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Gerson Valle
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia
CONCERTO PARA PAZ E ORQUESTRA DE ESPERANAS
Me apraz a paz que toca o mundo
com inteno e tcnica de um instrumento vivo,
no a paz do corpo inerte de um defunto,
tradio dissimulante de modas de outro instante,
festas aparentes na alegria escorredia
dos beijos e bebidas
s para mudar a ansiedade momentnea.
Mas, a paz como ato definitivo
entre humanos que se prezam
amando as diferenas de suas tribos.
A paz que traz prazer
para mim, para voc,
para todos os nascidos.
A paz que faz pensar e agir,
sempre em busca, sem comando de patro ou governante,
sem mandar e deixar de progredir,
trabalhando porque precisa,
para si, para tudo que existe em seu entorno,
paz que seja mais que um adorno,
convivendo, co-habitando, coexistindo
no universo de plantao e colheita,
necessidades existenciais
sem compulso do consumo.
A paz sem fronteiras
com tradies culturais contrrias e complementares
de cada povo, cada parte.
A paz de mos dadas da educao democrtica,
transformando os valores de um mundo poludo
na lufada de ar puro doada aos pulmes
de funes iguais em nossas caixas torcicas,
desfazendo as diferenas das injustias sociais.
A paz verdadeira.

I - CORO GREGO
Gerson Valle

Quando partiu
as vozes ainda tentaram atrapalhar seus sentimentos,
indefinidas, distantes,
mas fortes no todo da dvida dos homens:

- No parta que tudo que importa
j est decidido,
a porta da vida no tem outro lado,
o sentido de tudo permanece guardado.

Ainda por cima a madrugada indistinta
tolhia-lhe as rvores
e pssaros incgnitos piavam tristes.
Ao longe as badaladas chegavam
esmaecidas, perdidas de significado.
J no se podia dizer que os sinos dobravam edificantes, claros.
Tornaram-se toscos ecos da madrugada
cados perdidos no espao do alm.

- No parta que o parto da vida
aqui que se d.
Para l no h nada.
Somente a escurido do dia ainda no nascido.
Somente o perigo de alguns bichos famintos.
Somente o precipcio doido das encostas sem dono.

Era preciso fingir no ouvir o tom sensato
dos vizinhos solcitos ou invejosos,
dos prias acostumados aos usos repetidos,
dos pobres carentes de opinies,
dos ricos acastelados nas prprias provises.
Era preciso romper a grande ternura protetora
dos hbitos e paixes j conquistadas,
e se voltar para o desconhecido promissor
de novas vantagens incalculveis
a romper com o sol que tudo invade
l fora da casa, l fora do cerco,
l fora dos pores dos mantimentos previsveis.

- No parta que o mundo
encontrado e guardado nos vcios e outros riscos
est com raiva e agride
qualquer infidelidade!

Mas, a era tarde.
As vozes do coro j estavam distantes,
do outro lado dos passos...

II - ACALANTO PARA O MENINO DE RUA
Gerson Valle

Dorme, menino, na rua,
por entre surras,
tomando chuvas,
dorme na rua que tua,
do teu temor,
da tua fome,
mas que no sabes o nome,
como no sabes tambm
dos rumos melhores que vm
do mundo educado,
poupado,
separado de teu recanto
de dor, desabrigo, espanto.
Dorme que o bicho papo
no amedronta
a cabea tonta
do cheiro de cola e da falta de po.
Dorme. Dormindo no vs
que te querem prender
por dormires embaixo da lua nua
coberto no jornal
que o guarda acha imoral,
sobre o cho que te resta
de tudo que no presta,
sem ter outro lugar
para dormir e sonhar,
roubar e fugir,
sem ter para onde ir...
Dorme enquanto o guarda no bate
em teu p machucado
na desgraa a todo lado,
correndo sobre os cacos,
piso incerto dos buracos,
como o co alvoroado que late,
sob os tapas que o mundo te bate,
bicho das cidades sem rosto,
dorme no travesseiro do desgosto,
e dormindo construas
o sonho de no estar mais na rua...
Dorme, pedao de bicho,
dorme, dorme, menino jogado no lixo...

