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Chrys Chrystello
Nacionalidad:
Australia
E-mail:
Biografia

1.
474. POESIA REVISITADA
[de novo a ti, daniel filipe]

ALERTA! a imaginação tomou de assalto o poder !
hoje
virão talvez crianças
descendo as sagradas ruas das máquinas
acompanhando nas avenidas a liberdade por inventar
dando-nos as mãos
os sorrisos
os sonhos
hoje
nas campas rasas
estarão heróis que nunca foram
perguntarão ‘Quando seremos ouvidos?
a nossa carne encheu canhões
no-la recusam agora?’
os mendigos
desempregados
reformados
deficientes das guerras todas
as pegas finas
prostitutas de rua
chulos
traficantes de ilusões
os ladrões
criminosos
e demais gente ordinária e vulgar
anunciam manif reivindicativa
‘a greve será total’, dizem
enquanto isso
partidos
militares
sindicatos
demais desorganizações de massas
exigem
do governo
a ordem
a força
a autoridade das armas
a repressão
o estado-de-sítio
a censura
até mesmo a pena de morte
por toda a parte
solidária é a luta dos oprimidos - clama o poeta
única é a voz dos marginais - escreve o louco sensato
nas paredes
nas grades desta prisão
[aqui e além leves escaramuças populares
não há baixas dignas de registo
- asseguram fontes oficiais -
geralmente desinformadas]
a sociedade é um flagelo social do indivíduo
libertemo-nos da grande ameaça - denunciam os dissidentes
a situação é calma
assegurado o controle total do país
militares, militarizados e milícias privadas em prevenção igorosa
algures à mesma hora
num público jardim
um casal de amantes
feliz
desocupado
despolitizado
e despreocupado
faz amor
sem carácter de urgência
confundidos por vulgares agitadores da ordem
serão chacinados ao despertar o amanhã
[felizmente havia luar!
comentou lacónico o primeiro ministro
muito dado às lucubrações intelectuais].

2.455. TE [A TI MESMO ]

caminhas como se asas houvesses
ignoras o pensamento
e te transporta
círculos descreves
negação do ego teu
existes
enquanto contraditórias as razões tuas
delas te evolas por sobre a turba anónima
em nada crês
e é tua a natura-mãe
motivo
consequência
dos outros
sabes a incoerência ingénua
e o dolo
proclamas o auto-equívoco do elogio
TUA
A VERDADE
só tu conheces
habitas
desprezas
falso o mundo dos olhos
teus
como a estória do que sentes
dos bosques sabes a ramagem
das nuvens os castelos
caminhas
e em ti o equilíbrio é etéreo
ambicionas o mutismo
linguagem universal do devir
crias quotidianas personagens
ancestral a sabedoria que rejeitas
alquimista de impossíveis
de ti
a imagem só tua
no lado outro do espelho
de ti
a fala e o canto
e o mundo que conheceste
inventando.
[ ESTE O SOBREHUMANO HINO ].

3. 467. BALI

I

tapem depressa esse sol imenso
apaguem o cinzento em todas as nuvens
consumam o ar respirável e grátis
[ se ainda restar ]
abatam a machado o castanho
das árvores verdes
drenem rios e mares
se ainda impolutos
nas pradarias plantem de concreto
gaiolas de gente
ocultem céus sob ondas esfumosas e azuláceas
[ talvez grisalhas ]
embalem-nos com místicas melopeias
estrídulos klaxons e apitos
ultra e infra-sons
metálicos
mecânicos
como o homem
cantem do aço as palavras
de titânio
e do urânio façam diálogos atómicos
[sem esquecer plutónio, árgon e os outros]
escavem galerias subterrâneas
labirínticas
por fim
[ se houver quem o faça ]
semeiem cabeças de mulher
nos caules peciolados
o kif
o hash
o peyote
viagens de mescalina ao centro do mundo
delirem com wakeman
os cogumelos mágicos
gigantes do riso
sem vontade nem siso
sensações novas por inventariar
seis horas sob chuva cósmica
celeste mergulho de cadentes estrelas
mil sóis
o ritmo primário
a cadência beat
memória ancestral
poesia mística de pedras por decifrar
o vôo atávico
alento último no suor dos corpos
dança da chuva em trajo de circunstância
vindos de nem-eu-sei donde
marte, talvez
fantasmas antigos
soletram segredos esquecidos
castelos sem tempo
alquimias sem espaço
olhos dilatados nas lonjuras
lágrimas aceradas
espadas de gelo
sem medos
onde o cruzeiro do sul ?
perguntam duas virgens
[ fiz-me desentendido ]
voguei no vento sobre as areias
ali mesmo
caminhámos séculos
até ao fim das bocas
esperma salgado
púbicas efluvescências

