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Diego Calazans
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia
ENSEJO

tombar a secreta bastilha
destituir dinastias larvais
alar-se a um novo estado
o potico

vela a trepidar
sob este vu contnuo

catequisar as almas vs dos reis
viver de flores invernais e espadas
trazer em cada marca do ao
o romper de uma trova revoada

e ao fim das sazes
j com mares nos ombros
sair pelas manhs...
em busca do poema
que me encontre.

**********************
INTENTO

hei de abrir um duto
pra que a mente escoe
meus miolos vibrem
tais botes de mar

a minha idia h de correr
sobre a navalha
e se calhar
o Letes cobrir minha banheira

no havero minhalma em Ararat
mas atracada no cenho das ruas.

*******************************
NO DIA EM QUE ESCREVO VERSOS

no dia em que escrevo versos
as nuvens se me desprendem
no chove seno do avesso

no dia em que escrevo versos
levo os olhos vista
os ps em cevada imersos

no dia em que escrevo versos
trago nas mos gasta rosa
na pulsao, mil invernos

minha idia escura
que me impede a cura

no dia em que escrevo esses versos
escrevo sem dar por mim
dar por eles

escrevo sem desejar v-los lidos
trago na idia sintaxe de exlios
alma, uns orvalhos inversos.

***********************
A PALAVRA

entre o livro que lavra
e a mo que emana
entre o olhar que espanta
e o que cicia
a palavra morreu era nada
lgrima desfeita em tinta tanta
imagem d algo inominvel
que um nome nomeou
por teimosia

**********************
PASSEIO

as gentes as amo abstratas
a ti anseio no rijo
na forja do suicdio hepatocancergeno
s 4
na abstinncia de Lrio

vagando em vcio pelas
inflames ruas intensas
[vergonhas que o Pai
tem a mo]

ouvindo famintas
larvas dave
no asfalto infindo

tendo nada alm da tenra idade
R$10
o Medo
um ltimo cigarro de minuto aps

empesteia de si
mias cincias
o arauto da Luz

minhas idias no
me limpam o cu
vazado

mas no ver-Te me curo
me curo
no ver-Te.

**************
DESVALIDO

no sou senhor sequer
do corpo que me veste.
chamar de meu esprito
o trigo de alheias mos!

reclusos sestros abrigo.
em maos saudade alard'o.
possuo nem mesmo a ave
que em meu inverno lateja.

****************
CORPOS

ante
entre
sobre

e assim se
gasta a
noite

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POESIA

soneto que pari parou-me
s dei de si quando houve
procisso de metforas
por mi'as vias fleumticas

no mais das vezes no vale
a pena dar pena ao acre
ofcio - artifcio uterino
[o feto nos sorve o cassino]

marcha de causos lassos
tocando uma - so raros
os de se pr estante
pra repousar sob Dante

se ferir-vos, seu bote, no xote
relaxa que passa o Concorde.

*****************************
MANH

caf mormao chinelo
os pensamentos de p
a lngua dormente espasma

aconchegante Marlboro
a remembrana vagueia
sob este incenso de acaso

toalhas... 2
cerzidas
identidade da corda.

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ENCONTRO

maio manh sbado

casaco embotado pernas em dor livro ao colo
embarco n'nibus de costume sem dar vazo aos olhos a tudo atentos

sento-me ao fundo para no ser vista
enfio-me em livro de Cortzar
doidos bons livros os de Cortzar

sbito qual despertasse de tenebrosas profundezas ergo a cabea
cabelo aos olhos
como me eriassem os clios sinto
aranha laringe
escorpies miolos

no banco em frente presena diminuta de menina mnima
anos? 12 se muito

pequena pra idade lembro
cabelos cuidadosamente desgrenhados
nem mame disciplinava
trata-se de mim

suspira dirio aberto retrato de guri
chove
nibus de sempre linha 81
mesmos passageiros sempre
s ela enfim destoa

