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Luis Tavares
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia
A poesia

A poesia, coisa assim: Gullar.
Palavra acostumada a causar sustos...
Vinicius. Chico Buarque. Tanto amar.
Poetas imortais. Anjos augustos.

A poesia: ptria de Bandeira.
Asas de Mario quando Mario voa.
Estrela que reluz a vida inteira.
Pessoa se fingindo de Pessoa.

A poesia: mgica Quintana.
Ceclia de palavra cotidiana
Cercada de delrios permitidos...

A poesia: som que no tem som
Mas que no sobrevive sem Drummond:
'Tudo mais, em verdade, so rudos'.

O menino
[Para Alberto Santos Dumont]

_O homem voa?
_Voa...
_Voa nada...
O homem foi feito pra caminhada,
Pisar a terra,
Passear no cho.
Voar prprio pra passarada,
Voar coisa pro gavio...
Dizer que o homem voa coisa errada,
Coisa completamente sem noo.

_O homem voa?
_Voa...
_Que tolice...
Quem foi que disse
Que o homem de voar?
Se no tem asas, mas ps de andar na terra,
Como que poderia, ele, alcanar
As nuvens distradas sobre a serra
E os pssaros que passeiam sobre o mar?
Por no ter duas asas
Mas duas pernas,
Tudo que o homem sabe
E pode andar.

_ O homem voa?
_Voa..
_Voa no....
S nas histrias da imaginao,
S nos delrios da fantasia,
Porque sem asas, com que condio?
Porque sem elas, como poderia?
Voar coisa de contos de fico,
Palavra criada pra escrever poesia,
Por isso quem tentou, tentou em vo
Por isso que ningum conseguiria...

_ O homem voa?
_Voa...
E o menino no percebia,
Mas enquanto ele respondia, decolava,
Possivelmente porque enquanto respondia
Trazia um corao que volitava
Levando o menino, que por isso j sabia
Desde quando ningum ainda sonhava....
O corao do menino era o seu guia
E o menino ia para onde o corao levava..
'O homem voa?' E o menino respondia
'Voa' pergunta que o professor perguntava.
No era ali o menino o que aprendia
Posto que era o menino o que ensinava.

_O homem voa?
_Voa
Naquela hora
Daquele dia
J desde ali o homem ento voava...

A rima

A rima o piercing no umbiguinho na palavra,
o brinco de ouro na orelhinha da Princesa,
a outra voz dentro da mesma oitava,
No o Pato com laranja. a sobremesa.

a ponte entre Itaipu e Itaipava,
o que d vida ao verso, e ligeireza,
E outra profundidade poa rasa,
E empresta podrido delicadeza...

A rima a gota exata do tempero,
o Redentor pro Rio de Janeiro,
Dorival Caymmi pra Bahia...

como o drible de Garrincha, a rima,
No o Mapa do Tesouro. a Mina...
A rima a sstole da poesia.

