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Edmundo Lus Ribeiro da Silva
Nacionalidad:
Portugal
E-mail:
Biografia

AMOR

O amor é uma deusa incorruptível
que bebe da nossa líquida devoção
esse Sol que a pele carrega com braços de âmbar.
É um animal estelar com as asas acesas e brandas
que magoando o ar com largos mimos
afaga a nossa indecisão de o deixar viver ou morrer
dessa sede de que ele próprio crê ascender
como transcendência da sua própria transpiração.
Tem a fome do mundo, mas o universo quere-lo comer,
porque os sentidos são mais fortes
que esse desespero de vir a ser luz um dia
em que a sombra será o espelho partido
dessa vaidade de amar dormindo no próprio calor do escuro.
O amor é uma inexistência sagaz e imaculada;
prova amorfa da nossa ilusão sentimental.
Quem nos pediu para amar não foi deus-homem,
mas esse homem-deus que pariu na sua solidão
a massa com que fez o sentimento e depois a luz.
Amar é o princípio de tudo, mesmo do Universo,
com cavidades estelares escondendo a verdade
para que um dia tudo exista em si como na origem.
O amor veio um dia dessas cavernas estelares
iluminar todos os ninhos e lírios que o átomo plantou
quando eram sencientes os ares e os cristais
como se a eternidade não fosse mais que uma pedra
e a luz uma gaivota que manchasse o coração
com o canto do seu voo sussurrante.
O vácuo não é mais que o tapete onde o amor nasceu,
onde a magia se fez aparecer para que o dia fosse
e a noite existisse e o musgo do sentimento nicho
onde adormece o mar da sublimação perene e perfeita.
A semente desse fusco desconhecido é a luz,
é a energia cambiante do oco que cheio é pelo próprio amor,
é o útero misterioso cintilando no céu
a láctea substância que arquitecta os sentidos
numa corrente interna e superior de brilhos eternos.
A própria física do amor explica-nos o defeito
em pensarmos na aglutinação afectiva e dolosa
que esse universal perfume nos provoca na alma,
o magno senso é pensar no sonho como escola
não o sentirmos como delonga da nossa iluminação.
Tudo no vácuo é corrigido e o relógio soletra a nossa paz
com ponteiros de areia e sons de melancólico mar
como se o obscuro fosse o nosso feto e o início da liberdade
e a sina o farol que nos empluma a vida engastada
derramando os sóis do espírito sempre que a fé se perde.
A sensação que o amor nos dá é ela própria a fruição
que nos acompanha sempre que a vida se afunda no céu
como se o espaço fosse a física suficiente para voarmos
e morrermos pelo branco em que nos transformamos
depois de amarmos, depois de amarmos como estrelas
esse invisível ar sagrado de músicas em silêncio.
O Amor é a sublime oportunidade de nos sabermos,
de agarrarmos a eternidade pela beleza dos seus filamentos,
de sermos únicos e serenos como o mar em paixão,
de fugirmos pelo Universo como seres transparentes,
de nada ser e tudo na filosofia incorrecta de um planeta,
de escolhermos as cores da eternidade
e dormirmos secretamente na jangada do sonho
que ao irmos parados vislumbramos o início da nossa verdade e certeza.
O Amor é o bálsamo, a panaceia, o pergaminho,
a pedra que contém a pedra, a filosofal, o brilho
o cristal de todas as auras, o livro de todas as almas
o mistério último da nossa prometida liberdade.
O Amor é o segredo mais claro de toda a nossa vida.

Edmundo Luís

27/12/2002


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Por onde o Sol ouvir a cadeia eléctrica dos álamos

Por onde o Sol ouvir a cadeia eléctrica dos álamos
os meus olhos sentirão a fibra mágica da equidade
e num sémen de álcoois diletantes e sedosos
a verdade ínclita de uma sápia uterina
que me ensina a voar delícias e mais alquimias de Amor.

Abro o meu livro de corais incandescentes e ébrios
e na lombada animal do seu magnético prefácio
descubro uma seiva canora e transcendente de palavras
que são já tâmaras de um Amor sedento e grávido
dessa Alma generosa e ávida que é fruto já da minha verdade.

Por isso a sumidade de uma laranja se converte em mar
para que os beijos sejam fecundos no éter primordial dos astros
e na várzea colorida dos oceanos um sorriso extasiado de felicidade
seja este que nos demande o Amor na sua forma sagrada.

Edmundo Luís

5/11/2005


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De todos os pergaminhos que o caminho orienta

De todos os pergaminhos que o caminho orienta
Na sua demanda de outros orientes que não estes estafados
Do pouco discernimento que as mentes viciadas tendem a usar
O mais fácil de se sentir flutuar é esse que as mãos não tocam
E só o vento sabe descrever com as cantatas das brisas quentes
Que o pescoço latente segue sem nada mais pedir que o cerne

A latejar vão as línguas interstícias que se acomodam no cartaz da porta
Mirando não só o caminho como a paisagem dos deuses que o vinho não consegue pintar

Vão sendo outras bífidas tonturas sentidas, mas nunca como estas,
A luz que dispara aos ermos o fino fio da consciência
Não é a mesma que engana a safra do dia com cores

À noite o mocho bebe a sabedoria regurgitando abalos aos sonhos;
De cantar, o céu embala a beleza que nos satisfaz pequenos,
O maior segredo vive no ápice de uma descontínua genialidade.

E não interessa que o pardal não seja cádmio ou esfera arquejante
Ou a nave das nossas falésias tão insegura e irregular como o acto de amar
Ou as chaves que seguram o alvorecer em surdo e ébrio segredo
Sejam afinal manigâncias de um ilusionista maior.
O que importa são das nódoas do ar a sentinela de que isto não vai acabar
A contínua exortação desses poderes será o nosso eterno alvorecer.

Edmundo Luís

Domingo, 19 de Maio de 2002 - 1,15h


biografia:

Edmundo Luís Ribeiro da Silva,
nasceu a 24 de Julho de 1972 em S. João da Madeira, Emigra, ainda com tenra idade, juntamente com seus pais, para a Venezuela, país onde faz os estudos primários, que interrompe para retomar em Portugal, com a consequência de o fazer recuar nos estudos devido a incompatibilidades culturais dos dois países. A reaprendizagem da língua portuguesa tornou-se por isso numa aposta pessoal intensa, que o levou a deixar-se cativar por ela até hoje. Conclui o 12º Ano, do curso de Design Industrial, no Porto.
Formado em Design de Calçado, exerce actualmente a profissão de Estilista de Calçado como freelance.

É, contudo, no acto contínuo de escrever, na descoberta dos mundos inteligíveis da Alma, criando os universos poéticos da sua individualidade, que vive realizado, que sente verdadeiramente a arte da Vida.
A escrita revela-se, desde cedo, como uma expressão da sua evolução pessoal, a base da procura da sua essência.

Com alguns poemas publicados em jornais, tem participado em concursos nacionais de Poesia.

Livros:

DA POESIA - Antologia de Poesia Portuguesa Contemporânea – Volume VI – Editorial Minerva [1997]

Prémios:

Terceiro lugar na categoria de Poesia nos Jogos Florais da Junta de Freguesia da Ameixoeira [2002].

edgaivota@gmail.com

 

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