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Luisa Ribeiro
Nacionalidad:
Portugal
E-mail:
Biografia
Chorei-te os traos medievais engoli
veneno isolei-me numa arquelogia
de giz e no desenhei mais
um grego perfil
para beijar

no passas do papel
para a ogiva dos meus braos e morro
antes que me encerrem as palavras
numa fbrica de significados
e uma lngua de gua
me passe no rosto
alucinado

Te lloro los trazos medievales trago
veneno me aslo en una arqueologia
de tiza y no dibujo ms
quew un grego perfil
para bejar

no pasas del papel
a la ojiva de mis brazos y muero
antes de que me encierren las palabras
en una fbrica de signos
y una lengua de agua
me pase perdida por el rostro
alucinado

.
.

Nao me suicido ainda porque te quero
ver vestido para o vero quero
medir o msculo escuro que te sobra
camisa e passar a lngua
na linha cortante dos teus dentes
brancos. Eu quero

os teus dentes brancos
para mim. Por isso deixa-me
esperar este calor onde aparecers
vestido ou despido
de linho brando

No me suicido todava porque te quiero
ver vestido para el verano quiero
medir el msculo oscuro que te sobra
en la camisa y pasar la lengua
por la lnea cortante de tus dientes
blancos. Yo quiero

tus dientes blancos
para m. Por eso djame
esperar este calor donde aparecers
vestido o desnudo
de lino blando

.

No agites mais calor
ele respinga sangue perfumado
e os abetos murcham

no agites mais as rosas esto queimadas
junto ao soluo dos gatos e o sangue
espalha um alvoroo de galos

No agites ms calor
l respinga sangre perfumada
y los abetos se marchitan

no agites ms las rosas estn quemadas
junto al sollozo de los gatos y la sangre
esparce un alboroto de gallos

.
.

Nasci no segundo andar duma casa numa rua da cidade de Angra, onde no havia o perfume das laranjeiras, nem o cheiro a relva acabada de lascar. Uma casa com janelas viradas para outras janelas de outras casas iguais; casa de muitas tias, com Pai e Me e onde a nica sombra me era dada pela magia dum irmo mais velho – irmo que me enchia os olhos de livros e medos.
E foi neste meu pulsar de criana que se espalhou a luz e que, num segredo nocturno, fui procurando as curvas das palavras que melhor desenhariam um fecundo percurso de lgrimas.
Aprendi o monlogo. E, sem nunca deixar a cidade onde nasci, limitei-me a passar por estes enigmticos canais – veias da vida – exibindo sempre o desejo de transformar belisces em carcias e de, ao faz-lo, ir dando ao papel o verdadeiro encontro com a existncia.
No fiz mais do que me agarrar lua, para espalhar o sangue e receber as pedras e brincar ao fogo e acumular as razes e alcanar a infncia dos filhos.
Sou aquilo que o tempo exige que eu registe: quando encontro a claridade procuro a sombra para descobrir o desassossego e quando encontro o desassossego, procuro a claridade para perseguir a sombra.
E neste vento, s vezes tempestade, passei quatro dcadas sustentando a ilha num eterno passeio entre a terra que me gerou e a terra que me receber, num dia de spia com mar ao longe.

 

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