquezas naturais
As terras onde enterrou os seus pais
O pouco que sobrou do holocausto
O branco quer ampliar o seu fausto
Como sempre fez: matando pra roubar
Impune e impiedoso latrocnio secular

Ergam um monumento ao cacique Babau
Para servir de exemplo aos jovens guerreiros
Ergam-no bem forte invencvel e altaneiro
Orgulho dos povos ndios do mundo inteiro
Ergam um monumento ao cacique Babau
Nem polcia nem exrcito lhe faro mal
Porque goza da proteo dos bons espritos
Chamados a intervir por fora dos ritos
Nhander Oh Nhander protegei Babau
No deixai que o branco lhe faa mal

Oh Caboclos das matas mais cerradas
Inquices Vudus Orixs Oh Divindades
Sagradas protegei Babau das emboscadas
Jagunos traies invejas e das maldades
Que o homem branco ainda perpetra
Contra as naes de ndios no planeta
No se trata de reservar terras para os ndios
Mas de devolver um pouco do que foi roubado
E logo transformado em imensos latifndios
Para isso que o exrcito deve ser acionado

E todo o aparelho repressor existente
Deve agir a favor de proteger e no de punir
A populao indgena sobrevivente
Assegurar a todos o direito de ir e vir
De legtima defesa de qualquer vida
Ergam um monumento para homenagear
A coragem do povo Tupinamb
Que sempre foi uma nao aguerrida
Das terras de Buerarema eclode o grito
'Babau escapa ao cerco' pelo infinito

Geraldo Maia
Poeta


www.ospoetizadores.com.br


biografia:

Geraldo Maia Santos [Geraldo Maia ]-


Natural de Itabuna, Bahia, onde nasceu o dia 7 de outubro de 1951, na Rua So Paulo, tem cinqenta e oito anos, mora em So Paulo, Vinhedo, Av. Flamengo, 407, Jd. Panorama, fone 19 9420-5695, 19 3836-3117, geraldomaia2007@gmail.com. separado, trs filhos, formao superior incompleta em engenharia civil [ufba] e jornalismo [puc/rj], formado em biodana, ingls. Ator e diretor teatral [com drt], poeta, escritor, revisor, arte-educador, contador de histrias, dramaturgo, editor, produtor-cultural, ensasta, co-fundador e coordenador do Movimento Poetas na Praa [Ba]. Como ator atuou em teatro, cinema e tv, como diretor realizou oficinas de Teatro para o CCBB/SP - Projeto 'Novos Olhares sobre o Teatro', em escolas da periferia de So Paulo e em vrios CEUs. Como arte-educador realizou em 2004 Oficinas de Poesia Falada - CEUs/SP - Rosa da China, Aricanduva, Pra Marmelo, na Quadra da Bovespa em Paraispolis, em Paulnia [ENEP 2002], Campinas [SESC/SEC 2002], Mairipor -APAE [ 2002], tendo comeado a realizar oficinas de poesia e literatura na Penitenciria Lemos de Brito, em Salvador, em 1986.
Como produtor cultural criou e coordenou o projeto 'Poesia Nossa de Todo Dia', que reuniu os maiores nomes da poesia baiana e nacional durante quatro meses nos jardins da Ordem Terceira de So Francisco no Pelourinho, criou e coordenou o Concurso de Poesia Falada da Cmara Municipal de Salvador - Trofu Castro Alves, por dois anos consecutivos, as Oficinas Dinmicas de Poesia para a rede estadual de ensino [2 grau e profissionalizante] da Secretaria Estadual de Educao do Estado da Bahia, recitador performtico [Grupo TOCAPOESIA], tendo realizados apresentaes em bibliotecas municipais de So Paulo [Concerto para Voz e Poema] [2002] e participado do projeto Sociedade dos Poetas Vivos. tambm ecologista/ambientalista e co-fundador do PV/BA.
Tem dezessete livros publicados, nove de poesia, dois de fico [romance], cinco de cordel e um de literatura infanto-juvenil, alm do prmio de meno honrosa e publicao em antologia pelo Concurso de Poesia do Banco Capital [Ba].
Tem poemas e ensaios publicados em diversas revistas e jornais como A Tarde [Ba], Correio da Bahia, Revista AbyaYala [Argentina], Revista Iararana [Ba], Jornal Caf Literrio [SP], Jornal da Praa [SP].Participou dos Saraus de Leitura do departamento de Bibliotecas da Prefeitura Municipal de So Paulo, do Sarau do Alberico no Espao Cultural Alberico Rodrigues onde tambm realizou Oficinas de Poesia Falada e de Redao. Exerceu [2007/2009] o cargo de Coordenador de Literatura, Livro e Leitura na Secretaria da Cultura do Estado da Bahia atuando na Fundao Pedro Calmon. Atualmente trabalha como revisor, arte educador e consultor literrio em Campinas e Vinhedo, SP, onde reside. um dos fundadores [2010], junto com o poeta Gustavo de Carvalho e a poetisa Beatris Ribeiro Gratti, do Grupo Performtico OS POETIZADORES de
Campinas, SP.

Geraldo Maia Santos [Geraldo Maia]

www.ospoetizadores.com.br

geraldomaia2007@gmail.com

 

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