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Lucilene Machado [Cnsul - Z-C-Campo Grande-MS]
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia
NO SILNCIO DAS RETINAS



Hoje nos deitamos ao mesmo tempo. H dias em que me deito antes s para ter o prazer de fantasiar, enquanto tu caminhas pela casa e organizas trabalhos dos dias vindouros, disponibilizando tempo para nossos passeios com o co, nosso olhar estrelas no terrao, cinema, lentas danas, caminhadas pelas avenidas floridas [nosso amor como cacho amarelo de jasmim], refeies luminosas e tantas outras coisas to nossas que ningum saber senti-las. Depois vem aquela sensao quase infantil de ouvir teus passos se aproximando, sentir teu cuidado ao me cobrir, a ternura doce ao beijar meus cabelos e ajustar-te ao meu corpo, na certeza de no atrapalhar meu sono. E eu finjo, finjo dormir, s para estar desprovidamente entregue aos teus cuidados.

Logo, sinto tua respirao na minha nuca e tento resistir, mas nenhuma promessa de sono seduz mais que o toque do teu p por baixo do lenol. Uma intimidade que me revira, e eu vou me encostando, me roando nos teus dedos, corpo manhoso e feiticeiro num jogo secreto de quer-no-quer, vem-no-vem, faz-no-faz... Sinto cheiro de terra, de algas no fundo do mar, noite se desintegrando, tomos dispersos e os calmos despojos do amor. Para sempre as nossas mos amalgamadas. Para sempre as promessas. Chuvas secretas de teus lbios, s meu, sou tua.

No entanto, em dias como hoje, quando tudo foi premeditado, fica essa desarrumao. Garrafa de vinho embaixo da cama, taa embaixo da torneira, p de sapato perdido, cad a roupa? E a gente transpirada, com preguia de tudo, meio rouca, meio mole... e tu, como um menino, encolhido nos meus braos, transpirando cansao, sonhando o sonho dos bem-aventurados. Aqui neste quarto tecemos o fio de nossa histria. Cada clula um poema. Amo-te tanto, que tento lembrar uma cano de ninar para te aninhar no meu abrigo. Amanh quando as flores se abrirem ao orvalho das ptalas, na hora em que as calndulas se colorirem com um amarelo-luz e o sol perfurar os telhados das casas e entrar pela nossa janela, tu te levantars da cama devagar e com olhar de silncio tocar a porta da minha alma. Sempre ouo a voz do teu corao, mesmo quando ela tem escalar o vento dos oceanos e esticar-se toda no infinito para me fazer acordar deste sonho.

COREOGRAFIA INVISVEL


No sei o que pensam os pssaros quando, nas tardes de sbado, dormem sobre os fios de alta tenso. Os pssaros tm sbados frustrados. Todas as coisas que podiam ter sido, no foram. Tambm no sei o que pensam os homens enquanto dormem os pssaros pelos sbados adentro. Sei que os homens tm insnia e fecham janelas. Instituem a escurido, apagam as palavras e desintegram-se em longos silncios. As coisas que poderiam ter sido? No tm importncia. Em qualquer tempo h fios de alta tenso e pernas de mulheres com sangue fervendo. Tantas que chegam a ser ignoradas. Despojos do amor? A desproporo criou homens-deuses vulgares e divinizados. Criou profissionais especialistas em argumentao. Braos em torno do pescoo, bocas de esttuas coladas e msica para preencher os vazios. Mas o objeto deste texto o amor. O sujeito tambm. Amor em construo. Quatro paredes lentas e penosas do lado de c do horizonte onde pretendo improvisar ninhos e desprender pssaros do sonho.

Mas o tempo urge, razo pela qual me deito, mesmo, terra. Todas as coisas se revelam e se negam continuamente. Finjo no perceber. Repouso minha cabea sobre o seio da ignorncia. A fsica rodeia os meus limites. H coisas se encontrando tambm fora de ns. A fico quer escrever minha histria. Que imagem faria? Oh! vida, esse tempo desperdiado dentro do olhar. Minha nica tristeza no triste. Incongruncia? Limpe os olhos que este texto tem a loucura da forma. Plasticidade e linguagem. Os literatos, os eruditos e eu, e nada de concreto. Que sabemos sobre os pssaros frustrados sobre o fio de alta tenso? Somos carentes de amor, sexo e sonhos. Somos carentes de sabedoria. Um dia Deus apareceu homem entre os homens e o crucificaram. Da meu medo de existir. Da esse silncio spero de Sbado. Meus conflitos me apequenam. Gritos surdos por dentro. Somente as palavras so capazes de secar as lgrimas. Palavras e dedos. Dedos escalavrados pelo tempo percorrendo traos e linhas do meu rosto. Doce ternura para quem partiu todos os espelhos e j no mais se reconhece. Eu que tenho em mim o movimento dos outros, o conhecimento dos outros, o idioma dos outros, a reao dos outros... eu sulcada pelos outros e estrangulada pelas minhas prprias mos. S o amor me salva. S o amor produz essa lentido sagrada de observar pssaros cheio de vos. O amor sabe de cor os vos e os movimentos. Conhece o lugar, o istmo onde os homens choram. Os homens so belos, sobretudo, quando choram. Homem-mar numa ilha de chuva. Uma imagem onde me completo. No totalmente. Uma mulher satisfeita traz em si um ponto final. Eu tenho vocao para reticncias e excessos. Amanheo e todas as bocas se abrem. Famigerada fome de idealismo. No nos basta a vida?

