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Edilberto Cleutom dos Santos
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia
I

As rosas, elas no calam mesmo
que lhes peam os poetas:
falam pelos cotovelos
se os tivesse alm dos caules.

E se tanto atrapalhe todas das coisas
que digam,
fingem-se moas perdidas - perdizes! -
soltas nos ares e viram
rosas-palavras
com asas.

II

O anjo pousou no galho fino
e ainda alertei-o do perigo
mas, como todos os seres divinos,
teimou comigo sobre o que mais certo,
dobrou as asas,
fumou o meu cigarro,
e caiu ao cho profano.

III

Cantou, danou, correu entre os jardins
e, ao fim dessa aventura
destinada,
caiu em si cansado de ser s.
Os restos mortais de
sua loucura ainda fremem ao cho
como formigas.

biografia:
Edilberto Cleutom dos Santos

Toda biografia almeja ser uma casa de vidro. Exibir utopicamente o autor em pura transparncia - tropeando sempre na opacidade. A do corpo e a da prpria linguagem. Nascido potiguar, luz da estrela d'alva, em 29 de abril de 1969, trago comigo a marca da ambigidade. De pais morenos, de pele negra, tenho - por herana de avs -a pele branca, sardenta e os cabelos ruivos. Especialmente minha infncia foi dividida entre a capital ensolarada e lambida pelo mar [onde nasci] e o serto spero e ardente [terra de meu pai]. Mais estudante que estudioso tive a virtude secreta da curiosidade. Com ela, descobri mais do que aprendi. Quando no descobria, inventava estrias. Arte que aprendi, aos pedaos, de pais, tios e avs. Contadores de casos e acasos - todos a 'mais pura verdade' mas sempre 'absurdos'. Entre a escola pblica e as Quintas [bairro de periferia] cresci. A UFRN deu-me as Letras; e a PUC de So Paulo, a Semitica. A primeira iniciou-me na arte de ler; a segunda na arte de ver. A somatria de ambas resulta na criao - que a arte de pensar. A matria da criao vem do que pulsa, como o caso dos dez anos vividos em So Paulo. Atualmente, resido em Natal, lecionando no Colgio Nossa Senhora das Neves, com a dis-ciplina de literatura infantil e juvenil, no ensino fundamental. Experincia que me permite desenvolver a outra face da criao: a arte de contar estrias. Posso, por isso, dizer-me profissionalmente um 'estoriador'. No mais sou um amante das palavras e dos nomes, o que me aproxima da poesia. Vejo na sorte de todos os nomes a poesia inscrita. A ttulo de exemplo posso citar o nome do meu pai, Francisco Albino, cuja meno ao branco contrasta com o fato de ser negro. Minha me, Margarida Celensia, e minhas avs Cosma Generosa e Maria Dionsia so verdadeiros poemas concretizados na matiz do corpo.

vagna_edil@hotmail.com

 

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