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Luiz Alberto Machado [1: Cnsul - Estado de Alagoas]
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia
CEST LA VIE, CEST FINI

'E se, de repente a gente no sentisse a dor que a gente finge e sente. Se, de repente, a gente distrasse o ferro do suplcio ao som de uma cano. Ento, eu te convidaria pra uma fantasia do meu violo. Canta, canta uma esperana. Canta, canta uma alegria. Canta mais revirando a noite revelando o dia noite e dia, noite e dia. Canta a cano do homem. Canta a cano da vida, canta mais trabalhando a terra entornando o vinho canta, canta, canta, canta. Canta a cano do gozo, canta a cano da graa, canta mais preparando a tinta, enfeitando a praa, canta, canta, canta, canta. Canta a cano de glria, canta a santa melodia, canta mais revirando a noite, revelando o dia, noite e dia, noite e dia' [Fantasia, Chico Buarque].

Luiz Alberto Machado

Eu sempre tive mais do que mereo. Sabia, no. No sabia. Sabia. Agora tarde a dvida. Viver duvidar. Agora rumino, definho, esperando a morte chegar. Agora tarde. Ou no seria cedo demais.

Eu tive mesmo muito mais do que merecia. Obrigado, vida, viver duro demais. duro demais viver.

No merecia a cortesia dos amigos. Obrigado, gente, fui feliz e no sabia nada de felicidade. Isso porque nunca vi no olhar a cumplicidade.

No merecia a ternura fmea a me carinhar. Eu nem sabia quo fcil era amar sem saber do dio, quando o amor paixo que di nos nervos. E no corao.

No merecia me dedicada. Nunca fui nada, no lhe dei os sonhos esperados.

No merecia o pai complacente, eu sempre fui tacanho demais para t-lo compreensivo nas minhas horas minguantes.

No merecia sonhar as estrelas no olhar, obrigado mundo pelas coisas que s eu soube ter.

No deveria jamais ter a sorte que tive e fui contemplado, sempre tive mais, muito mais que o merecimento, confesso. Tudo me foi dado. E eu porco para ouro.

No merecia o fruto do quintal, a sombra do abacateiro, o mormao da carcia nem o perdo tardio que eu nunca soube haver.

No merecia a palavra, nem o gesto, nem o lbio e o olhar, muito menos a espera e o ventre brotando qual rosa esplndida na tarde da perda.

Obrigado por no ter que agradecer a nada. Nem a mim.

Obrigado rio que matou a minha sede e me afogou. E me ensinou a errar.

Sabia que a vida valia a mo do menino. E eu, esse menino, desfaleci.

A vivi porque morrer s mudar de lado e ver o no visto, viver o no vivido e sonhar o que no se sonha.

Obrigado sol que me ensinou o frio. A vida enregela nossa alma e sobra s uma pedra no peito.

Obrigado noite que me deu luz onde no via. E eu morri no primeiro sorriso da menina.

Obrigado dia porque me ensinou morrer.

Obrigado rosa, o dar-se sem saber o que dar.

Obrigado, amigo, antes soubesse solidarizar-me.

Obrigado a todos. E a tudo.

Nada mais tenho que oferecer, nada mais me resta. S a gratido de voc. Obrigado, voc.

Luiz Alberto Machado.

ESPERA

Luiz Alberto Machado

A vida levando, sombria esperana.
Os dias tato tontos servindo estranheza.
A utopia de ser existente.
O fcil vazio que s arrefece em praa tolhida,
Em ser conduo:
Esperando Pinheiros no Largo da Paz.

Eu no sei agonia se espero amanh.
O fato existe em no ser amanh.
Sem tempo presente, imediato, um timo sensvel
De no se expressar.

Eu no sei ironia se j anoitece.
Se bem que meu peito nem amanhecia.
A pedra est por todos os lugares.
E a solido de um banco de praa
fruto do ermo em sensao.
E reveste meu corpo em chuva fininha
Que aglutina e j temporal
Sequer o nibus Pinheiros, sequer,
Apontou no Eldorado.

Minha praa vazia, meu corao.
Todos os outros pegaram seu rumo
E esqueceram a poeira no cansao marcado.

J no posso molhar meu corpo na chuva.
Nele s cabe o mormao da vida.
Esperando Pinheiros no Largo da Paz.

Luiz Alberto Machado.

SISIFISMO

Luiz Alberto Machado

Sobre esta terra, Hy Breazil
Muita lgrima
Muito sangue
Jamais redimidos.

Sonhou-se novo sol, Hy Breazil,
Mas a banda a mesma
As armas, as mesmas,
Os homens, os mesmos.
Hy Breazil!

Luiz Alberto Machado.

