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Henrique Faria
Nacionalidad:
Portugal
E-mail:
Biografia
O MEU PAS

Dentro da minha cabea
Tenho uma caixa de lpis de cor
Com que pinto os sonhos.
Neste
Pego no lpis castanho escuro
E pinto duas muanhas altivas
Que passavam perto de mim.
Dou-lhes mais um pequeno toque
Para que se veja o andar
Que s as gentes do sul tm
E que ns to bem conhecemos
E para podermos ouvir
Os chocalhos amarrados na canela.
Peguei nos verdes, ah os verdes
E tive que usar todos os tons
Para pintar as matas densas
Passei levemente por cima
O lpis cinzento
Como esquecer-me dos cacimbos
Que tantas vezes me arrepiaram a pele?
L ao longe dois morros de basalto
Cortam o horizonte da savana
Pinto-os com o lpis preto.
Com o lpis amarelo dourado
Pinto a imensa anhara
Onde tantas vezes me perdi
E me encontrei.
No meu sonho tinha chovido
Uma chuva bravia, poderosa
Desenhando alinhavos no pano da tarde
E cheirava intensamente
Aquele cheiro da terra depois da chuva
No o pintei, no consegui
Afinal
De que cor se pinta o cio da terra?
Com o lpis vermelho
Pintei o sol enorme de fim de tarde
E vi no mar
Aquele imenso rasto de sangue
Por fim, com o lpis azul
Sempre o lpis azul
Coloquei no canto direito
A minha assinatura
Esperando, ansiando
Que gostem deste sonho.
No o vendo, apenas o ofereo
Afinal,
Que preo pode ter um pas?

DE ONDE EU VENHO

De onde eu venho
No h dunas de areia
guas soltas no cu
Pingando gengibre e doce mel
Rios, sim.

De onde eu venho
Estremecem paludismos
Fogueiras devoram as noites
Desejos por saciar
Estalam ruidosamente os ossos do tempo

De onde eu venho
H cabaas de kissangua e hidromel
Virgens parindo ternuras
Sede da terra
Rios velhos, sim.

De onde eu venho
Planam girassis ao vento
Gestos de vidro e luz de mil cores
Amores alucinados
Carne viva.

De onde eu venho
H imbondeiros preguiando ao sol
Sombras voam na floresta
Falhas danam no escuro
Rios novos, sim.

De onde eu venho
H mulheres dilacerando os milhos
Borboletas azuis
Ritmos da memria antiga
Rios pedregosos, sim.

De onde eu venho
Jovens ensaiam juras de amor
Luares derramados nas copas
Serpentes prateadas, nevoeiro
Rios serenos, sim

De onde eu venho
H meninos rindo, na casa do meio
Nuvens brancas, girassis
Corpos sedentos, febris
Rios mgicos, sim

De onde eu venho
Kissanges e batuques perfumam a noite
Fogueiras e pirilampos
Palavras apenas sussurradas
Rios sem margens, sim

De onde eu venho
Acendem-se candeias ao jantar
Despem-se silncios desiguais
guas gordas, grvidas
Rios primevos, sim.

RIOS

Correm-me rios nas veias
Muitos lhes conheci j na foz
Rios gordos desabando no grande mar
Outros encontrei nos caminhos
Rios de sim e no
Rios suficientes
Vadiando guas em festa
Nunca conheci pequeninos
No perguntei
Vi rios amigando com outros rios
Rebolando nas pedras
Engravidando margens
Conheci rios de ser feliz
Deixei-me levar
Rios com cais
Atracando barcos e vidas
Rios doces, cheirosos
Tresandando a rosmaninho
Rios de memrias
Correndo ao contrrio
Rios de permanecer
Acabei por ficar

biografia:
Henrique Faria

Angolano por corao.
Portugus por nascimento.
Mdico por vocao.

hfaria1@gmail.com

 

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