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Edson Augusto Alves
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia
A espera

A noite inteira olhando
para o relgio fictcio da parede de sua sala,
os ps adormeceram e o resto do corpo comeara a doer.
ela deveria ter voltado s sete horas
do dia anterior a este que vai nascer.

Balbuciando algumas palavras,
uma espcie de prece vazando os dentes,
meia dzia de rosas repousam no jarro;
o jantar esfriara
e o vinho agora esta quente.

As janelas ficaram abertas
e a porta da frente destrancada.
A mesma cano se repetiu dezenas de vezes
alm da programada,
sendo a lua de hoje s um risco no cu
manteve acesa a luz da escada.

O vento indiferente,
promove um bale de cortinas esvoaadas
e sombras de samambaias por toda casa, enquanto fuzilado por um retrato impertinente
se acabando em gargalhadas.

J se passaram mais de vinte anos,
apesar do retrato,no h a certeza de que a mulher existiu,
o homem continua esperando
ainda da mesma cadeira olhando
para o relgio que ningum nunca viu.

POR DEUS

Deus aquele velhinho ranzinza
sentado em uma pedra que toda beira de caminho tem,
mordiscando o talo verde de capim gordura
e olhar perdido plancie alm.

Vez em quando coa o queixo,
outra vez espanta o mosquito,
abre a boca num bocejo
como se pra engolir um grito.

O vento inventa uma cano
e pe eucaliptos pra danar.
Deus estala os dedos de uma das mos
ensaiando assoviar.

Levanta-se de repente
os olhos mirando por hora,o cho.
O lbio inferior entre os dentes
ouvindo apenas a prpria respirao.

Surge novamente o mosquito
e Deus j no esconde a indignao.
_Por que ser que foi que eu criei este bicho?
e sai chutando uma pedra,gritando um palavro.

LUA DE CARO

Escravo da insanidade
despercebe a loucura,
manifesta a liberdade
ainda que por detrs das grades
da pequena cela escura.

Orgulhoso das enormes asas
sobrevoa a cidade,
acima dos telhados sujos das casas
mesmo que com as mos atadas,
bate palmas de felicidade.

Os ps no cho mido e frio no lhe remetem a realidade;
plaina sutil
em seu vo infantil
tal como anjo de verdade.

Os olhos brilhantes
miram por hora a lua que nos parece vazia.
Rasga ao meio nuvens gigantes
extasiado com o azul cintilante
que os outros homens no viam.

Enquanto a platia aturdida assiste,
a busca continua.
no rosto aflito o sorriso insiste
e ainda que em convules o corpo resiste
pressentindo a alma chegar a lua.

biografia:
Edson Augusto Alves


esspigao@hotmail.com

 

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