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Leonardo Teixeira [Cnsul - Z-C-Goiania-GO]
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia
O lagarto e a poltica

[Leonardo Teixeira]

O lagarto Estlio [parecido com uma salamandra] usa uma artimanha para devorar pequenos insetos, utiliza seu dom natural de mudar a colorao dos pigmentos de sua epiderme, camuflando-se com o ambiente para ludibriar suas presas, no sendo facilmente percebido em seu leve e preciso movimento. Alis, na mitologia grega, Estlio foi transformado em lagarto por Ceres, apenas por dar uma risada de como uma deusa devorava a comida ofertada por uma pobre mulher, sendo tambm punido por sua astcia e audcia. Por receio decepcionado, vivia se escondendo, camuflando-se com o ambiente.

Da a origem da palavra estelionato. O estelionatrio, vulgarmente conhecido na praa por um-sete-um, devido cominao legal desse artigo no Cdigo Penal, o malandro que se utiliza de ardiloso ou sutil golpe para enganar suas vtimas, no sendo percebido seu artifcio, sua lbia e esperteza, obtendo vantagem indevida.

Esta a pose de muitos polticos, com suas verves esperanosas, retricas bem armadas, recheadas de toda sorte de mritos e vislumbres pomposos do marketing. Transfigurando sua imagem de lagarto como se no houvesse memria, como se a pele de cordeiro retirasse o intento e a essncia do lobo. Nos debates, propagandas polticas, entrevistas e outras matrias esto repletas e contaminadas com o cobreiro camuflado do lagarto poltico.

Assistimos com muito pesar a alguns figures dizendo loas e se portando como boas e inteligentes criancinhas, empanturrando-se de letras, enfeites e outras roupas. Com grande tristeza vi a eleio do nosso ex-presidente Fernando Collor, o nico caso de impeachment brasileiro, cone supremo da corrupo comprovada pela Justia. O que houve com a memria do povo cara-pintada na mdia? Ser que a camuflagem foi boa ou a estupidez do inseto foi evidente? Houve ainda como chacota a premonio poltica de que voltaria brevemente, enquanto pequenos ladres cumprem pena alongada.

H tambm os exticos, cujos pedigrees se baseiam pela fama, mdia ou mero apreo popular por atividades bem distantes da poltica. Cito alguns nomes: o forrozeiro Frank Aguiar e o apresentador Clodovil. Se algum deles foi mesmo voto de protesto, tomara que debaixo da pele camuflada pela maquiagem estejam verdadeiras intenes de dinamizar bons projetos.

Estamos cheios dos velhos golpes, e no queremos ver mais vtimas dos contos da carochinha e do achadinho. A antiga bravata da gravata no deveria cair na malha grossa das iluses. A fantasia do status e da aparncia a moldar os julgamentos de carter. O carateca do suco de maracuj est a de volta, revigorado e engomado como se no houvesse o impeachment e nem o Plano Collor, com seus pacotes econmicos bombsticos.

O povo, assim como o inseto, ou no viu a aproximao do lagarto engravatado ou agiu conforme a misericrdia divina, dando outra chance a crdito do algoz supostamente recuperado. A mudana infringente ao livre-arbtrio. Tomara mesmo que a f pela salvao seja voto esperanoso pela melhoria e que o lagarto possa andar livremente, redimido, sem o golpe da camuflagem, e vegetariano, pelo bem do nosso povo e do nosso Pas. Amm!



Poesia da primavera

[Leonardo Teixeira]

H uma certa tendncia na literatura atual pelo minimalismo, a exemplo do movimento Prxis. Os minicontos priorizam os leitores cada vez mais distantes, com menos tempo para se dedicarem leitura. Entretanto, a leitura, como alimento prioritrio da alma, revigora o crescimento intelectual pela arte. E a poesia a verdadeira essncia da palavra, o cerne de toda a literatura. Obra de arte lapidada.

Eis um perigo: reduzir a poesia minscula verve e relev-la ao mar das coisas comuns. Ledo engano. A poesia sempre deve estar comprometida com a essncia, com o sentimento, com a viso das coisas aparentemente invisveis ao homem comum, como diria Octavio Paz.

