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ALBENIZ CLAYTON Brando Dias - IZAK DAS ROSAS -
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia

ENXURRADA

Chovia
mais um dos teus choros da manhã
a regar os crisâtemos que sonhei
e as crises de...
Michael Jackson no rádio, na cozinha
e eu a assistir as transparências
na janela, mais uma vez
um estampado de lágrimas
aqui dentro uma goteira de soluços
inundando a nossa casa
eu feito o deserto desejando a chuva
opostos
vindo dos seus olhos
tão perto, tão longe
a música ecoando pela casa
minha sêca de palavras
teus murmúrios com a voz do rei do pop
e eu a varrer desertos
nesta nossa cama fria
e você indo, ia
se preparando para mais uma manhã
sem alegria
os seus olhos boiando
naquele mar de ondas de lágrimas
o brilho do seu batom que resiste à tudo
e o seu beijo vermelho que não virá
você a desfilar pelas transparências
dos meu olhos sêcos
úmida
abraça a sua bolsa, só ela
e sai
enquanto eu desempregado
na cama ainda
fora deste ritual matinal
suportamos mais um dia
o que fazer da casa, do casamento
desta enxurrada
o que fazer com este dia

IPANEMA EM PARIS

Impressão em branco e negro
primeiro o corpo
o único visível aquém da alma
e a sedução dos ícones
terrivelmente belos
uma aventura que te interdita
do outro lado da realidade
do espelho
no forum das imagens

\'Les Halles”
A primeira vez que vi os primeiros narcisos da primavera
os homens nus das revistas do Marais
com a exibição quase gratuita do sexo deles
enormes torsos, membros
brancos e negros
3.95 €
cores laranja, carne, “noir et blanc” num “marche”
Chupa, vê
toca, folheia a superfície lisa
engole o desejo áspero
Aspiro um vestido de noiva novo
sem temperatura, virgem
anúncio de uma união européia
máxima do dia:
homem casa com homem
“c’est possible”
Mínima degustação do olho, possível
na Fundação Cartier
Alair Gomes, nosso fotógrafo de Ipanema
para todo parisino vêr
tão homo, tão epistemologicamente...
“voyer” empedernido, sensível
dos meninos do Rio
de bundas tão cabeludas
tais imagens contemporâneas
te permitem vêr o interrompido
escandalizam puritanos, beatas, mas
Parisinos, não
Como em “flash”
ejaculado
um conjunto de músculos côncavos
aqui, depois de Ipanema
apelativos sujeitos dos desejos
e seus efeitos
transpiram
Dignidade estética
propaganda dos pagãs deuses
de carne e de osso e de sangue e de vêias
quase perfeito
belíssimo conjunto de órgãos
humanos corpos
fotografia
resistência ao tempo
que um dia nos tomará tudo
Até os dentes, ossos, fotos
amarelando-se
os meus, os deles, os nossos
para o deleite do paladar dos vermes
da terra sempre fecunda, aberta, húmida
de onde nascem e morrem
os tais narcisos
Thalamus
a libido habita lá
quando se vê, logo existe
e na TV
uma cena hipersofisticada
de uma atriz chinesa
a masturbar-se
[Cinema Novo de Hong Kong]
É o fim desta minha andança de estudante
em Paris
depois da aula dos desesperados
Recreio e então penso praia
sob um raquítico sol de inverno.

MORRO

retornou do buraco fundo vivo e agora
respondia aos gritos do labiríntico jardim de
Alah e daquele Minotauro surdo grito tiros de ninguém mas
morre morro morreu um traficante e três perdidos
felizmente você corria sem que ele lhe ouvisse lá em Madureira ia
beira do diabo acordando o caveirão subia
atravessando pôças, esgôtos, samambaias, funk, radiolas
seu grito rouco surdo atravessava
a escuridão sem paredes
corria correu atirou morreu
granada cocaína maconha farinha e o traficante
Minotauro bôbo exú pastor
engravidou pariu pivete
a piranha escarlate do baile de cinderela boa noite
o pesadelo enterrado na delegacia
na Gávea os sorrisos todos e o sovaco do Cristo
incendiava a tarde soprava os dentes mordendo
os surfistas sem paredes
com seus paus crescendo cantando Caê
o mar respondia carnaval na areia das saudades
resposta claras às perguntas escuras
cus-cus mulata dendê e michê
Clovis Bornay Iemanjá em Santa Cruz acaba
a inundar nossa cegueira ninguém pára indignado
e
é só parar
indignado

BIOGRAFIA:

ALBENIZ CLAYTON Brandão Dias - IZAK DAS ROSAS -
nasceu no Rio de Janeiro em 1967. Criou-se entre Belo Horizonte e o Rio. Iniciou estudos de Artes Plásticas na Fundação escolar Guignard em BH e, mais tarde, Letras na USP. Foi funcionário do Banco do Brasil dos 14 aos 23 anos de idade, quando optou por se dedicar profissionalmente às Artes, à Literatura e às viagens.

Em 1990, deixou o Brasil e iniciou uma viagem pela Espanha e o Marrocos, naturalizando-se espanhol. Freqüentou o curso de Filologia Portuguesa na Universidade de Barcelona e recebeu a bolsa erasmus [2000-2001] para estudar literatura e tradução na Universidade da Sorbonne – Paris IV.

Em 2007 publicou “Ícaro e Eu”, livro de poemas, no Brasil.

Desde 2003 vive e trabalha no País de Gales.

E-MAIL:

albeniz@hotmail.co.uk

 

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