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Joana Ruas
Nacionalidad:
Portugal
E-mail:
Biografia
Poente

Com raro esplendor
Qual taa de vinho quente
Ergue-se a frsia vermelha
Ao doirado sol do poente

A Rapariga do Bikini Vermelho

Ela
Que em corao algum
Achava repouso
Sulca com o corpo esbelto
Os lbios nupciais das guas.

No seio das lricas ondas, soerguidas
Pelo movimento dos braos tensos
Brotam-lhe dos olhos, soltas e juvenis
Lgrimas de dor
Pela rebeldia e inconstncia
De tudo o que vive de afecto.

Quando cansada sai da piscina
O lrio transparente que a cobre
Desliza-lhe em gotas pelo corpo
E a luz de non que lhe tece de estrelas o ombro
Em fios diamantinos desce ondulante
Para o as quietas guas azuis .

Na tranquilidade das luzes crepusculares
As fanadas rosas da sua infncia
Jaziam com as bonecas e animais fabulosos
No fundo de um espelho de sombras ululantes.

Havia no espelho da outrora criana
A floresta de gestos mudos :
Vozes que afogadas no sombrio rumor do corao
No subiam os degraus das palavras;
E um secreto lugar de assombro
Um lugar iluminado e justo
Onde no chegava o olhar do caador.
Lugar pleno de ternos sorrisos
Que da infncia lhe sobraram.
Ternos sorrisos guardados a medo
Em sonhos de mergulhar
No susto sem perigos do verdadeiro amor
Para se no esmagarem
Sem doura ou suave mo
Entre a indiferena e o jugo do desejo.

Soldado

Vestiram-te um uniforme
E fizeram-te sofrer
Para que matando
Aprendesses a sobreviver

Quando chegaste ao momento
Do combate
Ainda de balas no varado
Eras um homem aniquilado

Dei tudo o que possua
Por uma mentira
Pela verdade a vida teria dado
Disse-o o sbio de Rm*

Tarde soubeste ento, soldado
Que deste a tua vida por uma mentira
Quando a verdade
Ter-te-ia salvo da vida.

Biografia:
Joana Ruas
nasceu em 1945 na Quinta do Pinheiro em Freches, no distrito da Guarda. Por volta dos anos 50 do sculo XX , a sua famlia estabeleceu-se em Angola onde Joana Ruas viveu e estudou at aos quinze anos, idade em que, segundo o costume da burguesia colonial , regressou a Portugal para completar os seus estudos em Coimbra. A guerra colonial levou o seu ex-marido para Timor-Leste para onde Joana Ruas o acompanhou . Trabalhou como jornalista cultural e tradutora na Radiodifuso Portuguesa e no jornal N Pintcha da Repblica da Guin -Bissau. A convite de Natlia Correia, traduziu prosa e poesia para diversas editoras. Participou na causa da Libertao do Povo de Timor-Leste, tendo feito vrias conferncias sobre a Lngua Portuguesa em Timor -Leste, sua histria e cultura. .Em 1975, Herberto Helder editou um poema seu e, desde ento, consagrou-se sua obra literria, tendo publicado romances, ensaios e poemas. Trabalha h anos na escrita de uma obra em trs volumes [um romance, um livro de contos e uma novela], sobre cem anos de Resistncia Timorense -de finais do sculo XIX at Independncia.

OBRAS DE JOANA RUAS

Na Guin com o PAIGC, reportagem escrita nas zonas libertadas da Guin em 1974, edio da autora, Lisboa, 1975;no jornal da Guin-Bissau , N Pintcha, redige, em 1975, a pgina de literatura africana de lngua portuguesa. Traduz textos inditos de Amlcar Cabral escritos em lngua francesa e recolhe na aldeia de Eticoga [ilha de Orangozinho, arquiplago dos Bijags], a lenda da origem das saias de palha; Corpo Colonial, Centelha, Coimbra, 1981 [romance distinguido com uma meno honrosa pelo jri da APE; traduzido em blgaro]; Zona [fico], edio da autora, Lisboa, 1984 [esgotado]; Colaborou no Suplemento Literrio do Dirio Popular e, na pgina literria do Dirio de Lisboa, foi publicado um seu trabalho de anlise crtica intitulado O Lado Esquerdo da Noite sobre o romance de Baptista Bastos, Viagem de um Pai e de um Filho pelas Ruas da Amargura; na Revista cultural Algar numa edio da Casa Museu Fernando Namora em Condeixa, apresentou um estudo sobre o romance Fogo na Noite Escura de Fernando Namora; colaborou com textos na pgina de Letras e Artes, Alma Nova, do jornal O Mirante, no Notcias de Elvas, no Unio, Quarto Crescente, Jornal do Sporting com poemas inditos e com um trabalho de anlise crtica sobre a narrativa dramtica de Norberto vila, As Viagens de Henrique Lusitano; O Claro Vento do Mar[romance] Bertrand Editora, Lisboa, 1996; Amar a Uma s Voz [ Mariana Alcoforado nas Elegias de Duno], Colquio Rilke, organizado pelo Departamento de Estudos Germansticos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Edies Colibri, Lisboa, 1997 e publicado no n 59 da revista electrnica brasileira Agulha [www.revista.agulha.nom.br; A Amante Judia de Stendhal [ensaio], revista O Escritor, n. 11/12, Lisboa, 1998; E Matilde Dembowski [ ensaio sobre Stendhal], revista O Escritor, n13/14, 1999 e revista electrnica [www.revista.agulha.nom.br e Triplov; A Guerra Colonial e a Memria do Futuro, comunicao apresentada no Congresso Internacional sobre a Guerra Colonial, organizado pela Universidade Aberta, Lisboa, 2000; A Pele dos Sculos [romance], Editorial Caminho, Lisboa, 2001;.Participou com comunicaes nas Jornadas de Timor da Universidade do Porto sobre cultura timorense e sobre a Lngua Portuguesa em Timor na S.L.P. A sua poesia encontra-se dispersa por publicaes como NOVA 2 [1975], um magazine dirigido por Herberto Helder; o seu poema Primavera e Sono com msica de Paulo Brando foi includo por Jorge Peixinho no 5 Encontro de Msica Contempornea promovido pela Fundao Gulbenkian e mais tarde includo no ciclo Um Sculo em Abismo - Poesia do Sculo XX realizado no C.A.M.; recentemente publicou poesia nas seguintes publicaes : Antologia da Poesia Ertica, Universitria Editora; Cartas a Ningum de Lisa Flores e Ingrid Bloser Martins, Vega ; Na Liberdade, antologia potica, Gara Editores; Mulher, uma antologia potica integrada na coleco Afectos da Editora Labirinto; Um Poema para Fiama, uma antologia publicada pela Editora Labirinto; ; tem colaborao nas revistas Mealibra, revista de Cultura do Centro Cultural do Alto Minho e na Foro das Letras revista da Associao Portuguesa de Escritores-Juristas onde publicou Caderno de Viagem ao Recife . Na revista electrnica Triplov foi publicado um Roteiro sobre a sua obra, A Pele dos Sculos. Em 2008, a Editora Calendrio publicou o seu romance histrico A Batalha das Lgrimas. Participou na 8 Bienal Internacional do Livro do Cear onde proferiu uma palestra intitulada Aproximar o Distante, Do Estranho ao Familiar - duas experincias: Timor-Leste e Guin-Bissau.

joanaruas@sapo.pt

 

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