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Jos Carlos Silva Primaz [Cnsul - Olho]
Nacionalidad:
Portugal
E-mail:
Biografia

SULCOS
... DO ARADO DO TEMPO


Olho no meu rosto as marcas e sulcos que o tempo deixou,
Quando o vento, agreste e frio, bem junto de mim passou,
E tentou, o tronco do meu corpo, logo abaixo deitar...
Mas as raízes que à terra o meu tronco agarravam,
Muito sofreram, mas deixá-lo de lá sair... não deixavam,
E o vento norte foi-se embora, p’ra outros troncos derrubar.

E aos meus ouvidos, o uivar triste dos lobos, também chegou,
Talvez chorando, pois o vento, os seus filhotes p’ra longe levou,
E quem sabe, se nos alcantilados da serra eles não se irão perder,
E ao seu triste lamento, a minha tristeza a correr se foi juntar,
Porque este meu corpo, que o vento não conseguiu derrubar,
Tropegamente vai caminhando, sem da sua vida futura... saber.

Agora tenho o meu presente... mas sem o passado lamentar,
Porque as coisas más esqueci, e só as boas eu tenho p’ra lembrar,
Deixando feliz a minha alma, no tempo que tem para percorrer...
Por isso, quando de novo olho p’ra este meu rosto cansado,
Vejo que por ele passou o tempo, como pela terra passa o arado,
Antes do lavrador, as espigas do pão... dessa terra recolher.

[ J. Carlos – Novembro 2010 ]


SENHOR ...
DAI FORÇA ÀS MINHAS MÃOS


Meu golpe certeiro com o machado, na árvore logo acertou,
E ela, coitada, com tal golpe, logo a sua seiva chorou,
Dorida e admirada, por tal coisa, eu nela estar fazendo...
Mas só fiz isso, porque a sua lenha eu queria já apanhar,
Mas agora que vejo esta triste árvore a chorar,
Já bem me arrependi... e voltar atrás, eu tanto estou querendo.

Mas o golpe mortal, já nela eu tinha dado,
E agora à sua sombra, eu não vou estar mais sentado,
Tendo sido esta, a minha estúpida maneira da recompensar...
Pois eu, pobre vadio, sem nesta vida ter eira nem beira,
Só pensei naquela triste e egoística maneira,
Do frio invernoso, deste meu corpo... eu depressa tirar.

E agora, que de tristeza a minha árvore tanto chorou,
Sei que a minha alma... também se lamentou,
Por eu, tal coisa ter feito, sem com o coração ter falado...
Portanto, meu Deus, antes de partir para um outro lugar,
Dá força ás minhas mãos, para uma outra árvore eu plantar,
P’ra quem vier atrás, à sua sombra, poder também ficar sentado.

DA MORTE ...
NÃO TENHO COM QUEM FALAR


Da morte, eu desejei aos meus amigos falar,
Mas quando de tal souberam, começaram-se afastar,
Pois era uma conversa, que a nenhum deles interessava...
E eu confesso, que tal forma de sentir, não compreendi,
Pois que falar em vida, deste tema, eu por mim sempre entendi,
Que seria até normal, pois a morte, sempre nos acompanhava.

Mas falar duma tal coisa, a toda a gente faz impressão,
Pois da vida já nós sabemos, e nela temos a sensação,
De que temos que morrer... mas que seja sempre o mais tardar...
Pois da vida, o bom e o mau, já todos nós conhecemos,
E se depois dela, outra vida ainda existe... não sabemos,
E será talvez por isso, que da morte, nunca queremos falar.

Mas a verdade bem real, daquilo que todos nós entendemos,
É que a vida e a morte, são as companheiras que sempre temos,
Enquanto neste mundo contingente, a nossa alma cá andar...
E porque falar deste tema... eu comigo sozinho fiquei,
Voltei-me p’rá minha amiga vida... e com ela tanto falei,
Que ela me prometeu, um dia destes, à morte me apresentar.

[ J. Carlos – Dezembro 2010 ]


ÁRVORE CAÍDA...

Oiço, vindo lá de longe, o grito que magoa,
Da árvore envelhecida... a que o tempo não perdoa,
Os anos, que pelo seu tronco, já por lá passaram...
Pois hoje é só mais uma, à espera do vento que há-de passar,
Que com um ligeiro sopro a vai para sempre derrubar,
Sem pensar nas saudades, dos que à sua sombra descansaram.

E eu, que também velho já estou, senti o seu triste lamento,
Pois, tal como ela, estou esperando pelo vento,
Que este meu corpo, p\'rá terra mãe, irá um dia deitar...
E penso... penso como será quando isso suceder,
Se terei tempo e coragem, para ainda ao vento dizer,
Que não leve o meu lamento... para ele na minha garganta ficar.

BORRASCA... LÁ PELO MAR

Ouvi, lá ao longe, a sirene dum barco apitando,
Lançando o som da angustia... e por socorro chamando,
Ao verem a borrasca, que no mar, se estava aproximar...
E o meu coração, sem nada poder fazer, logo se atormentou,
Pois deitado nesta minha cama quente... só pensou,
Naquele barco, que quem sabe, não se estaria a afundar.

E ouvi na rua o vento frio cortante, que de zangado até uivava,
Soprando por entre as casas velhas... e as chapas dos telhados,
Levando à sua frente, tudo aquilo que no caminho encontrava...
Deixando medo, nos que já eram pobres... e até já desgraçados.

E com tais pensamentos dentro de mim... amargurar,
Sem nada poder fazer, para tais dores poder tirar,
Senti que os seres humanos são pequeninos e bem fragilizados...
E p\'ra Deus eu me voltei... numa prece bem sentida,
Pedindo-Lhe toda a ajuda dos céus, para nesta nossa curta vida,
Proteger e ajudar todos aqueles, à sua pouca sorte abandonados.

CÂNTICO ...
DAS VIRTUDES PERDIDAS


Lá em cima, na montanha entre o gelo, eu guardei,
As virtudes, cá em baixo espezinhadas... que ainda encontrei,
Para bem longe desta velha geração, por lá ficarem guardadas...
E assim, quando o frio da longa noite, da terra tiver sumido,
E o gelo lá de cima, em água pura, p\'rás gentes tiver descido,
Ela trazer de lá as virtudes... nessas águas misturadas.

Pois da forma como este mundo, já está por cá ficando,
Em que dia a dia, com as virtudes, esta sociedade está brincando,
Só pensando na riqueza, e na plena ostentação, para viver...
Certo é então, que bem cedo... elas irão mesmo terminar,
Mas quando o mal, neste mundo, já então cá não morar,
Que venha o sol para os gelos derreter... e as virtudes trazer.

E com elas, que venham os cânticos dum novo dia a nascer,
E que os gritos alegres da criançada, façam esta terra estremecer,
Para todos sentirem o amor... que eu já então não sentirei...
E quando das fontes da montanha, de novo a água pura brotar,
Que as crianças do futuro, possam a sua sede saciar,
E o coração purificar com as virtudes... que eu um dia lá guardei.

biografia:
José Carlos Silva Primaz

Nascido em Lisboa, depois da sua aposentação, muda a residência para o Algarve, dedicando-se à poesia, na sua forma simples de poetizar.
É membro da Academia Abrali e da Academia AVBL, ambas do Brasil, tendo alguns dos seus poemas sido publicados em Antologias publicadas por estas Academias.
Procura na simplicidade dos seus poemas, transmitir o seu sentir dos problemas do mundo.

j.carlos.poesia@gmail.com

 

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