PALMARES

Luiz Alberto Machado

Uma cidade esta
A morada abissal nos quilombos da noite Zumbi
Ou uivo de coruja de todos os pressgios
Alalas de todas as festas
Oraes de todos os templos
Correio de todas as notcias
Arena de todas as lutas vencidas, perdidas, mal-choradas,
Terreno surpreso de todas ignbeis sentenas de vida
Que se descoram e se colorem a cada antema dos deuses
Eu guardo em meu cofre
Todos os teus imprios de fome e luxria
Tua desprezvel ingratido
Contemplada nos tapetes de pelcia que te completam
E te arrunam rodeada de penria
Festejando andores que fabricam as incontestveis beatitudes
Aureoladas nas noites insones
Que te deixam morrer e ressurge em cada copo mal-tomado
Como sudrio de tua manifestao
Uma cidade esta
Dos deuses do barro suspensos nos tronos inflamveis
De lazarentos apodrecidos nos pores de tua riqueza roubada
Que cantam cantigas do tempo do ronca sob um sol escasso e dbil
Dos arcabuzes, mosquetes e pistolas ressoando seus estrpitos como saudando a vida disfarada, o planto do inverno nos ventres tristalegres e boquifamintos que inventariam teu espolio do mais completo bestirio canhestra de todas as vidas
O teu gen ressecou antes mesmo de caminhar pelas orlas estelares em formas do teu organismo carcomido e prostitudo das seqelas da vida que no mais retalham teus dramas porque so doces quimeras impetradas ao sigilo do teu crepsculo
Porque so tirnicas as ousadias engastadas ao sibilo de tuas chuvas desmoronando sangue - a comiserao por todas bestificadas ruindades indiferentes que te redundam na mais completa insolncia de justia.
Uma cidade esta
Teus pores jamais revolvidos teriam muito mais que sujar toda tua cara e apodrecer-te nas mais inexorveis das balanas, mas mesmo assim te guardo em meu seio como quem guarda a amante aps a chuva dos desejos e te desejo como quem vai dormir ao relento dos cobertores e te venero como a um sdito esconjurado, pois no te jogaria uma pedra porque no as tenho no corao. Mas te daria meu aconchego por poder sonhares teus erros e remedi-los com as meizinhas e ungentos que guardo ao bolso e te sentiria, no como um carrasco, mas como um filho sem seio na anci de amamentar.
Sou todos os teus brejos e imundcies
Sou eu que sofro com a tua agonia sabendo que ela no minha, mas a te me dou e guardo em meus cofres o teu segredo.
Guardo tuas praas, ruas, becos e memrias.
Guardo santificadamente todos os teus desvarios e todas as tuas relquias de bondade. E com amor todas as noites deito-me em teu corpo e ouo a voz de tua indignidade me falar sob as olheiras, o bafo da cachaa, o fumo, a tua ressaca, o teu pouco sol, a tua grande noite.
Eu tenho o teu desespero na carne e o teu desassossego no sono que me foge noite a noite na tua madrugada insidiosa, no teu crepsculo suicida.
Eu tenho em mim todos os teus dotes, inventario teu espolio como um deserdado, mas sempre guardando a tua marca em meu peito e te tenho e sou pouco.

Luiz Alberto Machado.

CANTADOR

Luiz Alberto Machado

A vida passa em cada passo do caminho
Vou passarinho professando a minha f
Vou bem cedinho pela estrada que se espalma
O Nordeste em minha alma
Nos catombos do trup
Vou Severino percorrer lgua tirana
Com toda aventura humana
No solado do meu p.

Sou cantador
E carrego no canto
Minha vida no manto
Que reveste o valor
Pra onde eu for
Eu me valha do encanto
Pra chegar em qualquer canto
Com a verdade do amor.

Vou com meu canto em cada canto lado a lado
Vou com cuidado afinando o meu gog
Sem ter espanto, todo s de luz armado
Tino aceso e aprumado
Evitando um quiproc.
Vou confiante, entre o cu e a terra, a ponte
No destino do horizonte
Vou bater at no sol.

Sou cantador
E carrego no canto
Minha vida no manto
Que reveste o valor
Pra onde eu for
Eu me valha do encanto
Pra chegar em qualquer canto
Com a verdade do amor.

Digo bem alto e minha crena toma abrigo
Sem ter asilo na redoma do mundo
Sigo o sermo no rumo a rota do estradeiro
Assuntando o paradeiro
Na melhor entonao.
Passo nos peitos a ficar comendo orvalho
Se cantar o meu trabalho
Deus me d toda cano.

Sou cantador
E carrego no canto
Minha vida no manto
Que reveste o valor
Pra onde eu for
Eu me valha do encanto
Pra chegar em qualquer canto
Com a verdade do amor.

Luiz Alberto Machado.

VIDA VIVA VERDE [CANTO VERDE]

Luiz Alberto Machado

Convem lembrar da vida pros olhos de todas as manhs.

Convm lembrar da terra dos ps de todas as cores, coisas, raas e crenas.

Convm lembrar de todos os ventos,
do rio de todos os peixes, todas as canoas, brejos, lagos e lagoas.

De todos os mares, oceanos e mars.

De todas as vrzeas, todos os campos,
todos os quintais de todas as frutas e infncias,
de todas as selvas dos bichos de todas as feras e mansas,
de todas as matas, de todas as flores e folhas,
de todas as aves, repteis e batrquios.

De tudo que brilha pra gente um outro sentido de vida.

Convm lembrar, acima de tudo, o direito de viver e deixar viver.

Luiz Alberto Machado.

Biografia
LUIZ ALBERTO MACHADO
escritor, compositor musical e radialista pernambucano, editor do Guia de Poesia do Projeto SobreSites. Possui formao em Letras e Direito, membro da Cooperativa da Msica de Alagoas - Comusa e escreve regularmente para jornais, revistas e alternativos alm de blogs, sites e portais da internet. J publicou 6 livros de poesias, 7 infantis, 2 de crnicas alm de ter vrios textos publicados em veculos impressos e virtuais do Brasil e do exterior. Atua na rea de literartura, msica e teatro com espetculos, palestras, oficinas e recreaes infantis. Est lanando o dvd do seu espetculo infantil 'Nitolino no Reino Encantado de Todas as Coisas', em breve. Parte do seu trabalho est reunido na sua home www.luizalbertomachado.com.br
Macei - Alagoas
LUIZ ALBERTO MACHADO -

lualma@terra.com.br

 

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