II

- Já destruíram a face ao planeta ! - exclamo
pássaro algum entoou o cântico da meia noite
é dia
esquecido de mim
perdido sem lembranças
ou nome
ou nexo
o sexo viril
húmido
pendente
de tuas ancas descarnadas
vagina sem dono
no pomo desta maçã
percorro deltas de fomes infenecidas
farejo bosques que urbe alguma sepultará
cerca da fogueira
teus ossos me ardem
remoçaste um parto louco
sedes irreprimidas

III

ANIMALS !
sussurra incrédulo o gordo careca
agita branco de raiva [ódio?] seu panamá
nasty pigs !
rosna a dona do pekinois rançoso
espojavam-se nas rochas
sem dunas
vasado o sémen no útero peregrino
gemia sussugante wonder alice
nas maravilhas do meu país
nuas órbitas
olhos e phallus
plástico transistor aos sapatos da jovem
sem pés
vozear rítmico do kecak
balinês de nove séculos
woodcarven e batiks
bikinis por vender
pele tostada e suja
ávidos de americanos turistas
o pregão infantil
o coloquial regateio do preço
ridiculamente pequeno
dez vezes menor
o exorbitante exagero do trabalho
dez vezes mais gratuito
duas notas de dólar por mil sorrisos
cheias mãos de antiquário
comprador de almas
sem sonhos

IV

longe o surf
o vulcão silente de kintamani
corais
tubarões
pesca artesana
a sombra supersónica dos jumbos
milhares flutuantes
vómito infrene de gente
esvaziar o bojo e [re]partir
busca antiga de sentir novo
despir dos hábitos a gravata
férias sem rosto
historietas futuras
tédio adiado
burguês camuflado às flores
camisa, shorts e soquetes
chapéu de palha e sombrinha
óculos fumados e charuto apagado
embuste inexperienciado
o juro da alienação quotidiana
salário vitalício
a casa
a sagrada família
esta a pausa breve
fotos instantâneas a três cores
souvenirs de imitação
bagagens de bugigangas
gorjetas também.

V

no colmo da cabana o fumo denso
balbuciar desculpas
correr nu pelo palmar
beber o coco e o leite
shiskebab de formiga
vegetais
soja
chilli
vinho de arroz, chau ming e vantans
ninhos de andorinha
acorda amor !
buddha sticks
ácidos paranóicos
cogumelos azuis
tão só para ti
paola
a chinesa nascida em itália
trincava bikkies
marcello dormia com a heroína
bíblico moisés afagava em tróia
helena
jimmi hendrix em intravenosa experience
bev
a ruiva pintava originais de cetim
dick era ainda um dealer
foragido mas feliz
cérebros vazios
mas cheios
tão cheios
alheios
conversas jamais acabadas
empolgantes
no limiar infinito do genial
corpos balanceando cadenciados
afagos breves
sôfregos e sensuais
bebedeiras de suor sem calendário
cá fora o bailado sagrado de homens deuses
o self stabbing dos kris na carne crua
terrífico ritual sem sangue nem dor
entre o êxtase e o clímax
caiem redondos de morte
actores da vida amadores
sacro licor os eleva de novo
investem frenéticos
descontrolados
oito possantes mãos os sustêm
macabro e belo espectáculo do barong
iniciática peregrinagem
bali - a ilha
banjal tegal-buni o templo
civilização século XI
mescla hindú-nésia
kuta beach a praia
ngaben a cerimónia ao entardecer
liberta do corpo a alma
a procissão
as flores
a grande festa da morte
oferendas na torre crematória
barcos cortejam as cinzas na noite
este o paraíso e já perdido
início?
fim ?
viagem louca
a fome gelada de katmandu
o desprezo total em goa
lentos estádios da libertação
ardentes delírios tropicais
desconexa a fluente discursividade
arrastando da febre o esqueleto
comer sem fome
o gado-gado
shop-suey
cap cay

