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Diego Braga
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia
1. CANTO DOZE

I
O lenol verde prenuncia npcias.
Deuses adormecidos.
Perfumes se insinuando
no mundo que desperta.
O que a imensido, ali, diante de mim?
Aqui, onde a viso,
levada a transpor limites ,
nos revela, afinal, compreenso:
os deuses vendem quando do.
No h azul, mas o mar patente.
Pathos: imensas ondas plangentes.
Quando vivemos vemos vir no vento
o destino, somente:
O nada no tudo nossa frente.

II
Um caminho leva ao latente.
Ltha corpo-em-gesto
que anima a seda na dana do kashf.
Shakti vestida de Maya.
A mais pura das vestais.
O mistrio entre tecidos,
A verdade e o sentido,
o ignoto em seu sabor,
o invisvel em sua cor.
O poeta em mahjub
deixa ver a lua
como um ator invisvel.
Ulisses teve de se velar,
quando Demdoco cantou,
para que surgisse Odisseu.
Setenta mil cortinas de luz e trevas
no so apenas um detalhe,
e foi assim que Moiss
teve de se cobrir
ao falar a seu povo,
e sacralizou-se o imperador da China.

III
Pedras ao sol.
Sonferas guas adormecem seres e Ceres:
to humanos campos cultivados.
Sem cultivo, ela pletora.

Nessa escada que subimos, chegamos.
Profundas guas desguam no profundo sono.
No comunico: o que digo j nos prprio.

O que so palavras?
Estas to assim estas
que quando as escutamos,
apenas o silncio nos resta?
Calma festa: npcias se anunciam:
deusescachoeiraventomontesverdessonsguas.
assim quando linguagem,
e as coisas parecem to despudoradamente juntas.
Eroticamente unidas.
Festa em que todos se ausentam e a natureza
o presente do mundo que se cala.
Esse perfume de ips floridos.
Esse odor acre dos arbustos ressequidos sobre pedras lisas.
Eis o dom.

IV
H histrias de chuvas reveladas pela gua
e gravadas por dedos antigos nas pedras.
Herdamos esse sangue, o dom, a linguagem.
Palavra que estas e aquelas se imagem.
Escutamo-las e dizemo-las,
e eis diante de ns a imensido!
Esperando encontrar o inesperado,
aqui, entre teias,
onde o lugar,
lanado em mostrar-se,
brilha, belo.
Cala mas no emudece a fala.

[do livro 'Entreteias'. So Paulo: Scortecci, 2007]

2. 'Excerto'

Mais uma tentativa de aprender a morrer, que coisa de se agir at cessar de aprender:

Tem um menino tocando flauta
na proximidade duma estrela alta,
que o escuro deixa passar
entre nuvens brancas como gueixas,
que brilha como santa,
Nossa Senhora,
e ora piedosa pela falta que faz,
agora,
o intervalo que jaz
entre a flauta rouca da criana
e canto do galo que anuncia aurora.

H um poeta em mim que deus me disse,
mas sou ateu.
Tudo que se disse, no fui eu.
Foi como se ouvisse,
de algum que se escondeu,
cada palavra que, anotada,
se faz nota e no diz mais nada.
Autoria sepultada matria de poesia:
artria cortada que nos silencia.

[do livro ASSIMETRIAS]

3. DANA

Leve como as pedras dormem nos caminhos
Livre como a vida escrita nas estrelas
Donas do porvir, eu amo sem sab-las
Mesmo quando falam coisas to temidas

Salta como as linhas tortas das colinas
Sonha como as horas correm pelas veias
Vou chorar ou rir, seguindo o que me ensina
Fico entregue aos frgeis braos sem rodeios

Das pequenas quedas surgem corredeiras
Sem se perguntar dos mares que as esperam
Nem sequer pensar nas margens que lhe beiram

Vem distante o aceno e a despedida minha
Simples entre os lbios a resposta inteira
Quer me devolver segredos que eu no tinha

biografia:

Diego Braga
nasceu no Rio de Janeiro, em 1980, Graduou-se em Letras pela UFRJ. Atualmente, conclui sua dissertao de mestrado na rea de Potica, pela mesma instituio. Estreou na literatura em 2007, com os poemas do livro 'Entreteias', e autor do tambm potico 'Assimetrias' ainda indito.

diegofbpereira@yahoo.com.br

 

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