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Carlos Baro de Campos
Nacionalidad:
Portugal
E-mail:
Biografia

Sinto o Tempo esvair-se...

Este pode ser o instante último dos pensamentos
que ainda me restam.
Instante de dor consentida na mágoa Alucinante da saudade.
Instante último de um tempo
Que não sendo meu, senti que um dia era minha pertença.
Não lhe conhecia o rosto,
Não imaginava os seus contornos.
A sua presença era visível na ausência.
Contudo, o hábito do novo dia,criava em mim a ilusão.
Não pensava o tempo a finar-se, levando-me consigo.
Vivia numa inconsciência só geneticamente consciente.
Acreditava na Eternidade como fazendo parte dela..
Hoje, sinto a angústia das horas,o anunciar de novas perdas.
Ausências que anunciam outras ausências.
Agora o coração chora baixinho, não vá o tempo acordar de mau humor.
A dor que se expande na Alma,
Uma dor cansada, rendida.
A angústia dos fins, das inexistências infindáveis.
As vozes, os rostos, os passos, os sorrisos e as lágrimas que partiram para sempre.
Acordo e sei que amanhã voltarei para a sua inexistência.
Hoje tenho a clarividência de saber que a maior parte das coisas que me disseram que eram as mais importantes,
valiam menos que o mais fedorento excremento.
Hoje, mais que ontem, menos que amanhã,tenho a certeza que nos militarizam a mente
durante dois terços da vida.
Mentindo-nos sobre os valores autênticos e nobres da vida.
Durante dois terços da vida enganam-nos com slogans publicitários de Poder, Juventude, Riqueza,
Incitando-se a requerer o ingresso no mundo dos poderosos, oferecendo-se o primeiro lance ainda na condição de escravos.
Um dia, de repente, convencem-nos que já não precisam de Nós,
somos velhos, inadequados, desactualizados, inúteis.
Tecnologicamente Incapazes.
Tentam dizer-nos que o Amor é sinónimo de Pornografia.
Reduzem o valor de um beijo, de um abraço ou de um sorriso.
O valor de tudo reside na susceptibilidade de poder ser convertido em valor económico.
Os amigos de ontem, hoje são homens e mulheres de negócios sem tempo para investir em relações sem valor monetário.
Todas as pequenas coisas de que a vida é feita,são coisas ridículas..
Devemos envergonhar-nos das nossas emoções.
Somos patéticos.
Lentamente, acabam por nos abandonar num lugar sem nome,
onde nada nos é familiar.
Um lugar, onde, quantas vezes, durante a Noite nos erguemos,como fantasmas, procurando na escuridão os velhos interruptores.
Quantos sons pensámos ter escutado.
Por instantes, pequeninas fracções de Tempo,quase sentimos Esperança,quase podemos sentir o calor do nosso velho cão roçar as nossa frágeis pernas.
Quase Acreditamos num Milagre,um Milagre antes do último instante.

Cordilheira de Sonhos

Quentes e melodiosos, os teus olhos flamejavam,
suspendias o pestanejar e parecias querer dominar
a eternidade dos instantes com o olhar...

Dentro dos teus olhos vagueavam sombras sem nome,
como se os teus olhos fossem tocas, esconderijos...
Havia dentro do teu olhar um pensamento, uma palavra, por dizer...

Nos teus olhos navegavam oceanos, levantavam-se tempestades,dos teus olhos partiam e chegavam gestos sem amanhã...

Nos teus olhos ancoravam navios fantasmas...

Dentro da Noite

Sombras negras povoam a minha mente,
algo em mim não sou eu,
sinto uma dôr pressentida,
parece-me escutar vozes distantes...

Busco nas palavras o aconchego breve,
o calor de pensar e escrever,
neste acto único e inútil...

Cheguei ao fim das palavras,
sem articular um som...
Dentro de mim, tudo é silêncio,
um silêncio sem rosto...

biografia:
Carlos Barão de Campos
, 48 anos, natural de Lisboa, com formação jurídica de base, acredita que os Sonhos são como pétalas... Em cada olhar vislumbramos paisagens únicas, lugares mágicos, mesmo que as lágrimas espreitem como quem abre uma janela para de se debruçar sobre a madrugada...

baraocampos@gmail.com

 

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