III - A INVASO
Gerson Valle

De um planeta taciturno
com tcnicas e critrios
vem-nos e invejam o verde
e as guas ainda em torno...

O ar de l vai acabar,
junto s plantas e os sustentos;
nas janelas ningum sente
paisagens dos nossos ventos...

J pensaram invadir-nos,
levando nosso oxignio
com a aura que ns mantemos
num resto de provimentos...

Observaram-nos melhor,
e alguns sbios ponderaram:
'aquilo que ns queremos
ser nosso com o tempo'.

Tinham visto alguns milnios
se passarem nesta Terra,
e de como ns tratamos
as riquezas que invejavam.

E no sujaram as mos
naquilo que no tem mrito:
o servio de extermnio,
de que a espcie se encarrega...

biografia:
Gerson Valle

Formado pela Faculdade de Direito Cndido Mendes, com ps-graduao na Universit de Nice, Frana [Diplome de l'Institut Europen des Hautes tudes Internationales, e Diplome d'tudes Approfondies en Droit de la Paix et du Dveloppement]. Professor de Direito Internacional Pblico e Cultura Brasileira em vrias faculdades do Rio de Janeiro. Procurador da Fundao Nacional de Arte-FUNARTE, do Ministrio da Cultura. Publicou, alm de livros jusrdicos, em POESIA: 'Confetes de muitos carnavais' [1982], 'Passagem dos anos' [Ed. Pirata, 1984], 'Aparies' [Poisis,2001], 'Vozes trazidas pelos ventos' [Poisis, 2005]; FICO: 'Os souvenirs da prostituta - A novela de Ipanema' [Catedral das Letras, Petrpolis - RJ, 2006], 'Pela internet' [Entrelivros,Braslia, 2006], 'Contos de Natal' [Thesaurus Editora, Braslia, 2006], 'Vozes novas para velhos ventos' [Thesaurus Editora, Braslia, 2007]. Traduo de 'Lendas' de Gustavo Adolpho Bcquer [Poisis, 1997]. SOBRE MSICA E POLTICA: 'Jorge Antunes - uma trajetria de arte e poltica' [Editora Sistrum, Braslia, 2003]. Mais de 300 publicaes em diversos peridicos [no Brasil, na Frana, na Itlia e na ustria], com crnicas, artigos, contos e poesia, integrando o Conselho Editorial do jornal 'Poisis - Literatura, Pensamento & Arte', desde 1998. PRMIOS: 1 lugar do 'Concurso de Contos da Associao Nacional de Escritores - ANE' de 2006, para livro de contos; 1 lugar para poesia em portugus da Accademia Internazionale Il Convivio', Itlia, 2004: 2 lugar da mesma Accademia em 2003, etc. ENCENAES TEATRAIS - A pera 'Olga', de libreto seu, foi encenada em 5 rcitas, em 2006, no Theatro Municipal de So Paulo, com grande elenco de cantores, coro, grande orquestra, em 3 atos, com direo cnica de William Pereira; Sua pea infantil 'Dana das rvores' foi encenada no Museu Imperial, Petrpolis - RJ, por um grupo de adolescente, em 2001. Tem poemas musicados por: Maestro Jorge Antunes, Maestro Ernani Aguiar, Maestro Guilherme Bauer, Maestro Ricardo Tacuchian, Maestro Odemar Brgido, etc, sendo que com alguns deles so vrios os seus poemas musicados, at mesmo peras, publicados, gravados em cd e apresentados diversas vezes ao pblico. Tendo sua infncia na cidade do Rio de Janeiro, mudou-se para Petrpolis, cidade no meio da Mata Atlntica, onde participa de ongs ambientalistas, tendo tido, mesmo um programa de televiso de carter ambiental e cultura, nesta cidade, de que recebeu a Cidadania Honorria da Cmara de Vereadores. membro da Academia Brasileira de Poesia - Casa Raul de Leoni, cadeira n 31.

valle@compuland.com.br

 

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