biografia:
Luis Tavares


H vrias maneiras de se contar uma histria sobre algum.
Referenci-la a pessoas, lugares e fatos vividos na linha do tempo a forma clssica.
Desenh-la de acordo com a linha da histria do seu pensamento o que tentaremos aqui.
Nas as primeiras horas da manh do dia 6 de setembro de 1959, chegava ao mundo o menino Lus atravs de parto normal, 48 anos antes de ter seus poemas aqui registrados em forma de livro.
De famlia simples, filho de professores e irmo de bons companheiros de brincadeiras, musica e poesia, viveu uma infncia sadia e feliz em Campos dos Goytacazes, onde nasceu.
Liceista, conheceu ali a letra, a palavra, o verbo, o verso, o soneto e as rimas que depois dali percebeu que tambm lhe era possvel tentar.
Em 1973 perdeu, de algum modo, seu irmo Carlinhos. Descobriu foradamente, porque foradamente que se fazem muitas vezes muitas descobertas, que a morte simples mudana.
O tempo seguiu e o menino simples que aos 13 anos descobriu a morte como pedao da vida, seguiu, aos 18 anos, para o Rio de Janeiro em busca da graduao em medicina. Formou-se em 1984 pela UFRJ, retornando sua cidade natal aps concluir seu objetivo.
J no contava mais com a presena prxima do pai amado, arrebatado pela mesma irm morte que lhe levara o irmo na sua infncia e voltara para reafirmar que a morte, de toda forma, simples mudana.
Aprendeu que viver tem o significado mtico de superar e que para seguir em frente seria necessrio parar de caminhar em crculos.
Conheceu a poesia na infncia atravs dos versos de Castro Alves e da boa lembrana que guarda at hoje de escutar seu pai volitar os poemas de Parnaso de Alm Tmulo com que a psicografia de Chico Xavier presenteara a humanidade.
E no foram poucos os versos e as rimas que sua infncia inteira lhe mostrou.
Mas foi na Escola Jesus Cristo, atravs das aulas do Professor Rubens Fernandes Carneiro que conheceu as primeiras letras acerca da vida de Jesus. Foi desde ali que nunca mais esqueceu a Galilia, nunca mais esqueceu Cafarnaum...
O menino crescera.
O homem grande, foi se habituando a prescrever aps diagnosticar e a diagnosticar aps inspecionar, palpar, percutir e auscultar...
Acostumou-se a escrever pronturios e receitas, ganhando assim intimidade com as palavras.
O mdico um escritor
Escreve to diariamente
Que chega a sentir-se autor
Da histria de seu cliente
Disse certa vez, parafraseando Pessoa...
Um belo dia decidiu arriscar rimas usando as mesmas letras rgidas com que registrava o que se convencionou chamar de ordens mdicas.
Abusou das rimas, disfarou as mtricas, desafiou os ritmos, transgrediu as frases, rearrumou idias e recriou palavras entre snteses e antteses em seus versos.
Aprendeu a escrever sonetos. Quase sempre sonetos tortos, igualmente inundados de rimas, mtricas, ritmos, frases, idias, snteses e antteses.
Certa manh, na praia de Atafona, aprendeu com a sua irm Margarida o que era um blog.
Nascia o www.quasepoesia.blogspot.com, seu dirio em versos nem to dirio mas sempre em versos.
Publicou em 2005 seu primeiro livro: A palavra dada.
2005 veria nascer tambm o volume Um poema para o Natal [esgotado].
2006 foi a vez de verem chegar os livretos Me e O Nascimento de Jesus [esgotado].
Em 2007 publicou o tambm livreto Somos Mamferos onde, entre poesia e prosa, d sua verso sobre porque a amamentao chegou aos nossos dias desacertada assim. Somos Mamferos um texto de reafirmao da essncia humana e mamfera do homem.
2007 o ano do Aconteceu em Belm.
Aps quase meio sculo de dias e noites de tempestade e brisa, aprendeu a acreditar na poesia como principal aliado.
Os versos so seu principal argumento.
Atravs deles, protesta, instrui, combate, derruba, comemora e morre, disfara e vive, renasce e ama.
A vida lhe ensinou que a falta de limites atributo de Deus e no do homem.
Descobriu que a poesia, somente ela, nunca o poeta, no tem limites.
Concluiu que a poesia a mmica de Deus e que escrev-la nada mais seno que desvend-la.
Quer ainda escrever muitos versos, mas no pretende incompatibilizar-se com a Lei quando sua hora for chegada.
Nas as primeiras horas da manh do dia 6 de setembro de 1959 este depoimento comeou a ser escrito.
As linhas traadas aqui continuam na linha do tempo, redigidas pelo autor de todas as coisas, registradas nas folhas dirias que a vida oferece aos seus.
A histria do homem a histria de seu pensamento e seu pensamento cria do seu corao.
Por enquanto o que se sabe, at aqui.
Que venham os versos e passem os dias.
Porque amanh, ningum sabe.

lamtavares@uol.com.br

 

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