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Fernando Naxcimento
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia
Para a mulher amada

Mulher, te amo,
e nem sei bem porqu.
Me confundo quando te assanhas,
e ento, falham sempre
meus artifcios e artimanhas
para mais te aprender.

No ser tua beleza,
nem tanto o teu jeito de ser
e ficar me olhando
co'os olhos oblquos, parados,
quando estamos a ss,
perdidos pro mundo,
trmulos e apaixonados.

Tua cabea lcida... no,
nem a suave incerteza que me passas,
e que traduz o nosso dia-a-dia.
Talvez, quem sabe, a cartesiana harmonia
dos mesmos olhos em mim fixos
ou de teus arroubos prolixos
quando discursas sobre as artes
e a v filosofia.

Teu corpo... quem sabe?
justo que tambm por ele te ame,
pois que nele sempre
me acabo exaurido;

porm, me atrai sobretudo
em ti tua inocncia bruta
de menina moleque e a perigo;
teus cimes e a contida impacincia,
e at o cruel desdm que me impinges,
quando s vezes finges brigar comigo.

Me pergunto porqu te amo assim...
mas desisto. Enfim, desanimo,
e j nem mais sei o que definir.
Te amo apenas, to urgente
e de um modo tal, que me
machuca e envenena,

mas que traz em si,
pequena, o antdoto
e a cura final.

Enluarada

No provisrio encontro contigo, moa,
que mansa e sem compromisso me apareceu
[como o deslizar das nuvens no cu, e das estrelas],
com pequenina voz e o sorriso discreto,
quase forado, um sorrir delicado de gueixa,

volta sutil em mim a emoo antiga
de uma quantidade pouco conhecida,
ou desconhecida, fora
do plano comum do meu dia-a-dia -

quantidade
que relutantemente te indefine,
no nega nem afirma,
nem se vangloria ou se queixa
[e que me modifica, transforma,
corrompe e delicia].

Mulher... Contudo, no meu corao abalado
assumes a imagem mgica de criana, de menina,
quando te entregas, iluminada e repentina,
porm to raras vezes! -
menina indecisa, mas no desamparada;
fugidia garota, que concede,
sim, mas no deixa...

[Sabes?
Teu mapa desvenda p'ra mim regies semi-ocultas,
de selvagens e intocadas florestas,
teu mapa me comove e maravilha...]

***

Conversamos... Tentas me explicar
com mincias tua vida. Entretanto,
fico vencido por tua beleza,
a mente fica perdida,
me afundo no doce encanto,
e no entendo bem teu significado...

Na incerteza que me invade,
nos negaceios das tuas falas,
o mundo p'ra mim fica parado,
remoto e sem ao,

e ento nada mais me importa,
alm de ser querido por ti.

V ento, menina noturna,
porque te no descubro:
que agora palavras so demais, e contigo
meu idioma sempre mudo de letras,
e pleno de emoo...

V, que o gesto meu antigo
de te tomar nos braos diz tudo,
e que mais aprendo no tremer
do canto do teu lbio
do que em mil frases,

tu, que me desequilibras
com esse olhar sonhador e curioso...

[Fica sabendo, menina,
que mais me instiga o modo dengoso
com que dizes teus nos quase talvez -
por sussurros e gemidos, quando falas
co'as pontas dos dedos,
se te peo coisas de loucura,
coisas proibidas...]

Mas olho p'ra lua, e sinto que a vida bela,
e enfim flui vitoriosa novamente...

Sabes? Sou bruxo, sou vidente,
e pra mim s uma flor,
uma rosa amarela...

Sou o observador intransparente da mgica paisagem,
e por isso sempre repouso meus olhos no teu rosto.
Quero mais te conhecer, minha mulher-menina,
correr teus labirintos, penetrar
teus mais profundos segredos, tua raiz.

Mas desanimo por te traduzir to mal,
pela tentativa infeliz
e fracassada de te saber mais,
por te estudar assim em vo.

Apenas te comparo, e me desminto;
perco a paz,
revejo e repasso tudo,
e enfim me percebo,
me percebo at demais.

E silencio, entre orgulhoso e humilde,
quando olhas p'ra lua no celeste anfiteatro
[palco invertido, pleno de coadjuvantes estrelas]...

Deixo de lado minhas falas, as belas
palavras que sairiam confusas da minha boca,
e te falo co'o corao,
e me apego ltima tentativa de te entender,
nica certeza absoluta minha
em nosso cenrio e encenao:

Te amo muito... E me s essencial, menina,
assim como a lua, no escuro debruada,
o p'ros loucos e p'ros apaixonados. Como a lua,
que nos espreita e ilumina
quando noitinha passeamos na rua,
desrumados, distrados, sem direo...

Meus olhos sempre em ti,
minha mo na tua,
menina-moa feita de discreta luz
e contida emoo.

______________________

Via Lctea

Sempre que vejo a lua
vejo uma lua descaroada
por mil olhares parelhos
de outros mais sonhadores.

