s
s
s
s
s
s

El contenido de esta página requiere una versión más reciente de Adobe Flash Player.

Obtener Adobe Flash Player

Paulo Csar Lacerda de Oliveira
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia
As guas continuam movendo moinhos.

No me digam para onde devo ir,
eu sempre vou para onde devo ir.
No apontem meu queixo,
eu aponto meu queixo para onde achar que devo,
porque aprendi a curvar a cerviz diante do sbio,
mas no diante do tirano nem do sinh....

Eu no ando em garupas porque a dor
me ensinou a controlar as rdeas da minha vida
e o vento csmico me mostrou o norte
eterno do meu viver.

Quem quiser me dominar,
que habite os circos romanos,
durma nos calabouos midos
dos Czares ou se acorrente nos pores ftidos
dos navios negreiros.

Os lees j no me assustam, eu os domei.
As pedras do calabouo foram
pulverizadas pelos sculos e a
chibata no me di porque aprendi
a no chorar diante da vida, amando as pessoas
e os sublimes.

No tentem me matar porque j morri tantas vezes
que fiquei amigo da morte.
Eu posso e fao o que quero
porque aprendi a me atirar abismo abaixo.

Venha, aprenda a viver a existncia
dos gros de trigo dos Faras que
germinam apesar dos sculos.
Hoje minha vez de rebrotar e fazer
sombra para meu povo. Vou passar.
Ganga Zumba vive!

Paulo Lacerda
13/08/2007.


OPERARIO EM DESCONSTRUO.

25 anos? Talvez. Uniforme completo.
Verde bandeira, esperana ou musgo?
Eles no voltam , nem o verde nem a esperana,
S o musgo que brota dos tmulos.
Corpo estendido na estrada, fio comprido,
olhos para o cu.
Fechados o cu ou os olhos?
Sangue vermelho e ainda mido
Unindo cervical e asfalto.
Nas mos vales transportes ora vencidos.
Nos bolsos, salrios irnicos.
Na conscincia do atropelador, vazio.
Na boneca sem braos e esfarrapada, tesouro mantido.
Na boca, ansiedade e bico;
Mame, papai t demorando hoje...!???

Paulo Lacerda
07/06/2006.


O Amor

No mundo da energia coagulada muito difcil amar o amor difano dos que vieram para testemunhar.
No quero ser considerado inexistente ou desprezvel.
Vim para ser incorporado em suas vidas,
participar dos cafs das manhs,
dos bolsos vazios dos pais sem razo e sem causa,
da cumplicidade dos meninos
e da fagueirice das meninas,
do aroma do verde das manhs das auroras ignoradas,
do amanhecer de tempos passados.
Vim agasalhar a chuva,
abrandar os coraes dos relmpagos,
vim cantar para que as sementes germinem
e assoprar as velas dos barcos que chegam porque um dia partiram.
Quero adormecer nos leitos de pedras dos crceres,
chorar filhos perdidos
e abraar filhas que voltam prenhas.
Quero afagar as noites de lua e assoprar as estrelas,
quero estar junto da vida e viver nas carnes dos corpos.
Quero sorrir nos olhos das crianas que dormem sem sol.
Eu existo, olhem para mim, eu estou dentro de vocs.
Eu sou o silncio dos justos,
a cantiga nos lbios das brisas,
a resignao das pedras do vale,
a lgrima que rola por vocs na ladeira ngreme da ingratido.
Eu sou o amor! Eu amo vocs.

Biografia
Paulo Csar Lacerda de Oliveira.


Cidade: Contagem - M. Gerais.





1961 9 anos. Freqentador assduo das matins de domingo, 14 horas, ingresso pago com o dinheiro da venda semanal de jornais velhos, prestao de servio carregando lenha da rua para o depsito ou com algum ganho de meu pai, num gesto de boa vontade ou quem sabe aps um exaustivo trabalho de convencimento dirigido sensibilidade de minha me, acompanhado de promessas firmes de cuidar melhor [futuramente] do Marcinho, o pequenininho.