O pssaro olha com todos os olhos, mas nada avista. Tem os sentidos esquecidos. Esqueceu-se de quem era, de como era... s sabe cantar, cantar. Se respirasse uma idia, tornar-se-ia gente com todo niilismo inerente. Gente que nega qualquer coisa a qualquer hora. Que nega a palavra, a raa, as idias.. gente que nega a cruz, a histria, a colonizao... gente que ignora as tardes de sbado quando discretamente um pssaro voa estabelecendo ligaes entre as coisas visveis e invisveis.

Pelos caminhos da noite



A noite triste. Li isso em muitos livros. Nas linhas ou entrelinhas, sempre um vazio entre um sol e outro. Falta de reflexo nos olhares. Desejos partindo. Dor estendida na folha da rvore que a moa apanha por no ter nada mais a fazer. Um tdio desolado entre os verdes da esperana. Que falta faz os lenos usados para o adeus! A vida to rpida que no sobra tempo para eles. Mastros de navios, quilhas de veleiros, soltar ncoras, vapores...

Ontem o mar passou por aqui, mas ningum conservou intacta a memria. Cobrimos, to logo, os sonhos com um chapu. Ficam apenas os flashs. Um apito aqui, uma luz piscando acol, um latido rasgando o tempo. As histrias adormecem numa necrpole. preciso falar rapidamente para no se esquecer o que veio dizer. Compete-me assim, sem pensar muito, dizer que morri vrias vezes. Vrias vezes bati porta de Deus. Vrias vezes, ressuscitei. O mundo? Permaneceu deitado diante de mim como uma terra de sonhos. Passagens e paisagens, tempo e vento. Encontros. Fui to longe, e voltei com um vazio no peito. As elipses deram ao verbo uma chance de escolha. Escolha uma palavra enganosa. Ningum escolhe morrer embaixo de uma rvore. Lber! muitos sonhos morreram descritos nas entrecascas das rvores.

To tristonhas as noites que j no voltam! To estranhos os beijos relembrados depois dessas mortes! Beijos profundos. Penetrantes como o gorjeio de um pssaro a desobstruir ouvidos surdos. A vidraa, hoje, um quadro que reflete alguma vingana divina. Traos agudos cortando horizontes. Fio de uma navalha invisvel abrindo os abismos da alma. Pontos de silncio respingados pelo cho.

Um anjo alado corta o vento, a luz e depois sorri. Toca minha alma com dedos invisveis. No infinito, estrelas trocam palavras e a lua cheia, silenciosamente, d o ar de sua graa. Dano nas nuvens de minhas emoes. Acordes de flautas, assovios de brisas e sinais de um mundo vivo, to vivo que chega a assustar. Minha conscincia de vida exterior nunca alcanar tamanha lucidez. Meu viver se reduz a esperas. Espera de que os minutos materializem-se moda imperfeita dos homens e eu no esteja to cruamente viva, e to duramente exposta a essa claridade dos corpos celestes. Minha vontade, como ser perecvel, vencer a luta primria que me conservar sempre primria. Vida insana, quase inanimada.

Hoje o pensamento uma chuva fina caindo devagar. Meu corpo um cais velado pela solido. Vale a pena morrer toda noite por alguns segundos de um olhar. Bater a porta de Deus para ser tocada com palavras. Registrar-me no ncleo de uma orao em que o desejo etreo e lquido escorrer pelos braos. Um planeta distante espera. Um corpo isolado busca ternura. Idias perdidas em lacunas de vida. Iludida, existo com minhas fantasias entaladas na garganta da noite.

Biografa:
Lucilene Machado
Mestra em Estudos Literrios pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Especialista em Lngua e Literatura Espanhola pela Universidade Complutense, publicou as obras:

O gato pernstico literatura infantil Editora Ltteris, Rio de Janeiro.

Plntula poesia Editora da UFMS, Campo Grande - MS

Fio de saliva contos - Editora UNEMAT, Cceres MT.

Claricianas minicontos Editora 7Letras, Rio de Janeiro.

Claricianas - minicontos Editora Firmamento, Lisboa Portugal.

Tambm possui artigos publicados em Itlia, Espanha, Argentina e Venezuela. Ministrou palestrante em vrias partes do Brasil, Assuno e Portugal. Atualmente atua no departamento de Letras da Universidade para o desenvolvimento do Estado e da Regio do Pantanal - Uniderp em Campo Grande MS.

Membro da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras e da FALA Federao das Academias de Letras e Artes de Mato Grosso do Sul.



Alguns links com publicaes suas:



http://www.margencero.com/articulos/articulos3/madrid_lucilene.htm

http://www.elcoloquiodelosperros.net/laespanolainglesa.htm#lucilene

http://www.marenostrum.tv/index.php?option=com_content&task=view&id=142&Itemid=30

http://www.verdestrigos.org/sitenovo/site/resenha_ver.asp?id=191

http://www.margencero.com/relatos/rosas_rojas.html

http://www.acletrasms.com.br/texto.asp?ID=5

http://www.releituras.com/lumachado_mulher.asp

http://www.lunaeamigos.com.br/lucilene/coreografiainvisivel.htm

http://www.avozdapoesia.com/vozapoesia/poemas/mulheres_de_idade_media.php

http://www.pucpr.br/comunicacao/atualiza/arquivo/12/para_ler.htm

http://www.bestiario.com.br/13_arquivos/O%20ciclo%20de%20um%20vocativo.html

http://www.triplov.com/letras/Lucilene-Machado/index.htm


lucilenemachado@terra.com.br

 

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