s
s
s
s
s
s
s

El contenido de esta página requiere una versión más reciente de Adobe Flash Player.

Obtener Adobe Flash Player

Aguinaldo de Bastos
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia

A SENZALA
Eis o casarão a que chamam senzala.
Janelas estreitas, aspecto sombrio,
quem mora lá dentro por certo não fala...
É quieto e tristonho o infeliz casario.
.
Paredes escuras, soturno telhado.
São largos e toscos seus feios portais.
Comentam que ali é um lugar habitado
por vultos estranhos que sofrem demais...
.
Canções langorosas, sentidas palavras,
à noite eles cantam enquanto uma dança
dançada com graça por jovens escravas,
distrai os que vivem sem ter esperança.
.
A música é triste, infeliz e marcante,
e cantam-na aqui quando dói a saudade
do bem que perderam na pátria distante,
oh Deus! o seu único bem! Liberdade!...
.
Casa Branca, 1951.

A TRAVESSIA DO TUMBEIRO
.
\'Era um sonho dantesco... O tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho,
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar do açoite...
Legião de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...
.
Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras, moças ... mas nuas, espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs.
.
E ri-se a orquestra, irônica, estridente....
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais....
Se o velho arqueja... se no chão resvala,
Ouvem-se gritos... o chicote estala,
E voam mais e mais...\'

[Castro Alves, \'O navio negreiro\']
.
- I -
.
Gemendo saudades da terra distante,
o negro, atirado ao porão do tumbeiro,
só sente no peito a chibata cortante,
rasgando-lhe as carnes de altivo guerreiro.
.
De algemas nos punhos, correntes nos pés,
padece calado um rosário de mágoas,
enquanto uma onda, varrendo o convés,
arrasta o negreiro no verde das águas.
.
O oceano escurece, e ao silêncio da noite
Só se ouvem gemidos, que vão repetindo,
Ao frouxo e cantante estalar de um açoite,
A voz das correntes no chão retinindo.
.
O corpo cansado do negro estertora.
O banzo o acabrunha, a saudade o maltrata.
E a alma, em delírio, do escravo que chora,
A febre enlouquece e a loucura arrebata.
.
É noite... No mar não há luz... As estrelas
Do céu se esconderam nas nuvens velozes.
A lua não veio, nem trouxe as centelhas
Às velas hediondas dos homens algozes.
.
Ribomba o trovão e no oceano põe medos!
O raio, cortando a amplidão tumultuosa,
Clareia o veleiro, e arrebenta os rochedos!
D\'orquestra do mar, a canção tempestuosa!
.
À tona das águas, fazei espirais!
Lançai para o fundo esta nave, este horror!
E, em fúria incessante, zuni, vendavais!
Fazei destas ondas espectros de dor!
.
Enquanto a violência das águas invade
Os mastros esguios, com fúria de bravo,
Há dentro do negro também tempestade,
Há chuva de pranto nos olhos do escravo.

- II -

A aurora desponta, com seus esplendores,
Trazendo as belezas do sol a brilhar
Com raios divinos de múltiplas cores,
Que correm nas ondas serenas do mar.
.
Um bando de folhas e pétalas erra,
Por cima das águas, tão simples ao léu,
Dizendo estar perto, e bem perto, uma terra.
O mesmo anunciam as aves no céu.

III

Eis bela e florida uma terra de brancos,
Mulatos, mestiços, tupis, portugueses,
E negros também, de sorrisos tão francos,
Que causam inveja na gente por vezes.
.
O cheiro das matas, o céu cor de anil,
A terra em que sempre há de ser primavera,
O rio, a montanha, tudo isto é Brasil,
A terra de sol das manhãs de quimera!
.
Ó pretos noviços, que agora chegais,
De terra longínqua, de terra distante,
Os frutos de lá não tereis nunca mais!
Haveis de sofrer nesta terra gigante!
.
Vergonha infamante, injustiça tremenda!
Quem foi que instituiu estas feiras humanas?
Um homem vendido? Sua alma, uma prenda?
Não foi Barrabás, eu bem sei, não me enganas!
.
Leilão! - \'Cem mil réis pelo negro mais forte!\'
E tu, meu Brasil, não te pejas com isto?
Mil vezes, mil vezes, as garras da morte,
Com que não veria o que agora eu hei visto!
.
Feridos na alma e no corpo febril,
Que sorte tereis, e que vida, meu Deus!?
Ó negros! oh não! não é este o Brasil
Que tem uma cruz no mais belo dos céus!...