VI

janine a louca se masturba no térreo adobe da prisão
contrabando de narcóticos
denúncia premeditada
despeitado amante javanês
regressará num bemo
quinze lugares sentados
três os meses em atraso
amigos em trânsito
ávidos dentes nos perama’s cakes
árida sede dos Pernod’s à Poppies
joe cocker era tema no estrado
a dutch princesa olhava altiva
sotaque rolado
juntos entoamos hinos odiosos
à europa distante
brian parodiava liverpool mineiro
chegando bliss e o seu petiz-lord
[made in grosvenor - londres
em buckingham um queer
marido e M.P. ]
vestia 1920’s com capeline
abominava libras sem ouro
como quem despreza
katut lembrava o mote
alguns saíam em curta trip
“please ! no gettin’ loaded on poppies!”
serviam um meat taco
pineapple sundae
sorriam-me “cum çtáz amigu”
e mais não sabiam
george encolhia ombros
lembrando a posse
resignada e terna joanne
dezoito apenas
brisbane no início
topless e scarf ao vento
rãs coaxavam no lago de nenúfares
ginsberg [alan] incómodo e desconhecido
barry bongo a tiracolo na guitarra
gestos adocicados
lenço cache-nez
kebaya antígua
púrpura e cetim
barry mckenzie
vinte filmes épicos
dez mil cervejas
uma austrália de compêndio
alice springs e o deserto vermelho
clare declamava shakespeare sem saber

VII

mais tarde houve luar em legian
margret falava de sindicalismo ACTU
petiscando fried noodles
éramos como jovens e ingénuos
helen ansiava banguecoque em reforços
vinte quilos de thai
bob hope cocada
todos pintávamos em silêncio
infernos de dante
o allighieri
viver num losmen é regressar
à amizade original
ao sabor de início de mundo.

VIII

noutra qualquer manhã
domingo
javanese dudes excursionavam
pele alvar
kamera ao peito
flashes ao pôr do sol
como japoneses que não eram
anette a vegetariana
fugia da praia
imaginando-me russo branco
num curto intervalo de calendários
amor com carácter de despedida
ao canto chorava um xilo[bambú]fone
uncle sam perdia ao xadrez
desatento espreitava-nos.

IX

quando as chuvas voltaram
fomos a bangli
no sopé do vulcão
o lago e a negra lava
fazia frio
disfarçados de turistas
ma non troppo
ouvíamos um classical tão americano
arengava anti-comunismo
anti-isto
anti-aquilo
[não mais me falaria
odiava desertores
antes isso! ]
lascivo
comia os cabelos encarnados
do último tango em paris
zanguei natalie f.
um nome francês e sardas verdes
xaile nos ombros nus
unhas lilás e preto
e branco e azul ou
saudades de torremolinos
olé!
julie
hospedeira pan-am
fornicava no lençol de flanela
intenso aroma evolava do chilum
um casal de múmias ocidentais regateava estatuetas falsas
clapton matava o sheriff
na esquina em frente um teatro de sombras
big fatty mardej mercadejava sarongs
a pequena dayú comia babi kecap em molho doce
karen acenava um adeus
até à coroação no nepal
[ e do futuro
uma voz gritava
era assim naquele tempo ]
amarelecido retrato tombou a meus pés
incomodado levantei-me
e saí.

biografia:

Chrys não só acredita em multiculturalismo, como é um exemplo vivo do mesmo: Nasceu no seio duma família Portuguesa mesclada com Alemão+ Galego Português [desde o ano de 942 DC], Brasileiro do lado paterno, e Português [desde os idos de 1500] do lado materno. Como Oficial Miliciano no Exército Colonial Português em 1972, foi enviado para Timor onde aterrou em Setembro 1973 regressando dois anos mais tarde. Editor do jornal local em Díli – enquanto em Portugal a Revolução dos Cravos destronava uma ditadura com 48 anos - Chrys estava já embrenhado no jornalismo político e na linguística.