Carregar o fardo de poeta num mundo to avesso e cruel rdua tarefa. E a poesia tambm essencialmente lrica. A metfora a jia mxima de toda arte potica. A primavera de 2005 trouxe uma novidade potica. O livro Punhos da Primavera, a ser lanado hoje s 19h30 na Fundao Jaime Cmara, de um poeta comprometido com a palavra, com a metfora e a lrica sempre lapidando as palavras. Os poemas de Weder Soares no so to curtos quanto essa nova tendncia, mas no torrencialmente longos como os tradicionais romnticos. Weder busca nos versos a sua verdadeira identidade, como se pegasse as palavras pelos seus miolos, tirasse as suas cascas adjetivais excessivas, cortasse alguns fiapos verbais e debulhasse as imagens lricas e ldicas, brincando com os parnteses, dando dois sentidos ao mesmo contexto. Weder imprime a musicalidade nas rias, nos Cantos, nas Sonatas e no restante de seus versos, desconcertando o leitor desavisado. Vai 'soletrando as ruas', 'desmanchando sol', 'apresentando o mar', desatando o 'n de fel/icidade', em 'versos empoeimados' que 'entre os dedos afago'; me 'curvo ao p do poema' e guardo na 'caixa de segredos'. H lembranas de Yda Schmaltz? Sim. Cada palavra o impacto de um murro, desses Punhos de Primavera. O leitor fica atordoado.

Por isso que se diz que cada leitura muda o leitor. Impossvel ser o mesmo depois de ler qualquer bom livro. Sem pretenso mercadolgica, os melhores livros no costumam ficar em listas dos mais vendidos. Segundo o crtico Antnio F. Borges, 'a boa ou m qualidade de um livro no decorre absolutamente dos resultados financeiros, embora s vezes a recproca possa ser verdadeira: afinal, livros ruins num pas sem larga tradio de leitura... bem, fcil deduzir o resto da equao'.

Tanta revolta revelaria lamria por uma cultura escassa que se vende [e caro] por muito lixo. Mas o preo que se paga para, ao invs de massagear a massa cinzenta, enaltecer o ego, num mundo necessitado de valores. Gosto no se discute, mas a boa leitura no se vende e nem se ganha: aparece para alimentar o esprito.

Biografa:
Lo Teixeira
, poeta, estudante e funcionrio pblico estadual, antigo diretor do departamento de imprensa do C.A.XI.M, da Faculdade de Direito/UFG, autor do livro 'Mergulhando no Pensamento: Brasil, O Poema Crtico', editado em Dezembro de 1998, lanado no auditrio nobre da Faculdade de Direito da UFG em 18/12/98; no Caf com Letras, nos dias 13 e 27/09/01 em Braslia - DF; e tambm na sede do Ministrio Pblico no dia 09/11/01 durante a 1 Jornada Jurdica 'A Corrupo na Administrao Pblica', realizado pela FESUMP [Fundao Escola Superior do Ministrio Pblico]. Atual membro da Sociedade dos Poetas Pensantes -SOPOP- vencedor de alguns concursos literrios [ver abaixo]. O seu livro de poesias 'mostra que a juventude brasileira e goiana continua alerta e pensando os problemas nacionais, adotando uma postura crtica e atuante diante das mazelas que assolam o Brasil; armado de uma incomum sensibilidade para o social, para as pequenas coisas que tanta repercusso tm no dia-a-dia das pessoas, Lo Teixeira debrua-se sobre os mais variados assuntos,abordando-os sempre com convico, firmeza, justia e equidade, demonstrando arguta percepo do fenmeno social em suas poesias torrenciais, verdadeira cachoeira, jorrando saber, viso realista e sensibilidade, acentuando os contrastes que assolam o pas. Lo Teixeira especialista em poemas longos, com tom prprio para declamaes acaloradas, possuindo uma verve rica para a literatura e um inigualvel senso de responsabilidade e equidade, nunca dissociando da poesia, senso de quem escreve com o corpo, com alma, transformando o dia-a-dia do brasileiro em pura poesia.' - Dr. Humberto Milhomem, advogado e professor em literatura.
'Lo Teixeira, como Contista, criador de fantsticas e deliciosas histrias que sempre trazem tona mensagens para refletir. Com um senso extraordinrio da teoria bruta do conto, em seus personagens universais, uns reflexivos, intrnsecos, intimistas, outros bem diferentes. Inclusive, em alguns Contos, a ausncia do espao chama a ateno para seus interessantssimos escritos. Realmente vale a pena l-los' Alan Mller, contista e escritor.

ARIETTO o pseudnimo do escritor
Leonardo Teixeira





escritorleo@gmail.com

 

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