Lembro ento de tuas ndegas
[ou mas do rosto, ou joelhos]

Fico co'o pescoo duro, meu bem,
mas no paro de olhar...
[Lembro enfim dos teus seios,
luas gmeas, nicas,
quase minhas]

Sempre que vejo a lua
o ar fica mgico co'a tua presena.
Ergo os olhos pro cu
estou na rua,
na madrugada...

Nada importa ento, nada:
no escuto os conselhos
e nem sigo as regras
de poetas outros como eu,
bissextos,
que divagam em outros sonhos,
outros pensares.

E nem me comove a sorte madrasta
[deles, poetas]
se proclamam aos quatro ventos
com voz lmpida, resoluta, forte

a derrota da morte, e
a cura de todos os males
[os prprios, e os da humanidade]
co'a farmcia da paz, da cano, e do amor...

Pois tudo isso pr mim fica vazio, sem cor,
sem sentido, sem vida,
se no ests aqui, comigo, querida.
Bate ento uma tristeza imensa,
uma saudade...

Mas quando olho mais pr'alm, l pr'o infinito
as dores minhas se vo pra outros ares, e
me invade aquela ternura antiga,

pacfica e contida,
autista, louca e solitria...

E quando enfim meus olhos alunecem
que j quase tenho a ti;
finjo que sou teu astro-rei
e que s meu satlite.

Na minha cabea aloucada
te tomo nos braos, nua,
e resplandeo s pra ti, moa celeste.

Ento te possuo com nsia,
com fome libertria,
e me orvalho contigo no meio da rua.

[Sou agora teu valente escudeiro,
teu guardio, o dono da rosa.]

E tudo some no meio
da tua nuvem de algodo,
macia, doce, cristalina, cheirosa...

E as casas da rua somem,
E a rua se vai num turbilho... As vozes
j apenas sussurram, emudecem,
e o tempo pra.
Os poetas da noite e suas musas se vo,
e a vida inteira fica suspensa
no brilho dos teus olhos
emocionados.

Deito ento teu corpo no ter frio, no ar,
na Via-Lctea, e brilho s pra voc,
menina mgica dos meus sonhos,
minha pequena moa lunar...

biografia:
Fernando Naxcimento


Na Arte, fao de tudo um pouco: desenho, pinto, fao cermica. Cometo minhas poesias e contos. Sou tradutor de artigos cientficos e livros da rea mdica. Fiz algumas exposies de cermica e desenhos no Rio de Janeiro, Niteri, Bzios, Rio das Ostras e So Paulo. Um livro publicado [em co-autoria]: 'O Ensino de Primeiro Grau'. Poesias publicadas isoladamente em vrios jornais alternativos do Rio de Janeiro, Niteri, So Paulo, Campinas, Bzios. Artigos em jornais daqui de Bzios, onde moro. Formado em Pedagogia da Arte e em Medicina Veterinria [por isso, dei muita aula de Educao Artstica, sobretudo Cermica, e trabalhei bastante como veterinrio de campo]. Ex-professor universitrio - na cadeira de Composio II de Arte na Faculdade de Arte do Centro Educacional de Niteri, e de Bioqumica e Fisiologia em algumas Faculdades do Rio de Janeiro. Mestrado [ainda no defendido] de Patologia Experimental pelo Departamento de Patologia Clnica do Hospital Universitrio Antnio Pedro - Niteri / Faculdade de Medicina de Ribeiro Preto - Universidade de So Paulo. Vivo aqui no paraso de Bzios h 12 anos... na Praia Rasa. Rubronegro doente. Amo o Rock Clssico. E o Carnaval. Um enorme orgulho profissional: ter sido Diretor Carnavalesco da Escola de Samba Combinados do Amor, a gloriosa agremiao do bairro do Caramujo, em Niteri... Meu bloco carnavalesco para sempre: 'Filhos da Pauta', tambm de Niteri. Meu projeto atual: estou envolvido na edio de meus contos e poesias em forma de e-book [antes da edio em papel...] e numa exposio de desenhos e guaches a ser realizada em breve no Rio de Janeiro e, aproveitando o embalo, em outra, c em Bzios, s de esculturas de barro. Hoje em dia, perteno ao Conselho Editorial e escrevo de vez em quando no Jornal Primeira Hora, nico dirio de Bzios. Fui diplomado Cidado Buziano, o que muito me honra. Sou membro imortal da Academia de Letras e artes Buziana. E, vez por outra, vou conversar um pouco sobre cultura e otras cositas ms no programa Bom Dia Bzios, na rdio Bzios-Cabo Frio AM1530. Frase para me definir: odeio incondicionalmente qualquer tipo de preconceito. Adoro minha praia Rasa, onde vivo, sou da noite, sou festeiro, e meu Tringulo das Bermudas o eixo Rio - Niteri - Bzios. Meu maior vcio conversar [sempre! muito!...] com as pessoas - jogar conversa fora, filosofar, falar sobre cultura, rir... Objetivo maior: viver o momento presente, todos os momentos da minha vida. Profisso de f: amizade acima de tudo!

axaxaxas@terra.com.br

 

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