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Brgido Ibanhes [Cnsul - Z-L-Dourados-MS]
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia

Índio é coisa de branco
Brígido Ibanhes

O meu grito de guerra
é o esturro da onça pintada
que o predador abateu;
é o eco distante da guerra
na mata que teve fim
em troncos carbonizados,
galhos secos retorcidos
sobre o cadáver da terra,
coberto de capim.

Meu grito sai das águas
do rio que avermelhou:
sangue no leito de morte
da natureza que se acabou;
cemitério de peixes,
que corre desorientado,
que se joga envergonhado
no oceano sem fim.

Meu grito vem da taba,
onde as rezas e as danças,
sob a coroa das estrelas,
nos uniam ao firmamento.
Ontem, bebia-se o cauim
e praticavam-se as pajelanças;
hoje, pelas frestas das tramelas
Tupã espia o desalento
e o suicídio do curumim.

De agonia, o grito rouco
da garganta guarani saiu.
Por cinco séculos esse louco
nas trincheiras resistiu,
nos campos de extermínio,
as ‘reservas’ da nação.
Até que todos morreram
sufocados pela cachaça,
tuberculose e discriminação.

Que grito é esse que ninguém ouve?
Ele voa pelos morros e pelos campos
pela cidade grande e pelo mar.
O grito ecoa pelo mundo inteiro:
‘índio’ é coisa de branco!
‘índio’ é prisão, cativeiro
‘índio’ é reserva, dominação.

Sou guarani, kaiová,
ofaié, kadiweu, camba,
terena, kinikinau, guaicuru,
guató, laiana, aticum.
Meu país tem pau brasil
em cuja sombra descansei,
em cujo chão já fui rei.
Não sou índio,
nem indigno,
nem indigitado,
nem indisciplinado,
muito menos indigente.
Sou brasileiro nativo,
sou gente.

[Poema da Lenda da Mitologia Guarani]



JASY JATERE

O Filho da Lua
Brígido Ibanhes


Um facho de luz,
uma faísca,
estremece
na penumbra da floresta.
A brisa arisca
rodopia em festa.
Forte cerração
cobre os montes
da região.

Um vulto tacanho e bronco,
um duende pelo tamanho,
sai do oco do tronco
de gigantesco jatobá.

Caminha sorrateiro,
percorrendo o trilheiro,
tateando com as mãos
as folhas secas do chão.

Kuarahy [o Sol]
aquece o chão
e colore de magia
a manhã do novo dia.

O bem-te-vi,
Na copa da paineira,
anuncia o ente estranho
que aparece na clareira.

Pequeno no seu tamanho,
cabeleira cor de milho
que pelos ombros se espalha
sob enorme chapéu de palha.
Barba ruiva até a cintura,
olhos azuis de intenso brilho,
pele nua, queimada, escura.
E inseparável, na mão,
de puro ouro um bastão.

É Jasy Jatere,
filho de Jasy, a Lua,
gênio da hora da sesta,
peregrino da floresta,
senhor dos passarinhos.
Enamorado das pucelas,
Sedutor das virgens donzelas
que encontra pelos caminhos.

Sua rústica morada,
cercada de cogumelos,
brancos, roxos e amarelos,
é no tronco do jatobá,
e sua tosca esteira
são folhas de carandá.

Solitária
é sua vivência.
No peito carrega
a carência
de um amor ardente.

Na hora da sesta, então, se entrega
à procura da paixão ausente.

O duende,
por dentro do matagal,
dispara como uma centelha,
e a passarada se emparelha
numa algazarra infernal.
O assanhaço, o beija-flor,
o joão-de-barro, o acapitã,
a gralha, a juriti, a tesourinha,
o chupim, a andorinha,
até o periquito barulhento,
e o anuí agourento.
O vento, em rebuliço,
vibrando com seu feitiço,
debruça os galhos no ar
para o duende passar.

Ypoty [Flor da Água]
abre os olhos,
vê a estranha figura nua
e reconhece o filho da Lua.

Jasy Jatere
assopra no seu bastão de ouro
e uma suave melodia se derrama
pelos recantos da floresta.
É o encanto que dele emana.

Das águas brotam estrelas,
lírios, rosas e violetas,
orquídeas as mais belas
desabrocham por agia
ao calor do meio-dia.

Libélulas e borboletas,
beija-flores e vaga-lumes,
exalando mil perfumes,
dançam para os amantes
em requebros bamboleantes.