Qualquer outro caminho servia da chantagem emocional ameaa de choro desenfreado, perturbador. O que importava era no perder a exibio naquele domingo do seriado do Zorro, heri para todas as dificuldades, soluo para todos os problemas. A mscara negra e excitante me ajudava na aproximao da namorada que insistia em ignorar meus dotes masculinos; a capa mstica me ajudava a escapar voando da fria paterna diante do boletim do colgio com notas inenarrveis; com a espada gil eu marcava com a letra Z a testa de meus adversrios; o cavalo fogoso me carregava galopando para a cama em escapada das investidas maternas pouco amistosas, quando prestes a descobrir meus pensamentos libidinosos para com nossa empregada.

Do cavalo eu desisti porque me convenceram de que eu no teria pasto para aliment-lo, a empregada escapou de meus olhares e resolveu ter filhos com outro, a capa se fez intil porque a realidade me cravou no cho, a mscara eu ainda usei durante muito tempo, embora tenha deixado de ser negra, desbotou at ficar transparente lavada pelas lgrimas da saudade, a espada se fez necessria e tentei materializa-la pelas mos de meu pai, que numa tentativa de se ver livre de meus petitrios, fez uma para mim em madeira. Coisa horrvel, muito longe daquela perfeio que usava para marcar com Z as testas dos meus adversrios.

A grosseria do tal instrumento ficou marcada de maneira indelvel em minha memria, e num chamamento continuado para a busca de melhoria. Na busca, faltaram madeira, ferramental e meios adequados; assim, aos treze anos, consegui apenas construir dois punhais de madeira com sobras de um espaldar de cadeira que achei no lixo. Peas toscas que existem at hoje, com minhas primas, que foram as primeiras a acreditar que eu poderia construir alguma coisa.

Sem que eu tivesse percebido, por falta de dinheiro para comprar madeira nova e impulsionado pelo espectro da espada grotesca feita por meu pai, eu havia despertado para a iniciativa de construir objetos em madeira reutilizada. Ali estava uma das lies que me aguardavam ao longo de toda a minha vida; as conquistas so filhas legtimas da dor.

Segui minha vida materializando os objetos que povoavam meu imaginrio, entre uma nota baixa e outra, entre uma mudana de casa e outra entre um momento de solido e outro.

Chegada a necessidade de trabalhar, fui posto fora de minhas construes sem me dar conta de que a dor da separao me preparava para o progresso, trocando o meio em que eu vivia. Ainda assim, entre uma atividade profissional e outra segui construindo, ainda que peas rudimentares, mas j bem melhores do que a espada tosca feita por meu pai.

O acinte de ver pessoas copiando meus trabalhos e se apropriando de minhas idias me levou a desenvolver uma tcnica prpria que frustrava as pretenses dos copistas de planto, defensores da idia do prato feito, sem criatividade e sem terem visto a espada tosca feita por meu pai.

Com o desenvolver a da tcnica, eu j vislumbrava a possibilidade de reconstruir seres sutis como as flores, seria possvel?... e eu seria capaz?...

Sim, foi possvel. Depois de aproximadamente dez anos de pesquisas, a esto as flores esculpidas em madeira reutilizada. Os copistas ficaram estacionados na tarefa primria de copiar idias e se esqueceram de produzi-las. No copiaram as flores-esculturas ou por no terem desenvolvido tcnica alguma ou por no terem ainda desenvolvidas as flores em seus coraes.

Que as flores-pensamentos que povoam meus campos mentais continuem sendo materializadas por minas mos e possam vir a povoar os sonhos de vocs, materializando-se em gestos de ternura e afeto para com seus familiares, vizinhos e todos os nossos irmos csmicos, sendo este um dos caminhos do processo evolutivo permanente da fraternidade universal, caminho nascido em 1961, na espada tosca construda por meu pai.

Obrigado pai, esteja onde estiver.

Hoje posso libertar meu cavalo, deixar as empregadas escolherem com quem querem ter seus filhos, o tempo tirou minha mscara e marco meus adversrios no corao, com as flores do entendimento.

Contagem 01 de Fevereiro 2010.

Email:
paulolacerdaartes1@yahoo.com.br

 

Desarrollado por: Asesorias Web
s
s
s
s
s
s