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Ermison Frazzon da Cunha
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia
H de haver um dia...
H tempos mandamos o cu para o inferno
e descemos nele para viver!

H de haver um dia...
Em que os poetas nostlgicos
Sejam personagens de um distante passado.
Em que metforas sobre lobos
No faam nenhum sentido!
Em que o verso que escrevo hoje
No tenha motivo para ser lido.

H de haver um dia...
Em que a saciedade
Seja o motivo do ronco de qualquer estmago.
Em que o maior sonho ambicionado
Seja o sorriso de uma criana.
Em que os barretes no mais abriguem
A ignorncia e a vaidade to bem trajadas.

H de haver um dia...
Em que nenhuma voz se cale de frio,
Por falta de um cobertor de retalhos.
Em que nenhuma boca seque de see,
Por falta de copo d'gua.
Em que nenhum peito alimente o dio,
Por falta de um abrao.

H de haver um dia...
Em que os dedos que apertam gatilhos,
Apertem apenas parafusos de escolas.
Em que as mos que assinam tratados,
Se estendam quelas que nunca pegaram em canetas.
Em que os braos que impunham foices pro alto,
Se cansem apenas de arar a terra.

H de haver um dia...
Em que as bandeiras se dem conta
Que o vento que as flamula o mesmo em qualquer lugar
Em que as covas subam e digam:
O fim o mesmo, pra que brigar?
Em que os muros caiam e mostrem
Que as nuvens no fazem fronteiras.

Haver uma noite...
Em que o ltimo ouro assista;
-j sem valor algum-, a morte do ltimo corpo.
Este, antes do derradeiro suspiro,
Na solido das noites sem sombra,
Ao buscar o gelado abrao daquilo que tanto buscou;
Suplicar em prantos inaudveis
Pelo calor de uma mo
Que a sua indiferena matou!
E num ltimo lampejo de conscincia,
Ao buscar com os olhos
Um ltimo olhar de compaixo,
Ter na pele a dor daqueles
Que tiveram como atade o prprio cho.
E como extrema uno
O gentil olhar dos abutres famintos.
E o ouro misturado com o p
No reverberar o brilho que tanto encantou!

Hermison Frazzon da Cunha
Publicado no Recanto das Letras em 29/07/2005


Atravesso minha rua
J fui ferido
E sangrei
Combalido
Quase me entreguei

Aprendi que um guerreiro
Mesmo cado
No pode largar sua espada.

Pois com ela me ergui
Cicatrizes esqueci
E com a fronte levantada
Tive o horizonte inteiro para escolher meu caminho.

Atravesso
Minha rua.
Me despeo
De toda imperfeio
Que no mundo h!

Alguns passos e eu encontro
O mais belo dos tesouros
Que a vida guardou pra mim.
o meu colo meu consolo...
minha paz o meu porto...
o sonho dos meus sonhos...
mais do que tudo que eu sempre quis.

Ao teu lado nada invejo!Qualquer mil, qualquer um milho...
No h fogo e nem frio,
Tempestades e troves
Que me empeam de estar contigo!

Por ti desprezo o temor:
Subo montanhas, deso vales...
Atravesso qualquer deserto, qualquer mar...
Pelo teu amor
Eu enfrento at Haddes
Para a morte no nos encontrar.

J olhei pro mundo e perguntei:
Se vale pena tanta dor!
E quase me afoguei
No meu prprio pranto.
Mas se as coisas no vo bem,
verdade eu bem sei
Desejo um colo
Para quem no tem!

Que mal h querer nada querer?
Se quando atravesso minha rua
nada me falta!!
Ah!!
Se todos quisessem nada querer...
Salvo o bem querer.
Como eu bem te quero!

Hermison Frazzon da Cunha
Publicado no Recanto das Letras em 04/03/2006


Aoite na alma.
Em uma alcova de pasto,
nascia um pangarezinho.
E no galope contra o arame farpado,
ele conhecia o limite de seu caminho.

Potro novo puxava o arado,
e nocorria na cancha - reta.
O rebenque e o carrapato,
estragaram - lhe a pelagem que era bela.

Sua ferradura era o cho que pisava,
sua cocheira era o vento e o frio.
E o tapa - olho pr sempre tapava,
os campos floridos que no mais viu.

A carroa cheia do melhor feno,
era para o quarto de milha.
E o pangar a puxava sofrendo,
arqueando os quartos ladeira acima.

O relho j no machucava a carne,
pois a pele s tapava o osso.
A bela crina do cavalo rabe,
era a iluso que queria em seu pescoo.

Mascando o freio preso a um obelisco,
certa vez viu um potrinho nascer.
Tomara que seja xucro e arisco,
para nenhuma cerca o prender.

Pobre matungo que trabalhava em qualquer hora,
cada relincho seu era um lamurio.
No lombo tomava lao, relho, espora...
E seguia troteando sem orgulho.

O cansao dominava - lhe o corpo,
orelhas murchas, semblante entristecido.
H tempos j estava morto,
mas apenas ontem havia morrido!

Ermison Frazzon da Cunha
Publicado no Recanto das Letras em 24/06/2005


biografia:

Graduando em Filosofia na Unisinos em So Leopoldo - RS Brasil, Hermison escreve seus versos de cunho poltco-existencial-realista-romntico.
Ele acredita que a liberdade est na tinta de sua caneta!!!

Sua obra pode ser lida no site:

http://www.recantodasletras.com.br/autores/mano

hfc13@hotmail.com

 

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