pe-se a rabiscar na mida janela um corao ou o esboo
dentro coloca no o nome de seu querido
posto que eu no lembrasse
mas sutil um ele

no sabia haver amor aos doze anos

********************************
TU

queria sentir tua idia
como um perfume caro
ou narctico ansiado
que a minhalma aleija

e ao chegar a tua forma
deitar as palavras
feito contas desfiadas
sobre um cho de missa

atracar-me a teu sabor
como um veleiro firme
a envelhecer no porto

abraar tua ausncia
feito um peregrino
nos pores da F

*********************
RELATO

eu nasci num silncio
de sis sem vu
meu primeiro verbo
fez secar o Sol

fui por noite enferma
a gemer manhs
desnudo de ungentos
mil senes por ar

fui pelas gals
a coser mones
expurgo da Lei
o pender por norte

fui por mata escusa
a fremir fragatas
descido dos astros
por bem s meus ais

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RITA

ela tem cachos como escaravelhos
olhos d'imprios contidos
tem risos de foda com o Co
ao colo mil flores frementes

ela tem napolees no andar
a alma em runas acesas
um mao amassado que pulsa

ela tem meu intento de instante
no branco dum dia sido.

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ELA

olhos de brisa ardente
a mente semeia infernos
na bruma da noite eterna

um corvo saracuteia
por avenidas dispersas
em solido reticente

Regina - riso poente
em mil abismos secretos

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COMUNHO

resmas de trigo ao corpo
ao clix a mnstrua tinta
e ao corao sedutor
a violao dos altares

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TORAH

a Lei que me toca livre
dos livros eternos, voa
das tbuas do vil SInai
aos sinos que a alma entoa

desnuda a Torah das letras
YHVH - metfora da Pessoa
o Orco? rima canhestra
que num arfar se destoa.

**************************
ARTE

quando 'm versos abissais
meu todo explode - s
o nada avante sinto

Melancolia
faz da arte em mim
Teu labirinto

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INSTANTE

e silente vago
amarga mente
a minha idia?
sensaes...

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ESTTICA

a arte nos ferra ao perptuo efmero da singularidade exttica.
a arte barra o iminente.
a arte ceifa e cose o fluxo orgnico.
a arte ata carnia a fetos.

a arte paira no havido e vibra no a-ser.

mas como sup-la plena se a circunstncia senhora?
que margens propor Esttica se h lastros de Si no belo mas lotes de Ti no olhar?

************************************
GAL

espectros ttricos lambem
a gangrena dos credos:
os nuncas anseiam ser.

noite engasga
um rubi que escava a entranha.
a nobreza blas se intifada.

quem guiar a gal
que o p de frufrus vis encarde
universal dignidade?

*******************************
AGORA

que nos podem soprar os crnios
fendidos dos antigos? proclamo
o parto seco [que rasga e doira]
do ilimitado Agora!

colega... teu verso lavra uns
gemidos prenhes de lzaros
em rima que foz repousa a
bradar 'evo... qualquer cousa'?

por que nos urges a uma
catatonia litrgica?
v: a toga em ti causa risos.

baganas: no ambrosia!
nada de amns: porfia!
os caros no so criativos.

como explicar a caquticos tios
nos preparativos da orgia que os
cortejos suplantam a gape
dos viadutos e picapes
de ricos segredos neolticos
no pagam um LP dos Beatles?

******************************
JOVEM

estranha beleza a tua
camel do Oriente em Veneza
que ao suor de esquinas virgens
falseia odes nascentes

estranha beleza a tua
trao que se impe borra
primavera vulgar de minha voz
suspensa a abstratos lrios

melancolia aptrida
esta tua beleza estreita
de enleio janela morta

halali de imundo infante
ao aro de amor-perfeito
sobre um semblante de me

***************************
LEGADO

quem me apor rosas cripta?
se os dromedrios estultos seguissem
as trompas de Jeric Triunfante
nas primaveras etlicas...

serenidade de torpe incensrio
em aqurios esfacelados...
quem me apor rosas cripta?
e que naipe levar ao colo?

ter olhos de agouro ou de ru,
o Relicrio, s nvoas virgens?
e sua oferenda nefasta dar
algo alm de marspios?

necrosam-me as boas vontades,
Golem que me apor rosas
quando os versos enrugarem
num silncio de entreposto.

quem tocar meu princpio,
que quedar partido e alado
nas dobras da Mo Divina
quando requisitarem o sopro?