O céu em pura festa
se colore com o arco-íris.
É o fetiche do duende
que já se manifesta.

Ypoty,
o coração palpita,
se excita de paixão.

Jasy Jatere
cria forma,
se transforma de repente,
os cabelos se tornam prateados,
como as águas claras da torrente.

Príncipe da selva
deitado sobre a relva.

Ypoty
sente-se enlaçada,
e aqueles momentos de fascínio
lhe tomam todo o raciocínio.

Seus corpos se entrelaçam
e no contato do amor fecundo,
esquecem o resto do mundo.

Festejam os passarinhos
os mil gestos de carinhos.

Ypoty
já o conhece,
é o sinal no passo do Ita [Pedra].
Enquanto a taba adormece,
é a hora dos folguedos
em cima dos penedos
junto à sombra do ingá.

Ypoty
gerou muitos filhos.
Duendes escurinhos,
cabelos da cor do milho,
vermelhos como do pai.
Guardiões dos caminhos,
protetores dos animais.

Na quietude da floresta,
na hora sagrada da sesta,
os duendinhos filhotes,
escondidos pelas roças,
preparam os seus trotes
e os feitiços para as moças.

Azedam o leite na cozinha,
esfarelam a rapadura.
Aprontando travessuras,
entornam o farnel da farinha
puxam as penas das galinhas
e castigam os fedelhos
que não respeitam os mais velhos.
Levam-nos para o mato fechado
e deixam-nos ali abandonados.

No Além-Mar sem fim,
diante de um trono de ouro,
prostrado em tapete carmim,
Kara’i-Guasu, [Grande Senhor,
o branco português]
vestido de rústico couro,
soluça, rangendo os dentes.

Perante o olhar duro do Regente
narra sua estranha aventura,
quando se deparou com a figura,
e incrédulo ainda murmura,
ouve os gritos dos guaranis,
só duas palavras ele diz:


— Jaci Taperê!

— Caci Pererê!

— Saci Pererê!...




NÃO SEI
Brígido Ibanhes


Não sei se te disse
Que hoje está um belo dia,
Que os passarinhos cantam,
Que a vida respira as luzes do sol,
Que na noite a lua girou o céu
Enquanto dormia.

Não sei se te disse
Minha menina grande
Que meu amor por ti é imenso
Como o mar que brame e ruge
No seu leito fenomenal.

Não sei se te disse
Que a vida é um instante
E nesse instante quero te amar
Trazer a felicidade para teus olhos
Teu sorriso e suspiros
Entre os meus braços.

Não sei se te disse
Que não importa o passado
São caminhos que Deus traçou
São apenas duras lições
Para que o aprendizado de agora
Seja cheia de paz e amor.

Não sei se te disse
Que a partida é igual à chegada
Que estarei te esperando
Com um buquet de rosas na mão
Que na nuvem branca nos amaremos
Abençoados por Deus.

Não sei se te disse,
Não sei...

Biografía:
Brígido Ibanhes

Escritor. Filiado à União Brasileira de Escritores [UBE] desde 01.11.89 e à Associação dos Novos escritores do MS desde 08.05.1991. Membro-fundador da Academia Douradense de Letras [ADL] em 1991, e seu primeiro presidente eleito em 08.11.1992.

Estilo literário:
Regionalista sul-matogrossense. Revelo nos livros a magia das lendas nativas e seu universo mitológico; o carisma dos personagens da nossa história regional. Literatura de preservação da natureza, da conscientização política e da evolução humana.

Livros editados:
1. Silvino Jacques, o Último dos Bandoleiros – 5ª edição
2. Che Ru, o Pequeno Brasiguaio
3. A Morada do Arco-Íris – 2ª edição
4. Kyvy Mirim, a lenda do pombero e do pé de tarumã
5. Ética na Política: entre o sonho e a realidade.

Outras atuações:· Fundador e Coordenador do Movimento de Moralização e Ética no Trato da Coisa Pública – METRA. Por conta da sua militância em prol dos direitos humanos [liberdade de expressão, minorias e cidadania] sofreu violento atentado na noite de 14.05.2006.
· Diretor da rádio comunitária FM Tererê no ano de 1996.
· Membro do Conselho Municipal de Cultura de Dourados [MS] a partir de 31.05.2004.
· Indicado como membro titular da Câmara Setorial do Livro, Leitura e Literatura pelo Fórum Estadual de Cultura, em 28.01.2006.

