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Joo Loureiro
Nacionalidad:
Portugal
E-mail:
Biografia

Lábios de Mel

Neste morticínio de Outono,
Cansado de folia e desgosto,
Jaz o triste poeta, em sono,
Ébrio dos frutos de Agosto,
Sonhando febril, em abandono,
Teus lábios de mel e mosto.

Teus lábios de ninfa, beijam
Os meus - toque de mariposa -
Esta flor inerte ao vento.
E meus lábios, os teus, desejam
Sentindo o hálito de esposa,
Sôfregos desse casamento.

E, num acordar doloroso,
Sem querer quebrar a
Minha boca, de tão sedenta,
Neste amplexo amoroso:
Corpos ardentes de paixão,
Te explora, desejo formoso!

Beijo tua face adorável,
Teus olhos fechados, carinho,
Teus seios rosados, doce sugar.
Beijo teu ventre a palpitar,
Teu velo, tacteio o caminho,
Num convite, meigo, afável.

Beijo as tuas pernas em arco
Que anseiam prender, em enlace,
Meu corpo no teu, em osmose,
De que me furto, tão parco,
Para que te cheire e abrace
Num ritual, dança, que te espose

Sobre ti, pétalas de rosa,
Lanço, e ébrio desses odores,
Te beijo, carícias ternas,
Renovo a junção amorosa
Enquanto esvais teus humores
Fonte de correntes eternas.

Nesta vida primaveril,
Renovado de prazer e cio,
Te afago o corpo fremindo.
Te penetro, suave e viril
Teu intimo, fundo macio,
Devagar, gozo, indo e vindo.

Neste ardor, dia de verão,
Teus prazeres, meu delírio,
Sonho nosso amor infindo...
Teu corpo tomado, vulcão,
Teu corpo , um campo de lírios,
Brotando vapores, se vindo...

E retomo teu corpo nu,
Num delicioso orgasmo
Tudo de mim, êxtase e linfa
Que se entranha, minha ninfa,
Nesse teu corpo, em espasmo
Teu corpo no meu, ou eu e tu.

Mas eu, mortalha de inverno,
Cinzenta, nublada, dura,
Perco-me no poeta, tremendo
chama eruptiva, inferno,
Estúpido, bruma escura,
Viela sinistra... Horrendo!

Paisagem Viva

Sentado, de olhar, em redor, vadio,
sobre imponente muralha anciã,
outrora do burgo nobre guardiã,
afundo-me na vastidão - ânimo vazio.
Fosse eu majestosa torre de menagem
e abraçaria, cioso, a magnificente paisagem.

Recortada na abóbada de anises celestes,
por base em repouso, o solo castanho-doirado,
aqui e além, de verde-árvore pontilhado,
de negros caminhos e geométricas multicores vestes.
Fosse eu árvore, ao vento da brisa, ondulante,
espalharia meus ramos na imensidão distante.

Neste dia solarengo, porém cheio de solidão,
procuro enxergar a tua singela e cândida imagem
e, esforços infrutíferos, prossigo a estática viagem
entre sobressaltos de sístole e diástole do meu coração.
Fosse eu ser dotado de asas e, a outro alto poiso, voaria
procurando alimento para alma sôfrega, decerto te avistaria.

Por onde andarás alma irmã, que meus olhos não te enxergam?
Que penumbra repentina me oculta, mesmo na luz, o teu rosto?
Já não sinto em meu corpo os teus lábios, de mel e mosto,
que, beijando num sussurro, os meus sentidos aos teus vergam.
Fosse eu teu escravo, merecedor de castigo, pobre miserável,
seria para mim tua frieza, ou desprezo, um gesto breve e afável.

Mas, hoje, nem a tua presença vislumbro, tudo é breu,
apenas, cerrando as pálpebras, sou submerso na recordação
do teu odor, da tua voz, de todo o teu ser, que, por maldição,
logo se esfumam, na realidade de um espaço que morreu.
Fosse eu artista consagrado, eminente escultor,
Esculpiria cinzelando, no meu coração, o teu amor.

Ah! Amada minha, que dos teus encantos me restam subtis vapores,
que me inebriam, e me lançam em romagem alucinante,
qual peregrino, pelo mundo só, num eterno devaneio irreal, errante,
ave de arribação, de ninho usurpado, lançando gritos ensurdecedores.
Fosses tu o meu farol-guia, montanha, chão sagrado,
jamais me separaria do teu seio, protegido e amado.

Anjos

Se fossemos Anjos,
O Amor seria eterno,
A dor sempre ausente,
Ambas as almas unidas.

Se fossemos Arcanjos,
O beijo seria fraterno,
O abraço envolvente,
As carícias vividas.

Se fossemos Querubins.
De beleza intemporal,
Teríamos menagens,
E altares d\' incenso.

Se fossemos Serafins,
Derrotando todo o mal,
Entoaríamos mensagens,
De paz e d\' amor imenso.

Se fossemos sobrenaturais,
Voaríamos espaços e céus,
Zelaríamos por universos,
Protegendo os amantes.

Mas pobre de nós mortais,
De nudez amorfa, sem véus,
Feitos d\' úteros mais diversos,
Em infernos imersos, errantes.

Se fossemos, apenas, ascetas
Exilados e sós neste mundo,
Seríamos musas dos poetas,
Em líricos d\' amor profundo.

biografia:
João Loureiro

Nascido em Lisboa, escrevo o que me vai na alma, escrevo sem pretensões de \'voos\' elevados, mas escrevo porque amigos querem que eu escreva.
ASbraço a todos os poetas do mundo, Senhores da Paz

rjoaomloureiro@gmail.com

 

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