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Adriana Kairos
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia
A pipa

Do alto da laje mais alta do morro
O neguinho magrelo
De ps descalos
E short frouxo
Empina a pipa
Como se empinasse
A prpria vida.

Dana com ela um funk
Entre fios de alta tenso.
Tenso...
S a da dona 'Creuza'
'Desce dessa laje moleque!'
'Vem com!'
'Cual?!'
O baile ainda no acabou.

Sorriso maior que o rosto,
Perninhas finas e cinzentas de poeira.
O short caindo
Mostra o cofrinho
Puxa o danado
No pra o 'dibico'
'Ah... 'muleque'!!!'

A pipa leva aos cus os seus sonhos
O vento os sopra aos ouvidos de Deus
Se no tiver muito ocupado
Talvez oua
O que o neguinho lanou ao azul.
Em cada fitilho da 'rabiola' colorida
Pontas de esperana de no sabe o qu.

Quem sabe o neguinho s ria por rir...
Quem sabe seja s do poeta o devaneio...
E que na pipa no haja sonhos
Por isso cortada
Agora 'avoada'
Estraalhou-se nas mos de outros
Chora neguinho.

Asas de caro

Meus sonhos ganharam asas
As de caro lhes serviram bem
E voaram alto;
E l do alto
De uma altitude segura
Viajavam e me sorriam
Desejos e segredos sob a cera
Que j comeava a lamentar
Os segredos eram frgeis
Mas os desejos ambiciosos
De nada se importavam.
Comandavam determinados
As asas tristonhas em direo ao Sol.
Bem alto e cada vez mais longe...
Eu j no os via mais.
Mas quanto mais alto subiam
Mais chorosas ficavam as asas
Que desmanchavam sonhos
Que matavam desejos
E quebravam os segredos
Prximos a luz.
Seu lamento foi nica coisa que vi ento.
Em gotas como bolinhas cintilantes
Que mais pareciam pingentes de madre prola.
Eu as juntei do cho.
Vou derret-las.
Reconstru-las...
E terei asas outra vez.

O quartinho

Ele ainda era o seu amor.
O nico que tivera e que em segredo
Ainda desejava.
Traioeiro corao
Tem caminhos tortuosos.
Uma curva errada e olha a a distancia...
Mas s percebemos quando tudo j vai to longe...
s vezes no d pra voltar.
Sem sada, o jeito ento se aventurar;
Por esses novos caminhos
Onde o vento leva as migalhas de po
Pra nos machucar.
Ferida, quis esquec-lo.
[ele no a queria mais]
Tentou viver um dia de cada vez.
No conseguiu.
Fez pra ele, ento um quartinho.
Bem arrumadinho l nos fundos;
Em seu corao.
E tocou a vida.
Mas quando sentia saudades...
Colocava o disco pra tocar,
Ouvia aquela msica
E como encanto a porta se abria.
Ali, visitava suas lembranas.
E logo que a msica acabava
Enxugava rpido a breve lgrima,
Respirava fundo
E recomeava.
Trilhando a nova estrada que fez.
E assim passaram-se vinte anos.
O tempo no espera.
Quanto mais distante seguia em seu caminho
Mas constantes eram as visitas
quele quartinho.
Enfim um dia
Tomada de uma infinita saudade
E de um arrependimento das coisas
Que deveriam ter sido e no foram...
Tomada de um medo aterrador
E de uma solido infame...
Colocou aquela msica
Repetindo-a vrias vezes.
Sentou-se num cantinho do quarto
No enxugou as lgrimas.
S chorou.
E chorou muito.
At que cansou.
E dormiu.
No mais acordou.

biografia:

Adriana Kairos
nasceu em 1975. Carioca. Cursa Letras na UFRJ. professora da rede pblica do Rio de Janeiro. Quando criana teve a oportunidade de ter aulas com 'OS PROFESSORES' [homens e mulheres maravilhosos] e acreditou que fossem heris e isso mudou o rumo de sua vida. Certa vez, j formada, quis salvar o mundo. Caiu da cama... Hoje acredita, to somente, que pode ser 'A PROFESSORA'. Seu trabalho tambm pode ser encontrado no site do Recanto das Letras.

adrianakairos@ufrj.br

 

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