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Dalila Balekjian
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia

CALEIDOSCÓPIO

A vida foge de mim ,
tento colhê-la ,
mas se perde nos dedos .

Olho em volta
e não me reconheço
nos objetos ou espaços .

Viro-me para dentro ,
mas não me encontro
nos meus seres interiores .

No cerne pulsante
dos meus sentimentos ,
não estou mais .

No ponto mais distante
da espiral do meu ver
há somente o céu .

No volúvel farfalhar
da minha humana mente ,
só avisto minhas asas .

Nas difusas ranhuras
do meu sofrido coração
restaram indeléveis marcas .

As minhas mãos
estão cruzadas a prender
um apertado laço ,

pois meus braços
escondem meu corpo
num abrçar conformado .

Inutilmente eu me curvo
e no fundo do olhar ,
só vejo meus pés .

Desolada caminho
nas feitas pegadas
do insinuante percurso

que outrora fiz
nas tristes passadas
do meu destino ,

eis que finalmente ,
no justo ponto
em que te encontrei ,

junto com a esperança
que hoje eu perdi ,
ali sozinha , eu me achei .

dalila balekjian

Pássaro ferido

rumo pra quê se o meu andar é trôpego ,
meu ser é cego e as minhas passadas sem ecos .
a alma impura trago nas mãos crispadas
e o olhar em preces procura em vão a quem pedir .
minha trajetória foi estorno de vazio ,
é toda de mágoa em que se esbarra
e eu sou só grito ,
eu sou só e grito !
não há quem me escute ,
me escute estou aqui diante de ti,
desnuda de mim a procura de saída ,
meu limite é uma renitente linha
que não consigo ultrapassar
e eu caí nesse mar partido
da brancura das margens
tudo que alcanço
é deixar-meir sem lutar ...
que venha o sol suplantando a escuridão
pois quero mais luz queimando em mim o amanhã ,
viver explodindo os meus medos
e soltando as asas desses sonhos inúteis.
violarei todas as regras ,
ousarei ser solto ar ,
estarei onde houver fogo
até derreter a cera
da última das ilusões ,
pois quero ser a chama da vida
pra saber amar...

dalila balekjian

teatro

negro asfalto
calçadas puídas
borboletas noturnas
quimeras vivas

disputam o palmo
tendo na noite
seu espetáculo

âmago copo
contém o fluído
de acender a mentira
que acalma o insone

mas ao quebrar-se
some o palco
e nua a vida
não merece versos

dalila balekjian


biografia:

poeta carioca , participo de várias academias e entidades literárias , tenho espaços msn e sou gerente da comunidade orkut \'Prosa e poesia de amigos\'

dalbalek@hotmail.com

 

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