.Casa Branca, SP, agosto/1950
.
\'TUMBEIRO\' - \'Navio negreiro, em geral de pequeno porte [200 toneladas, ou menos, de deslocamento], que fazia o tráfico para o Brasil em condições tão precárias que grande parte da carga [30 a 40%] morria durante a viagem. \'[*Aurélio Século XXI ]



MERCADO DE ESCRAVOS
.
\'Quem são estes desgraçados,
Que não encontram em vós,
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?
Quem são?....Se a estrela se cala,
Se a vaga à pressa resvala
Como um cúmplice fugaz,
Perante a noite confusa...
Dize-o tu, severa musa,
Musa libérrima, audaz!
.
São os filhos do deserto
Onde a terra esposa a luz.
Onde voa em campo aberto
A tribo dos homens nus...
São os guerreiros ousados,
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão...
Homens simples, fortes, bravos...
Hoje míseros escravos
Sem ar, sem luz, sem razão...
.
São mulheres desgraçadas
Como Agar o foi também,
Que sedentas, alquebradas,
De longe.... bem longe vêm...
Trazendo com tíbios passos,
Filhos e algemas nos braços,
N\'alma - lágrimas e fel.
Como Agar sofrendo tanto
Que nem o leite do pranto
Tem que dar para Ismael..\'.
.
[Castro Alves, \'O Navio Negreiro\']

I

Ninguém saberá o que o negro sentiu
ao ver-se, afinal, nesta terra bendita,
a terra do índio valente, bravio,
que verga a palmeira com força inaudita.
.
As noites daqui lembram bem sua terra
coberta de beijos, de beijos de prata
que descem da lua escondida na serra
aos troncos que dormem no seio da mata.
.
À pobre criança dormindo na rede,
que a mãe carinhosa cantando cantigas
embala sorrindo, a fitar a parede
batida de barro, trançada de vigas.
.
O negro se lembra, quando era menino
corria na selva, nadava nos rios
e, ao sol africano de raios a pino,
remava nas ondas de mares bravios.
.
Gostava do rio, do mar, da jangada,
sentia-se livre como ave no espaço,
feliz, sem algemas, sem peias, sem nada
que fosse capaz de tolher o seu passo.

II

Os beijos de prata que vinham da serra
um dia tornaram-se beijos de sangue!
O negro lutou como um tigre, era a guerra,
mas preso e vencido o levaram exangue.
.
Oh Deus! Melhor fora tivesse morrido
na luta em que todo o seu povo foi morto
mas nunca, jamais, ser por homens vencido
e a vis traficantes entregue num porto.

Casa Branca, 1951.

UMA LUA, DUAS LUAS, MUITAS LUAS
.
Uma lua cor de cinza
flutua no céu escuro
.
Uma lua
duas luas
muitas luas
milhões de luas
eu vejo
quando fecho os olhos
e beijo
a boca de quem
me quer bem
.
Ah quem não tem
com quem
viver bem
não vê
nem crê
que existem luas,
uma
duas
muitas luas
que brilham
e rebrilham
no céu interior
de quem tem um amor
.
Não vê nem a lua
que passa
e flutua
cheia de graça
no céu de todo dia
com aquela fantasia
que o poeta lhe sabe dar
quando principia
a amar alguém
que também
lhe quer bem
.
Ah quem não tem
com quem viver bem
não vê
nem crê
que existem luas
uma
duas
muitas luas
que brilham
e rebrilham
no céu interior
de quem tem um amor
.
Uma lua cor de cinza
flutua no céu escuro

Casa Branca, 1952.

