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Manuel Marques
Nacionalidad:
Portugal
E-mail:
Biografia

1. Mar

Foram dias de súplicas
não me sentia extraordinário
nem havia o sentido da liberdade deliberada
não o raio do amor não cirandava na espuma
na fúria do mar revolto pela tempestade envolvente.
Olhava em redor
a paga era apenas o vento a desgastar as rochas
do pedaço mais Ocidental da Europa
consumi um pedaço de consciência já apagada
redimi os pecados a um deus sem forma
a uma entidade sem crença nem abalo.

Foram os dias da falta de abraços quentes
dos beijos urgentes
antes da chegada de algum demónio antigo
e quando chegava a manhã, da ressaca e do silêncio ao redor
apenas o mar acalmava o desejo
de por fim às súplicas de ignorância
de imaturidade e inconsistência.

E eu fiquei ali sentado,
a olhar para o desconhecido
à espera dos teus olhos de sereia
do chamamento de Poseidon
que me levasse para longe
para a profundidade
onde nem os peixes se escondem
apenas o que poderia ser o dealbar
a aurora de uma nova encarnação
o descanso da fúria mesquinha do adeus
à solidão sem amor nem tesão.

Abracei o mar, na fúria de uma onda destruidora
como todas as ondas gigantes em forma de pesadelo
perdi o medo das consequência, do pecado sem significado
segui sem preocupações até te ver
até sentir que o amor poderia ser algo superior à morte
e rezei, rezei como nunca soube nem quis
e tudo escureceu em volta
em desejos oprimidos pela realidade tensa
mas Poseidon continuava a ser o meu desejo imerso
numa conclusão longe de assentar definições.

Não, não tenho paixão pelo dias de hoje
não sinto o amor que devia
apenas o mar entende a ausência do amor que não tenho
apenas a sua força destruidora, apaziguadora
me fará renascer para além da Atlântida
num qualquer outro continente perdido.

Não creio nesse amor que todos apregoam
na doçura de um espírito sem ardor
apenas a solidão, o desconhecido,
o mar nas suas idiossincrasias me fascina

Com o mar não há desapontamento
apenas um fim em caso de afrontamento...

2.Cratera

O corpo jaz cansado pela loucura não suprimida
As cicatrizes da existência que urge esquecer
Tudo está lá para sempre, mesmo sorrindo, mesmo avançando

Pela inveja dos que não sabem crescer
De ter vontade própria
De apenas copiarem os sentidos
Convinha fazer uma prece ao Senhor para os levar consigo
Para aquele mundo de contenção

O corpo jaz cansado e sem vontade de recuperar
Pela mente casada com o ridículo e banal
E tudo o que envolve a vida da rotina
Apenas um precipício por onde apetece fugir

E no entanto a vida continua
Dentro de camadas vegetais
Que nos entorpecem
Que nos acanham a inteligência
Por um sorriso conveniente
Apenas ir sem saber porquê...

Abriu-se uma cratera na minha alma
Avisto a lava escaldante com os seus vapores envenenados
Prestes a explodir
Prestes a acabar com a vulgar consciência dos vendidos

E apenas quero viver
Apenas quero seguir caminho pela tranquilidade
Do sopé da montanha
Olhar para cima e ver ter tempo para respirar
Sem que a cratera se encha dos medos inculcados

O corpo jaz cansado
Entorpece a mente com a infelicidade
Mas a vontade segue firme
O coração bate compassado
A alma está desencarcerada...

3. Repousei Porque Abdiquei

Lutar pela sobreposição da dignidade perante o fracasso
Ficou desde cedo acordada a informação melhor adequada ao destino
Como se fosse possível enganar a presença latente da morte.
Encolher os ombros e resignar torna-se então o mais fácil
Cresce então o entusiasmo pela vulgar condição de ser humano.
Nunca nada há-de provocar a abdicação da alma, mesmo desencorajada,
o corpo nunca se há-de sobrepor à superior condição do espírito

in \\\'o medo do dia seguinte\\\', magna editora 2007

biografia:

Manuel Marques
nasceu a 6 de Abril de 1972 em Lisboa, cidade dos seus amores e perdições. Por mais que viaje e saia, sente sempre a saudade dessa mística que não encontra em mais lado nenhum, paixão pura, apesar de andar sempre em fuga.
Em pequeno devorava livros de aventuras de Jack London que continua a ser o seu autor predilecto. A grande influência da sua escrita para além do silêncio e da solidão proporcionada pela noite é a música, muito do que escreve muitas vezes muda perante o que ouve sendo uma forte influência toda a envolvente sonora.
Tem uma fixação enorme pelo mar e pela Serra de Sintra, pelos recantos escondidos onde já namorou muitas vezes, dos longuíssimos passeios a pé e das noites de Lisboa.
A nível profissional: versátil. Poesia não casa com ensino de condução nem com banca, mas muitas outras coisas que faz também não.
A poesia nasceu, assim, acidentalmente; sem nunca a forçar, saindo com uma fluidez que até ao mesmo surpreende muitas vezes.

marbm@sapo.pt

 

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