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Orlando Batista dos Santos
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia
O HOMEM E A BORBOLETA

No vento ligeiro que sopra meiguice, no vo primeiro, aps despertar. o grito da alma, outrora encolhida. o encontro com a vida, com a promessa de vida.
No outono do sono quando as folhas caram, desnudando o medo e cingindo a dor, o Amor deu-lhe vestes de graa e beleza, descerrou as cortinas e lhe abriu as janelas.
Levanta-te pois em teu vo de glria, o Vento te ajuda e te leva a plainar, abre os teus braos e abenoa. s livre pra subir, pra voar, pra amar.
O teu rastro agora se fez invisvel, pois beleza e fascnio no marcam o cho. que no silncio da solido mais triste, no desamparo da humilhao mais forte, Deus te ordenou a vida e desprezou a morte.
E os brancos campos agora te esperam. Do Vento ouviram e com ardor te esperam.
Pra conhecer seu vo, pra desejar seu pouso, pra receber seu hlito... e para crer de novo.

EXISTIR:

O CICLO DAS GERAES


Era um tempo de paz aparente, e nele, o silncio falava. Sua voz, como fagulhas de ndoas, eram depositadas num linho branco e indefeso. Ndoas pesadas demais para um to frgil e confiado ser. Um ser gerado na coliso, violenta de dois universos em desarmonia.
Um ser trazendo em si a dissonncia que se acomoda no desequilbrio, que faz florescer o imprevisvel, o assustador, o renegado.
O sol, porm, como anfitrio perfeito, referencial confivel, abrir portas e deslumbrar olhos bisonhos, assustados, fazendo da surpreza o enganador aliado e, mapeando no linho branco, com outras e novas manchas, suas fronteiras.
Era um tempo de sons e de gritos. Entre estes, momentos de dor e de sustos. Mas, havia o toque da ternura e da graa, e, ainda que entre espinhos e rvores mal cuidadas, uma ou outra flor desabrochava, diante dos olhos maravilhados, puros.
E no carrocel frentico de sonhos e de dramas, onde a esperana um terreno escorregadio que pode desembocar e quase sempre o faz no apavorante pesadelo da realidade,... a luz dos olhos se tornam chamas,e, a fonte que foi bendita, agora expe veneno.
Ah, quadro terrvel de crueldade insana, em que o fim, de todo anseio, devora insacivel o alento, enquanto a morte, com vestes de engano e brilho, prepara em salvas de escrnio e ira, a oferta mxima de sua fome incontida. Vida, preciosa vida.
E enquanto as garras se apertam no suplcio lento e o tempo escorre em seu ritual indiferente,... os universos se esbarram e se ferem por seus limites, produzindo outra vez o escuro, outra vez o silncio, outra vez...a paz aparente.

PENSAMENTOS

So como armas brancas, fictcias, so com ptalas ou espinhos.
So como caminhos serenos, perigosos, conduzindo parasos e abismos.
So como forasteiros, viajantes sem domnio, habitantes seculares, so reis e so sditos, esperados e inoportunos.
So fachos luzentes e claros, so sombras horrendas e escuras.
Levantam-se como trincheiras e sufocam a coragem, abrem-se em horizontes escancarados e alimentam a loucura.
So como lminas de fio mortal, so como flexas levando o antdoto e o veneno.
So como o vento se expressando em brisas que acariciam e em furaces que destroem.
So como vozes que falam com a leveza da ternura e gritam com a violncia do terror.
Na priso do sono eles se agitam produzindo imagens que riem, que choram, que alegram, que entristecem.
So como sussurros que ensurdecem a alma, que pressionam o esprito, que fazem vibrar no homem o ecoar insistente do desafio, que o empurram para a vida ou que o atraem para a morte.
So como a corrente de um rio caudaloso no qual navegam o bem e o mal.
Eles so sinos gigantescos e ocultos de uma catedral dentro de cada mortal, conclamando seus membros a avanar e crer no impossvel ou retroceder, parar e esperar temeroso o que h de vir.
Eles esto dentro de ns e se alimentam pelos nossos sentidos.
Eles so... os nossos pensamentos.

biografia:
Orlando Batista dos Santos

Na Penumbra do Corao,
outubro de 2002.

linoaban@oi.com.br

 

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