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Moema Tavares
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
moemares@gmail.com
Biografia

Moema  Tavares

NASCI EM MINAS GERAIS MAIS FUI CRIADA NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, SOU ARTISTA PLÁSTICA MAIS GOSTO MUITO DE ESCREVER. GOSTARIA IMENSAMENTE DE FAZER PARTE DOS POETAS DO MUNDO.

 

EXISTÊNCIA Nº 2

Meus pés vão inventando estrelas
no firmamento do chão.
As pessoas estão seguindo,
sempre seguindo,
sem ver as estrelas.

A calçada é o espelho arco-íris
e meus pés vão inventando flores
pela areia da praia branca
num amanhecer
desfolhando primaveras.

Meus pés vão inventando
enquanto eu chego.
Meus pés vão inventando
e eu vou chegando.
Minhas mãos vão esquecendo mágoas,
meus olhos se enchendo de ternura.
Meus pés caminhando;
inventando estrelas...
flores... num deserto.
Minhas mãos vão lembrando ternuras,
meus olhos se inundando,
se inundando de você
enquanto meus pés vão inventando estrelas,
enquanto minhas mãos
dentro das suas,
vão inventando carícias...
vão inventando flores...
guardando lembranças
das suas mãos,
dentro das minhas.



DAS MÃOS

Queria dizer das mãos:
das mãos que cobrem as faces,
das mãos que escondem, respondem, caladas,
das mãos de silêncio, madrugadas;
das mãos que se tocam, se amam, se querem;
das mãos de encontro, chegada alegria;
das mãos quotidianas de todo dia
que se conhecem tão bem;
das mãos que cobrem vergonhas, passados;
das mãos que protegem as virgens.
Atrás das mãos eu estou:
das mãos da gente que chora,
das mãos da gente que implora.

Queria dizer das mãos:
das mãos que sabem, que falam,
das mãos que exalam ternuras;
das mãos que acendem a vela
e as mãos que guardam as cinzas;
das mãos, minhas mãos,
mãos de toda gente.
Mãos que escondem as faces
[dentro da face eu estou].
Mãos vazias como as minhas
agora...

Queria dizer das mãos:
das mãos que exalam lamentos,
das mãos que, silenciosas, choram
como as mãos de um Cristo, pregado na cruz.
Das mãos que acendem o fogo... que queimam;
das mãos que cavam a terra,
das mãos que germinam a semente;
das mãos que enterram os mortos;
mãos que marcam a aferro;
mãos que choram, gotejantes de orvalho,
mãos que fazem milagres, que trabalham.
São mãos da gente que pede,
são mãos da gente que implora.
Junto da gente eu estou.
Queria dizer das mãos:
mãos de espadas, de punhais,
de metralha pelo espaço
...e todo o espaço cheio de mãos
e todo universo de mãos.
Queria dizer das mãos:
de suas mãos tão distantes,
desconhecidas...
as nossas mãos são fantasmas brancos:
não existem mais.
Há tantas mãos pelas ruas.
Há minhas mãos sem as tuas.



FLASHES NA TARDE

Alguém que toca num acordeom uma valsa antiga.
Os pés descalços que passam.
Ao longe o Dedo de Deus.
O sol se espreguiça displicentemente.
Não é preciso correr, não, para que?

As crianças brincam:
o menino louro, o menino preto.
O casal de namorados porque é tarde,
tarde quente de verão cheia de vozes.
Os moleques pela rua dizendo palavrões
na tarde que passa.
Só o tempo não espera,
não espera que cheguemos.

A mãe ansiosa,
a estudante despreocupada.
Uma frase, um resto de poesia... de ternura.
Uma criança que chora.
Aquele rapaz de pasta na mão.
Os olhos azuis de uma menina curiosa,
de vestido azul, na tarde.

Eu passo.
O sol morrendo.
A tarde não me espera, só a vida.

As vizinhas fofocando.
As árvores ao vento.
A menina que derrubou as compras
porque corria... ou não podia com elas?

A velha casa ao longo da estrada.
Crianças brigando.
O poste de iluminação aceso.
Os trabalhadores que voltam para casa.
Um cão vadio.
..........................................................
A tarde que se espreguiça...
e morre.





 

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