***************************
NOTURNO

no vem beijar-me a Brisa
noite em que me encerro
esparso em relva lisa
ou ferros de caderno?

no vem tocar-me o Verso
noite em que me ocaso
eirado para o inverno
ou soneto devasso?

no vem sentir-me a Selva
noite em que me espasmo
exausto densa leva
ou doce pleonasmo?

s a tua mo em minha face,
Nara, eu sinto! a esfarelar-se.

***************************
AMANTES

suave... a noite.
aoite = espera.
quimera: velas.
veleja, nave!

ponteiro - parado.
o bonde - parado.
a vida - parada.
corao? revolto

*****************************
ANSEIO

tarde
que o clamor do mar dissolve
deixai-me a ansear
sem o que ansear
- salvo a morte.

**********************************
IDENTIDADE

sou eu
que escrevo
o que escrevo?

e quem sou
eu
de escrever
feito fosse?

sou eu
que escrevo
o que escrevo?

e quem sou
eu
de escrever?

sou eu
que escrevo
o que escrevo?

e quem sou?

****************************
CIRENEU

Quem recolha as crostas dos anos sidos
quando uma alta e breve mo comprime
mi'a carranca vtrea, no tenho. Amigos?
No h quem me venha adivinhar os crimes

almejados dentre a leva humana quando
putrefacta chama vem arder-me o eterno.
Quem, como eu, se entregue entre coxas n'antros
de mooilas vs, por amor sincero,

atravs da bruma, quando a noite cessa
em xilocana ou vias de unha s costas...
Quero! Clamo! Espero um cireneu: espessa
fbula que sustenha a Alma decomposta!

**********************************
OLHOS

eu que o espelho afaz
estes olhos de jamais

eu que o viver atraso
levo olhos de ocaso

eu que a gemer m'aturdo
estes olhos d'absurdo

eu que a fazer me devo
levo olhos de acervo.

*******************************
BAGD

esta noite
pires negro
sem pires

lrios bolorentos
num convulso amarelo
parem moscas

sobre Bagd avoam acaus serenas

temos olhos surdos

mas
[segredo!]
nosso verso pode ser vmito negro.

*****************************
QUEDA

eu ca duma fenda vaginal
marginlia - aliterao viril
mas foi rasgo andaluz que me abriu
para a mstica glria carnal

demarcaram-me a ndega -
era arara ou viva ou rotor
rum - mochila - o estmago em dor
adieu fraque fu - oi vendeta

*******************************
LAMENTO ANGLICO

ai de vs, Forjados no Lodo!
do p sorveis asilo e sustento,
as fibras partindo em labuta inclemente.
s aos vermes servis... de adubo!

curtidas entranhas que custicos ventos
descarnam num soar sem fundo,
as almas a assar sob o arfar do Engodo,
Desgraa avanais... molemente.

fragmentos aspersos dum intermitente
sutil pulsar, ai! a entoar catacreses,
Sestros, arrastai-vos ao Poente!

nas negras torres do sangue, inertes,
sentis galopar Morbidez - triunfante...
os anjos balbuciam 'agnus' dead'.

Bibliografia:

Nasci em idos de 82 na Bahia. Aos 5 vim para Sergipe para os ltimos anos de minha me. Cresci numa solido plena de letras. No desejo de fundir palavra e ato cursei jornalismo. Agora tento mestrado em Sociologia. Escrevo por carncia de sentidos. Pra me estreitar aos outros.

diego_calazans@yahoo.com.br

 

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