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Ana Lucia Andrade Merij
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia

O PESO DO NADA -



descobri que sou parca de fé.

minhas preces desconhecem o caminho do céu, guardo um travo na língua quando rogo misericórdias.

descobri que os milagres só acontecem na casa do vizinho.

carrego os vazios do mundo, a fome dos desesperados como uma facada no meio do peito.

a rigidez da morte carrego cravada em minhas retinas, porque é assim mesmo, algumas realidades mancham nossos olhares como borrão.

as cores que existem não me encantam mais.

na poltrona da sala,um corpo invisível roga clemência, enquanto segura dores e engole antepassados silêncios. seus dias definham por asfixia selvagem.

na secura do tempo suas mãos atadas ao nada, os olhos vendados no medo.

impotente, ainda respiro o ar possível no descortinar dessa manhã ventando nas janelas, mas nada disso me conforta, apenas mastigo a dor junto aos insetos assassinados pela noite no meu terraço.

o dia me dói nas vértebras, na carne, nos pulmões.

no estômago o inatingível oco, vindo da certeza dessa vida fugaz, desse sopro sem chão, onde tudo se esgarça.

o cheiro da morte se espalha pelos corredores, pelos vãos da porta, pelos livros assustados na estante, e se agarra nas fendas e margens da casa: - cheiro que arde, de qual nenhum esconderijo é refúgio.

tudo já é ausência, no quarto, nas taças de cristal, no cálice de licor, na tez a me fitar em seu instante derradeiro.

esse peso não cabe no poema, talvez entre o preto e o branco, talvez no miolo de coisa nenhuma.

quando partem, todos os corpos viram horizontes?



nanamerij

13/10/2009


fragmentos

nada sei da palavra e suas ágoras
menos do pairar da fé por abóbadas de concreto

conheço sim a profundeza abissal da dor
aquela que brota em todas as páginas dos vazios
quando a última alegria pela casa ainda perfuma

conheço da solidão esculpida pelo cinzel do grito
que jorra lenta sobre os dias e escorre das veias
no eco perpétuo de todos os sentidos

colho-as no madrugar das tocaias do tempo
por isso escrevo lágrimas :- não poemas

nAnamerij

O QUE CALO SANGRA

a mudez dos livros sobre a estante, os pecados encravados nas paredes, os retratos pálidos de omissão afogam segredos do que já não é...
os silêncios varrem minhas verdades para debaixo dos tapetes.
no suado do medo todas as memórias abrem suas gargantas a me devorar, enquanto a alegria da vida lá fora, me fere no corpo, na alma, nos pulmões.
calo e sangro!
a casa também emudece enquanto a sozinhez lança dardos pelos cantos, e transita pelos vãos sem me olhar, sem falar, sem me ouvir.
é cega, muda e surda esta sozinhez que me ocupa, cicatriz definitiva nos sonhos, na voz, na espinha.
calo minha raiva, engulo a ira, amarro o grito.
lá fora o dia feliz gargalha enquanto sangro nas agonias que me habitam.
sozinhez é dor escarlate e ferina.
nem deus me aninha!

nanamerij


memórias reveladas

não cantarei as toadas de minha infância, menos direi das ruas de minha aldeia, para que não saibas de uma vida miúda, escrita nas pedras, nos riachos, nas mãos de minha avó descascando batatas enquanto recitava os mistérios gozosos do rosário de maria.

não direi das preces de minha mãe, benzendo a casa quando tocavam os sinos.

do chaveiro de meu pai, acordando as madrugadas para os caminhos da lida, também nada direi.

apenas vou passarinhar palavras pelos terrenos baldios da poesia, porque diferente de drumonnd, sequer um retrato na parede ficou da minha aldeia, e nenhum anjo, ainda que torto, me apareceu para dar destinos de vida.

direi somente na página em branco o que de lá restou em mim:

-as sobras daquele solo pisado, da terra vermelha e seca, onde só os cactos resistiram;

-a mulher-negra descalça, mendigando pão, apinhada de meninos barrigudos e maltrapilhos, sentada na esquina, com uma lata velha-vazia;

-o velho recostado no banco a vasculhar lugar nenhum, olhando para dentro dos avessos do que nunca foi;

- o roxo do altar, guardando quaresmas, de uma ínfima igrejinha;

-o ferimento das tardes, rasgadas pelo afiado punhal do tempo com preguiça de existir, aonde nem mesmo chegava a geografia;

- o apito do trem, decepando homens entre suas rodas e trilhos;

- a pele do serrado, o canto agreste afinado no estrume e nas patas dos cavalos, acordando o povo, para morrer mais um dia;

de minha aldeia sobrou em mim a inspiração ou a loucura, como uma lápide que cobre o que resta de lá, e esse jeito de querer ser um poema sem qualquer obrigação de definir absolutamente nada.

nAnamerij

21/10/2009




Biografia

Ana Lucia Andrade Merij,
codinome nanamerij, mineira, natural de Recreio-MG, membro fundador do IARJ- INSTITUTO DE ADMINISTRAÇAO DO RIO DE JANEIRO,professora universitária, administradora hospitalar-com especialização em Gestão de Negócios e Planejamento Estratégico.

Atualmente residindo em Juiz de Fora em MG, trabalhando no Rio de Janeiro na Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá, a maior Universidade Brasileira com mais de 150.000 alunos no Brasil.

nana@virtualtelecom.com.br

 

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