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Marcos [Antnio Soares] de Andrade Filho [Cnsul - Cidade de Recife-PE]
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia
Evangelho

O poeta
um ser de areia
capaz de
- ironicamente, sensvel -
violentar a palavra
estupr-la
fecund-la
ao seu bel-prazer.
A palavra,
coitada [mas no puta! Esposa!]
deflorada,
fodida,
amada como nunca,
levada a parir, num gemido,
a flor-para-o-outro,
que ser entregue por ns
e, no terceiro dia,
vir
para a salvao
de todos os homens:

- Eis o mistrio da f!

Teatro de Sombras
[de 'Divindades']

Tabu.
Silhuetas no vazio.
Abrolhos de luz.
Rstias recolho
De vidas recortadas
Ante a lmpada
Que arde como um olho.

Silhuetas - ainda - no vazio.

No vazio de no mais ouvir
O tilintar do molho de chaves.

Molho-me de penumbra!

Mas no instante
Em que todo me desfolho,
No fundo de minha caverna
Recriada por um fio de
L u m i n o s i d a d e,
Ouo
Uma petulante porta sbita!
.......................................................................
Era ela,
Por debaixo da porta,
Inconcebvel
Invasora
Monstruosa
Destruindo o escuro magnnimo
Humilhando meu fio-de-luz-encanto
Derretendo meu mundo-na-parede
Enchendo tudo e diluindo as silhuetas
Que eu no mais olho!
Tanto branco!
Fecholhos.
...........................................................................
E, como no Tabor,
Tudo se transfigura.
Totem.

Eu? Lrico?

No sou lrico.

Que lirismo?
Que lirismo, se minha voz
precisa se dissolver numa microfonia?

.......................................................................................

Esse silncio lirismo?

S serei lrico
quando minha voz
virar um sonho agudo,
fino,
inaudvel!

biografia:
Marcos [Antnio Soares] de Andrade Filho
nasceu no Recife, em 23 de junho de 1982. Estudou com os irmos Maristas at 1999. Deixou o velho casaro da avenida Conde da Boa Vista, no Recife, para ingressar no Departamento de Letras da Universidade Federal de Pernambuco. Iniciou os experimentos poticos nos ltimos anos da dcada de 1990, o que lhe rendeu a publicao do volume de poesias 'No-Lugar' [Bagao, 2005], um dos destaques da Bienal Internacional do Livro de Pernambuco de 2005. Por ocasio da sua estria na literatura, escreveu o professor e crtico literrio Lourival Holanda: 'Marcos faz parte de uma gerao de jovens poetas que no resolvem o descaminho destes dias duros pela paralisao; uma gerao que no se resigna no-significncia'. Alm da escritura, o poeta busca a transfigurao por meio da palavra como professor de Literatura Portuguesa e Brasileira na rede particular de ensino do Recife [Pernambuco], tendo passagem, nessa rea, pelas cidades pernambucanas de Jaboato dos Guararapes e Abreu e Lima e pela cidade paraibana de Campina Grande. membro da Unio Brasileira de Escritores - Seco Pernambuco e ocupa a cadeira nmero de 29 da Academia de Letras, Artes e Cincias de Abreu e Lima [Pernambuco], tendo por patrono o poeta pernambucano Manuel Bandeira. Atualmente, colabora com os sites www.interpoetica.com e www.cronopios.com.br.

marcos.de.andrade@gmail.com

 

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