Biografia
AGUINALDO DE BASTOS
, nascido em Mococa/SP, em 05 de janeiro de 1932, criado na cidade de Caconde.
Cursou ginasial iniciado em Casa Branca e concluído em Caconde.
Cursou colegial [científico] iniciado em São Paulo [Colégio Presidente Roosevelt] em 1950 e concluído em Casa Branca em 1952.
Cursou Direito na Faculdade de Direito da USP - Largo São Francisco - concluído em 1957.
Em Casa Branca publicou um livro de versos intitulado \'Sabá\', com a tiragem de 2.000 exemplares.
Foi o Orador da sua Turma na Faculdade de Direito.
Assessor Jurídico da Câmara Municipal de Jundiaí nomeado por concurso de títulos e provas. Aposentou-se após 25 anos de serviços prestados.
Em Jundiaí foi Presidente da Comissão Municipal do Mobral durante 07 anos. Durante a sua gestão veio a Jundiaí o Presidente Médici paraninfar a turma de 5.000 alunos.
Ex-Membro da Diretoria do SOS de Jundiaí.
Foi Presidente do Lar Beneficente Anália Franco durante 04 anos. Na sua gestão foi construída e inaugurada a nova sede no Anhangabaú.
Foi Presidente da APAE de Jundiaí.
Recebeu o título de Cidadão Jundiaiense e de Várzea Paulista. Campo Limpo Paulista concedeu o título de cidadão, mas não lhe entregou essa honraria.
Pelo Prefeito de Jundiaí Walmor Barbosa Martins lhe foi concedida a medalha do Mérito Municipal.
Em 2006 publicou dois livros de poemas, \'Ouvindo Estrelas\' e o \'O Náufrago Negro\' em Jundiaí no dia 11 de dezembro, ilustrados pelo pintor INOS CORRADIN.
Em 28 de abril de 2008 lançou um novo livro intitulado \'O Elo Perdido\', no Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, e a 3ª Edição dos livros lançados em Jundiaí.
Em maio de 2009 lançou em Padova/Itália, a edição Petrarca [em italiano] dos livros \'O Náufrago Negro\' e \'Ouvindo Estrelas\', intitulados \'Il Naufrago Negro\' e \'Ascoltando Le Stelle\', e também \'O Elo Perdido\', vertido para o italiano, que recebeu o nome de \'L\'anello Perduto\', juntamente, com a exposição de Inos Corradin.
Em março de 2010 lançou, na França, no 30o salão do Livro de Paris, a edição francesa do livro \'O Náufrago Negro\', traduzido pelos poetas franceses Marc Galan e Athanase Vantchev de Thracy, publicado pela editora francesa Yvelinédition.
Em maio de 2010 lançou em Monselice/Itália, a edição Petrarca [em italiano] dos livros \'O Náufrago Negro\' e \'Ouvindo Estrelas\', intitulados \'Il Naufrago Negro\' e \'Ascoltando Le Stelle\', e também \'O Elo Perdido\', vertido para o italiano, que recebeu o nome de \'L\'anello Perduto\', juntamente, com a exposição de Inos Corradin.
Em junho de 2010 foi laureado pela Academia Francesa de Artes, Ciências e Letras [Académie de Arts, Sciences et Lettres], fundada em 1915, coroada pela Academia Francesa com a Medaille D\'Argent por seus relevantes serviços prestados à cultura.
Estará lançando na 21ª Bienal do Livro de São Paulo [12 a 22 de agosto/10] os seguintes títulos: Edição Petrarca [em italiano] dos livros \'O Náufrago Negro\' e \'Ouvindo Estrelas\', intitulados \'Il Naufrago Negro\' e \'Ascoltando Le Stelle\'; \'O Elo Perdido\', vertido para o italiano, que recebeu o nome de \'L\'anello Perduto\'; a versão francesa do livro \'O Naufrago Negro\', e, a \'Ontologia da Violência: o enigma da crueldade\'.
Era casado com a Professora de Física YOLANDA FRANCO DE BASTOS, falecida em 2007. Três filhos, Anadalva [falecida em 1995], Aguinaldo Anselmo, residente na Holanda, e Yolanda, residente em São Paulo. Duas netas, Estrela Maria e Isabella.
Lecionou na Faculdade de Direito \'Padre Anchieta\', em Jundiaí, durante alguns anos, na cadeira de Direito Constitucional. É advogado militante em Jundiaí, desde 1962. Iniciou a sua advocacia em São Paulo, com dois colegas, Washington Novaes [hoje colunista do Estado de São Paulo] e Corintho Baldoíno da Costa Junior, que era Vereador em São Paulo.
Para 2011 têm os seguintes projetos: verter todos os seus livros para a língua espanhola, para lançá-los em todos os países de língua latina, incluindo os EUA; verter para o francês os livros \'Ouvindo Estrelas\', \'O Elo Perdido\' e \'Ontologia da Violência: o enigma da crueldade\' para lançá-los no 31o Salão do Livro de Paris/França.
Aguinaldo de Bastos, \'o Poeta da Igualdade\', como foi intitulado, continua seguindo com sua Cruzada pelo Dia Mundial da Igualdade, levando sua causa para todos os lugares por onde tem passado, em especialmente a criança e o adolescente, não envenenados pela sociedade selvagem, em que só se salva quem puder. Sua palavra de ordem é: \'Vamos deixar um mundo melhor e mais igualitário para os que estão chegando!.\'
Mais detalhes sobre sua trajetória acesse ao site www.aguinaldodebastos.com.br


Jundiaí - SP
Aguinaldo de Bastos


agbastos@mac.com

http://aguinaldodebastos.com.br/

 

Desarrollado por: Asesorias Web
s
s
s
s
s
s
s