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Sergio FERREIRA OLIVEIRA
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia
POEMA EM MARCHA

A paz
uma carta na manga;
um s, mas mngua;
um ponto que extingue
't na ponta da lngua
todo o 'P' desta paz
que, sem P, fica o s
- a cartada final

paz;
a puseram de lado;
a fizeram de fardo;
propuseram, mas lerda,
a tal paz vem d'A Queda
de Camus: Conscincia.
Eis a paz: substncia.
Eu quero esta fragrncia,
respirar desta essncia
- a essncia da paz.

A paz
l no pus da ferida;
c no susto da bomba;
l no branco da pomba;
c no bero da vida
toda paz suprimida
deve estar bem guardada,
dever ser sugerida,
pois a paz posta em jogo
a chama - sem fogo,
o xeque - sem mate.
Nosso sangue escarlate
que no sofra o arremate
de ser sugado,
de ser julgado,
de ser jogado
na vala ao lado.

Uma falta de paz
a falta de arroz
e, pois, onde houver fome
a paz no se consome,
a paz no se consuma;
ela some e no sabe;
ela em si se desaba;
esta falta de sopa,
este excesso de tapa.
Eu j vi deste teipe,
eu j sei como acaba.
Ser paz esta baba
escorrida da boca,
esculpida barroca,
escarrada na Terra?
Um punhado de guerra
a fome insolente
a atacar tanta gente.
Como disse o profeta
mais que esteta e beleza,
a paz uma troca
de amor e gentileza.
Concluindo, oh, ento:
- Ter a paz ter po.

A paz,
quem a ps a escanteio?
No se tira dum seio
o colostro materno.
Eis o gesto mais terno:
'Caminhar pela paz',
pelos filhos e pais,
mas quem foi que isto fez?
Mas quem que isto faz?
Eu a sonho de vez
sem o mssil feroz,
sem a dor de um antrax
e o terror de um vil gs
[coisa mais infeliz],
sem a atmica luz...
Eu no quero o 'aqui jaz'
se espalhando veloz.
O meu sonho que ns
s sonhemos com paz.

Ai, paz,
quero v-la sem ais;
quero t-la demais
numa tela de paz.
A brancura que traz
toda a cor de uma paz,
e no quero aguarrs
pra manch-la de atroz,
pra calar sua voz.
Ser que ter vez
o meu grito tenaz?
O meu grito de paz
s ser eficaz
se juntar-se a outra voz,
e meu eu ser ns
[e meu eu ser ns]!

A paz,
expandir pelos ps
toda paz, sem revs;
caminhar ao depois
sob todos os sis
- os 100 sis que vs sois,
quero brancos lenis
tremulando. Alis,
se um mais um somam dois,
seja moa ou rapaz,
seja idoso ou beb,
tanto faz, tanto faz,
tanto faz o porqu,
vem conosco viver
conviver pela paz!

A PLUMA

Desesperanada pluma,
vais ao cho
[como quem
[arruma
o pouso fatdico - morte.
Em parte tens razo.
soltura de brisa
nenhum ramo se bisa
e, s nisso, eu embaso
meu porm temporo.

Oh, pluma, vai sim
ao cho que te espera,
o cho te transcreve
posfcio to breve:
- Fim.

DESAFIO

Um grande desafio
[ desvelar o fio,
o fio da mo da vida
[a gente no controla
como se fosse um rio -
[desgua o desvario.
A gente no decide
[ao fio se ele se enrola.

E o invisvel rio,
[ao infinito, vi-o
correr pra alm da vida
[a usar fraque e cartola.
E a roupa um desfio,
[e nobre e vivo e pio:
Tua imortalidade
[ensinada na escola!

Vem, abre a tua mo,
[retira a tua luva;
v, cada linha um vo,
[e a cada vo vem curva.
A vida um novelo,
[a reside o belo,

bem mais do que em novela;
[e se ela nos turva,
jamais te curves, no;
[a vida uma iluso:
...Adoa-te em marmelo,
[ouve um violoncelo...

biografia:
SERGIO FERREIRA OLIVEIRA


Nascido na cidade de So Paulo; professor da Rede Estadual de Ensino do
Estado de So Paulo desde 2006.

sergiomradams@hotmail.com

 

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