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Tefilo Carlos Leite Junior
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia

INSUFICIENTE

Terceiro
Talvez por sorte não sei aonde chegar,

Eu e você somos pedras, areias e águas, nos construímos.
De fato, onde quero chegar não sei,

Sei que não é logo ali, não é tão fácil.
Não fujo de olhar na tua cara pra dizer o quanto amo,

Não fujo nem de Deus por temor.
Nunca, nunca nenhum desejo vai ser receio ou pé de prosa,
Meus desejos são desejos poéticos,

São rimas ricas, são contos fabulosos, são crônicas...
Minhas palavras que não se aliteram,

Minhas verdades que são mentiras quando chegam ao seu ouvido,

Minha impotência que é crua quando me resume ao que passou.
Sinto sim, toda minha dor.
Meu coração não quer outra espécie de sentimento.

Acostumei ser isso e vou ser... pisa, pisa, pisa...
Não faça das tuas verdades minhas lágrimas...

Talvez, perdemos os sonhos ou não.
Quem sabe um dia, a estrada seja engendrada

Com novos trilhos que estou construindo.
Se eu não te quisesse, amasse, enlouquecesse por você assim...

Teria ido pra Pasárgada.

Fodidos

E se o mundo não fosse esse que vivemos,
vai que o mundo fosse o outro que estamos à espera.
E se Deus é o ponto forte da atmosfera,
o que esperar do excesso de calor que faz a terra febril?
E se nossa vida for um começo de tudo,
o que esperamos pra chegar ao final ou à partida.
E se tudo que contamos tenha fim,
e se os números são finitos?
E se a terra girasse sempre em torno de ti,
o que esperar da tua influência absurda sobre o âmago?
E se a cerveja não tivesse, ao menos na gente, meu amigo,
o poder de dissolver a tristeza dos problemas?
E se estes mesmos problemas não voltassem à tona todo dia,
e dormir bastasse pra que tudo fosse resolvido, qual a glória de beber?
Um dia houve Bach, Gaudi, Bakhtin, Dostoievski, Boccaccio, Hank.
E se agora, que somos homens vis, hostis, rudes e pseudomortais,
Deus quisesse de fato matar a todos com um dia de chuva ou de calor?
Às vezes acho, meu amigo, que a resposta pra todas as perguntas esteja
sob o catre
daquela que um dia dormi abraçado, sobre a cama!
E se eu não voltar lá pra saber? Estaremos fodidos.

Sol

Tem sol no céu,
é como se queimasse tudo a sua frente.
Raios que cortam como adagas,
toca Wagner no som,

um livro de Whitman sobre à mesa.
Há muitas pessoas andando na praça,

vejo daqui, umas que sobem,
outras que descem,

outras que param e bebem cervejas.
Algumas pessoas que não pensam no que há,

outras que pensam demais
no que não houve com cisma de suicida.
Uma mulher que sente ciúmes,

e um homem que daqui,

enquanto observa pela janela,
se apaixona cada vez mais por ela.
Uma mãe e um pai que se questionam:

- Por que a vida é assim?
Um filho que responde:

- Porque é assim que tem que ser.
Uns que dizem que Deus é pacífico,
outros que dizem que Deus prova,

prova, martiriza, mas ama.
Outros que não sabem quem é Deus.
Tlec faz o barulho do anel na lata de cerveja.
Quantas são necessárias pra saber da vida?

Pra entendê-la, ao menos?
Uns que odeiam o outro por ser verdadeiro,
outros questionam sua capacidade.
Uns que te adoram, outros que te odeiam por ser adorado.
Uma mulher que diz: você é um vendido, Téo.
E um Téo que diz:

- É pelo preço que se paga que se tem noção do valor do produto.
Tomei uma dúzia, ainda não entendi.
Há um sol no céu ainda, mas não há mais cervejas por aqui.

- Até mais.

biografia:
Teófilo Carlos Leite Junior


Téo é tão complexo quanto sua literatura.
Sua assinatura é forte e nota-se a marcação dos antes chamados Malditos, tais como Bukowski, Fante, Hemingway, Kerouac, Henry Muller, Beckett,
Anais Nin, Edgar Alan Poe, quiçá Rubem Fonseca, Caio Fernando Abreu, pessoas que vendo o mundo em preto e branco, mais preto que branco, conseguiram ser geniais, desaguando seu sarcasmo pelo que desprezam.
Enxergaram demais o lado escuro e não suportaram a visão.

É um idealismo ao avesso. Não concordar com a realidade, mas não fazer
nada para muda-la, pois há de se ter o medo de ter esperança e de
conseguir mudar e não saber mais quem se é, de tão acostumado com o que lhe incomoda, de forma que a vida lhe permita a fuga, num copo de bebida, num maço de cigarro, numa droga qualquer, pra ver se a morte chega mais depressa.

Só que acontece que, mesmo querendo a fuga - tal como o idealista que dá a vida pelo seu sonho - no desiludido, a sensibilidade é a mesma, e não adianta fazer pirraça com a sua vida, como se ela fosse mais fraca que a sua vontade. Levantar o rosto e olhar para o sol pode cegar quem não é acostumado à luz, mas também pode fazer o milagre acontecer. Renascer sem ter que morrer.

Alguém há de dizer que são palavras fortes, mas tamanha é a força do texto de Téo e do seu grito, que não haveria como dizer deles, se não fosse com força. Se você é capaz de enxergar a ternura encoberta pelo mito do forte que tem medo de que percebam sua doçura, então é capaz de amar este livro.

teovelvet@hotmail.co.uk

 

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