s
s
s
s
s
s

El contenido de esta página requiere una versión más reciente de Adobe Flash Player.

Obtener Adobe Flash Player

Luiz Psulo L. de Arajo [1949 - 2010]
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia

AMOR COM LIMITES

Não.
Não me pergunte porque.
Não me pergunte como.
Nem onde.

Também não me pergunte como é.
E nem porque é.
Não me indague por que, às vezes, dói,
ao mesmo tempo que dá prazer.

Também não tente saber quanto vai durar.
Se será eterno
só um fogo de palha
um caso
ou um ficar passageiro e inconseqüente.

Não posso fazer juras de amor eterno.
Minha eternidade pode durar apenas um dia,
uma hora, um minuto, um segundo.
De repente um enfarte, um aneurisma,
uma distração ao atravessar a rua,
uma bala perdida [ou virtuosa],
um avião caindo na minha cabeça,
desgovernado por um terrorista maluco,
e, de uma hora para outra, pronto:
Lá se vai minha eternidade
e, junto com ela,minha jura de amor eterno.

Por isso, apenas curta o momento.
Aproveite o que é bom.
Beba o prazer como o alcoólatra
sorve seu primeiro gole, durante a recaída.

E nunca sinta culpa nem o medo da perda.
Desapegue-se sempre que o apego
causar-lhe algum mal.
Depois, quando passarem o medo e a angústia,
apegue-se de novo.

É bom estar apegado.
É bom estar vivo de verdade.
É essencial estar amando.

SEM DONO

Hoje ela me ligou e me tirou o sono.
É muito difícil dormir, quando uma mulher linda te liga
dizendo que quer transar com você,
nem que seja por telepatia ou em sonho.

E fica ainda mais difícil dormir,
quando você sabe que ela está cheia de sensualidade
e sem dono.

E não pensem que eu gostaria de ser o dono dela.
Pelo contrário.
Se assim o fosse, acho que teria ciúmes de mim mesmo.
Seria como ter que conviver vinte e quatro horas por dia
com um odiado rival.
Acho que, se eu fosse dono dela,
eu me dividiria em dois.
Um seria eu mesmo.
Outro seria o dono dela.
E os dois não se dariam bem.
Viveriam às turras.
Detesto qualquer um que se arvore a ser dono dela.
Inclusive, eu mesmo.

Ah, e como me excita sabê-la sem dono!
Sem dono ela fica mais bonita, mais amor, mais sexo.
Livre, ela fica mais mulher.
Sem dono, ela, leonina, vira uma leoa e eu, virginiano,
torno-me um [re]desvirginador voraz.
Sem dono, a alma dela me seduz de uma forma sexualizada
e eu fico imaginando, enlouquecido,
como seria se eu pudesse penetrar sua alma,
como faço em seu corpo.
Seria divino, se eu pudesse gozar em sua alma,
encharcando-a com espermas espirituais.
Que loucura! Mas, é assim que eu fico:
louco, quando ela está sem dono.

Exorcizo meus pensamentos malucos.
Esqueço da fantasia sobre a alma
e lembro-me do corpo dela.
Queria tê-lo agora.
Mas, às vezes, as coisas não podem ser como eu quero.
É muito tarde para atravessar a cidade.
Melhor conformar-me em ficar na imaginação,
lembrando-me do corpo dela,
agora sem dono, como eu gosto,
e, de preferência, nu.
Imagino-a nua e isso me excita.
Mas, fico só na excitação.
Não ousaria traí-la.
Nem com a minha própria mão.
Não agora, que ela já não tem mais dono.

Parece loucura, mas é assim que a desejo.
Sem dono.
E, por mais que possa parecer contraditório e incompreensível
[ela, tenho certeza, compreende],
só assim consigo ser dela plenamente.
A verdade é que, agora, ela me possui.
E, sem dono, ela é plenamente minha dona.
Senhora de mim, ela reina absoluta
em todas as posições possíveis e imagináveis,
proprietária exclusiva do meu pênis, da minha língua, das minhas mãos,
de todo o meu corpo e, até, da minha alma.

Porque é assim que a amo. Sem dono.

É assim que eu gosto de ser dela...

ARMA MALDITA

Desfigurado, esvaiu-se em sangue sem sequer gemer.
Segundo os jornais, foi só mais um trágico acidente.
O revólver, nas mãos da criança, estrondou sem querer
e a morte, impiedosa, levou-lhe o irmão inocente.

biografia:
Luiz Psulo L. de Araújo

Professor e escritor, Luiz Paulo L. de Araújo [Luiz Lyrio] é natural de Belo Horizonte. Formado em História pela UFMG, lecionou durante mais de trinta anos em várias escolas das redes pública e particular de ensino. Publicou os livros GRÊMIO LIVRE: UM EXERCÍCIO DE CIDADANIA [1998], NOS IDOS DE 68 [2004], MARCAS DE BATOM [2OO4] e ABDUÇÃO [2007]. Em 2005, por sua crônica \'ALICE NO PAÍS DAS ARMADILHAS\', foi agraciado com o PRÊMIO DESTAQUE no V Concurso Rubem Braga de Crônicas [Cachoeiro do Itapemirim - ES]. Em 2006, teve seu conto \'PARA QUE CAMINHAR?\' classificado em 6o lugar para publicação em livro no CONCURSO LITERÁRIO FLIPORTO - 2006 [Porto de Galinhas [PE]]. Em 2007, teve seu conto CORPO FECHADO selecionado no VI Prêmio Literário Livraria Asabeça [São Paulo - SP] para publicação em antologia e ganhou Menção Honrosa no 5º CONCURSO LITERÁRIO GUEMANISSE DE CONTOS E POESIAS.

revistalo@yahoo.com.br

 

Desarrollado por: Asesorias Web
s
s
s
s
s
s