Tendo já sido publicado em livro com poesia sua Crónicas do Quotidiano Inútil [vols. 1-4], escreveu um Ensaio Político sobre Timor, antes de ser chamado a desempenhar funções executivas em Macau como Economista da CEM – Companhia de Electricidade de Macau em 1976. Mais tarde radicar-se-ia em Sydney e Melbourne como cidadão australiano.

Durante mais de três décadas e meia dedicou-se ao jornalismo político em rádio, televisão e imprensa escrita. Como Correspondente no estrangeiro trabalhou para as agências de notícias portuguesas ANOP/NP/LUSA, para a televisão TVB de Hong Kong, para a RTP, para as estações de rádio portuguesas RDP e Rádio Comercial, ERM/ TDM/ RTP [Macau], para jornais incluindo o Jornal de Notícias, Sábado, Europeu e PÚBLICO, sendo amplamente publicado em vários jornais e revistas, incluindo o jornal The Journalist da Associação Australiana de Jornalistas [Australian Journalist\'s Association] e o jornal The Maritime Union do Sindicato Marítimo australiano, além de ter feito pesquisas e ter escrito documentários para as televisões australianas [sobretudo relativamente a Timor Leste].

Entre 1976 e 1994, [quando se tornou semi-reformado do jornalismo] escreveu sobre o drama de Timor Leste enquanto o mundo [incluindo a Austrália e Portugal] se recusava a ver essa saga. Na Austrália trabalhou ainda como Jornalista para o Ministério do Emprego, Educação e Formação Profissional [Dept. of Employment, Education and Training]; Ministério da Saúde, Habitação e Serviços Comunitários [Dept of Health, Housing and Community Services]; e como Tradutor e Intérprete para o Ministério da Imigração [Dept of Immigration & Ethnic Affairs] e para o Ministério Estadual de Saúde de Nova Gales do Sul [Dept. of Health NSW].

Noutra área, interessou-se pela linguística ao ser confrontado nos anos 70 com mais de 30 dialectos em Timor, e descobriu na Austrália vestígios da chegada ali dos Portugueses [1521-1525] mais de 250 anos antes do capitão Cook, e da existência de tribos aborígenes falando Crioulo Português [herdado quatro séculos antes].

Membro Fundador do AUSIT [Australian Institute for Translators and Interpreters] e Examinador da NAATI [National Authority for the Accreditation of Translators and Interpreters] desde 1984, Chrys ensinou Linguística e Estudos Multiculturais [a candidatos a tradutores e intérpretes em universidades].

Com quase três décadas de experiência em Tradução e Interpretação como Freelancer especializado nas áreas de Medicina, Literatura, Linguística, Legal, Engenharia, Política e Relações Internacionais, Chrys publicou inúmeros trabalhos científicos e apresentou temas de linguística em conferências em locais tão distintos como a Austrália, Portugal, Espanha, Brasil e Canadá.

Em 1999 traduziu do inglês o seu principal Ensaio Político \'East Timor: the secret file 1973-1975\' [versão portuguesa] Timor Leste: o dossier secreto 1973-1975 que esgotou a sua primeira edição ao fim de três dias. Mais tarde e-publicou [na Internet] a monografia Crónicas Austrais 1974-1996 e terminou há pouco novo livro sobre Timor.

Actualmente continua a ser responsável pelos exames dos candidatos a Tradutores e Interpretes na Austrália, sendo ainda Assessor de Literatura Portuguesa do Australia Council, na UTS Universidade de Tecnologia de Sydney e é Mentor dos finalistas de Literatura da ACL [Association for Computational Linguistics,] para o Information Technology Research Institute, University of Brighton no Reino Unido, para além de organizar os Colóquios Anuais da Lusofonia que desde 2003 têm tido lugar em Bragança e os quais tiveram como patrono o Embaixador José Augusto Seabra.

Em 2005 publicou [em edição da Santa Casa da Misericórdia de Bragança] o Cancioneiro Transmontano 2005, compilando em cerca de 300 páginas, contos, lendas, cantigas e cantilenas, loas, etc. da região e terminou o segundo volume dos seus contributos para a história de Timor intitulado “Timor-Leste vol. 2: 1983-1992, Historiografia de um Repórter” [um volume com mais de 2600 páginas e edição de autor em CD].

drchryschrystello@gmail.com ; drchryschrystello@yahoo.com.au ;
http://oz2.com.sapo.pt

 

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