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Zenildo Cezar Costa Ferreira
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia

SACRO MANCHADO EM SANGUE E LÁGRIMA

Na noite escura sinto algo chorar
Sim vejo anjos chorando
E em meio ao badalar de sinos
Vão pingando
As lágrimas dos choros divinos

Sim e meu ser pára
Em meio catedral
Vejo tantas catedrais
E da branca pureza se escancara o mal
Em risadas de satanás

Vejo anjos chorando
Tantos sacerdotes
Ouço em prece as suas vozes
A hóstia brilhando
Na mão de santos fortes

Mas uma mancha avermelhada
Tira o brilho alvo da santidade
Se espalhando pelos bastidores
Destes santos que são na verdade
Nada mais que atores

Virgindades sangram
Sangram como Cristo
Hasteado em cruz
Os demônios mangam
E incrédulo assisto
O obscurecer da luz

Votos vocações que vieram ao mundo
Para dizerem que há no homem
O espiritual além do animal
Imaculado maculado, imundo,
Transviado e desgarrado
Desejo carnal

Purezas virgens sangram!
Sangram! Como hóstia embebedada em vinho
Vermelho sangue santo
Na vertigem dos que as taças levantam
Voam prantos
Jorrando de espinhos

Pessoas que pensam tanto na eternidade
Que se esquecem da longevidade
Da breve vida
Pra ser vivida casta
Acham que é preciso apenas jejuar e rezar
Para os instintos acalmar
Não! Mas satanás
Curvando como animais
Diz não! Isso não basta

II

Banhado em lágrima e sangue
Digo a Deus: Não deixa que o mau mangue
De tua linda criação
Mas a razão desse santificar precário
É que castidade não se aprende em seminário
É preciso latejar no coração
Algo mais que sangue, mas que instinto
Algo que na minha humanidade eu não sinto
É preciso sentir vocação
É preciso sentir amor pelo sacerdócio
Saber que no casamento com a igreja não tem divórcio
Nem muito menos traição
É precioso não tratar santidade como profissão
Que em qualquer curso pratico se ensina
É preciso ter prazer
Ao saber que santidade é sina

OS ANJOS CHORAM

Os anjos choram
Nas noites friamente calmas
Em que as almas
Pedem e se perdem
Os anjos choram
Nas noites indiferentes calmas
Em que os traumas
Rendem e vendem
As prostitutas novas
E as drogas abrem novas covas

Os anjos choram
Na frialdade da noite
Em que as lágrimas rolam
Ao açoite
Lágrimas de meninos perdidos
Choros por ninguém ouvidos
E os anjos choram
Ao ver a natureza
E não poder comovê-la
Ao ver na frieza
O brilho de uma estrela
E um castigo
No seu brilho a morte de um mendigo

E os anjos choram
Choram mais ainda
Ao ver a noite linda
Linda sem se comover com tanta dor
Ao ver nas madrugadas
As crianças abandonadas
E os que vêm das farras
Que viram admiradores de estrelas
Para não velas
Escuto o angelical gemer
Diante de tamanho desamor

Mas na orvalhada noturna
Eu vejo um pobre vendedor
Já cansado da labuta diurna
Dando para uma prostituta
Um pouco do que ganhou
Sem lhe cobra calor
Nada lhe cobrou
E eu já naufrago de tanta lagrima a cair
Senti agora algo a sorrir
Constantemente a pedir o que todos ignoram
Faça o mesmo e mude o esmo
Tire a farsa a venda e a mordaça
Faça um anjo rir
Porque os anjos choram

CONSTELAÇÃO

Conduzido num fogo ardente
Entre mágoas te procurei
E na profundeza da mente
Eu vi que sempre te amei

E aí com a fúria de um algoz
E a pena de uma mãe que perde um filho
Tentei calar o verso e a voz
O amor eu seu tão belo brilho

Mas fui dilacerado
Não agüentei a dor de não te amar
Tudo muda foge o meu passado
Mas o amor fica no ar

E toda vez que respiro
Toda vez que meu coração bate
Enquanto sonho e vivo

Eu simplesmente deliro
Na esperança de amar-te
Ou na dor da qual me esquivo

Deixar de te amar é algo fatal
É como receber um golpe na jugular
É como ter uma ferida mortal
Na eternidade da alma a sangrar

Eis que o amor me eterniza
Como a sabedoria eternizou Quiron
E cada passo que a minha ala pisa
É tão sangrado que dá-lo é um dom

Pro centauro teve consolação
Mas só você é o consolo meu
E ainda se vira constelação
Seria para iluminar o rosto teu

A solidão é tão cruel
È o corte no meu coração posto
A amargurar a eternidade de querela

Mas quem sabe se olhastes o céu
E eu ilumina-se o teu rosto
E fosse a tua estrela

Talvez assim abranda-se o meu fel
E a minha vida teria um gosto
Que seria iluminá-la e vê-la

biografia:

Zenildo Cezar Costa Ferreira
é membro da Sociedade dos Poetas Vivos e Afins do RN, nasceu em Natal/RN, em 20 de março de 1991 e começou a sua longa viagem no mundo da poesia desde os 14 anos e possui como característica marcante em seu trabalho, o romantismo e a subversão. Tem publicado o livro \'Ai, ai, como é bom amar...\'

zenildocsf@hotmail.com

 

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