PREMIAÇÃO

Em 1962, em concurso interno do Seminário do Santíssimo Redentor, em Ponta Grossa [PR], premiado pelo poema “Noite Cigana” e recebo como prêmio uma caneta Parker [símbolo da boa escrita].

· Prêmio “Marçal de Souza Tupã´Y”, da Câmara Municipal de Dourados [MS], em 29 de outubro de 2004, pela minha obra “Kyvy Mirim, a lenda do pé de tarumã e do índio mago”.


HONRA AO MÉRITO

Placa do CEFRON [Centro Educacional da Fronteira], em Bela Vista [MS], entregue em 23.11.94, com os dizeres: “Personalidade belavistense que enaltece nossa cultura”.

Placa da AAFBB [Associação dos Antigos Funcionários do Banco do Brasil], entregue em 1986, pela publicação da relevante obra “Selvino Jacques, o Último dos Bandoleiros”.

Placa da AAFBB, em 1991, ibdem.


PARTICIPAÇÃO EM EVENTOS LITERÁRIOS


· No 58º Congresso Internacional do Pen Club, realizado no Rio de Janeiro [RJ] em novembro de 1992, tendo como padrinho o Prof. Dr. Antônio Olinto [Presidente da Academia Brasileira de Letras], fui adotado por aquela organização ligada à ONU por causa da perseguição sofrida por ter escrito o livro “Silvino Jacques, o Último dos Bandoleiros”.

· Na mesa redonda O Processo de Criação segundo os Escritores Douradenses, no IV Ciclo de Literatura Comparada e Ensino de Literatura, promovida pelo Departamento de Comunicação e Expressão/DCO da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, no período de 21 a 25.10.96.

· Participação, com a palestra sobre A Censura na Literatura Histórica, no IV Encontro Nacional de Poetas e Escritores, promovido pela Associação Brasileira de Poetas e Escritores - ABRAPES, em Foz do Iguaçu [PR], de 14 a 16.03.99.

· Participação, com o lançamento do livro Silvino Jacques, o Último dos Bandoleiros no II Festival de Inverno de Bonito, em 2001, promovido em parceria com o Governo Popular do Mato Grosso do Sul.

· Entrevistado no Programa RODA VIVA, da TVE [TV Educativa Regional] na noite de 20.11.2003.

· Participação, como delegado por Bela Vista [MS], da I Conferência Estadual de Cultura, realizada nos dias 25 e 26 de novembro de 2005, em Campo Grande [MS] pela Secretaria Estadual de Cultura.

· Palestra aos estudantes do Colégio CEMA, em Bela Vista [MS], sobre Silvino Jacques, na noite da 1ª Feira do Livro em Bela Vista, em 18.11.2005, no salão nobre do Grêmio Recreativo Antônio João.

· Palestra aos alunos do Curso de Turismo, nas Unidades Universitárias de Jardim e Dourados, dentro do Projeto de Ensino “Um breve olhar para a construção do Estado do Mato Grosso do Sul”, no anfiteatro da UEMS de Jardim [MS].

· Participação, como delegado por Mato Grosso do Sul, da I Conferência Nacional de Cultura, realizada de 13 a 16 de dezembro de 2005 em Brasília [DF] pelo Ministério da Cultura.

· Participação como um dos palestrantes no 1º ENCONTRO DOS CONSELHOS MUNICIPAIS DE CULTURA, realizado pela Secretaria de Cultura de Estado do Mato Grosso do Sul, em 26.04.2006 no Centro Cultura José Octávio Guizzo, em Campo Grande [MS].

· Palestra e coordenação da Mesa Temática sobre Ética e Cidadania – Teoria e Prática no XXIII Congresso Estadual dos Trabalhadores em Educação, promovida pela FETEMS em Paranaíba [MS], em 19.08.2006.


INICIATIVAS

· Um dos idealizadores, do I Fórum Cultural de Dourados, em 1999. Realização, com produtor de arte Ilson Boca Venâncio, do II Fórum Cultural, em 1º de Maio de 2004, quando fui homologado como membro do Conselho Municipal de Cultura.

· Durante o ano de 2005, fui o articulador da criação do Conselho Municipal de Bela Vista, e da criação da Fundação de Cultura e do Fundo Municipal de Cultura.

· Apresentei proposta para criação do Fórum Estadual dos Conselhos Municipais, que teve, sob sua organização, seu primeiro Encontro em Bela Vista [MS], em 14.01.2006. Seu objetivo era preparar os gestores e membros da sociedade civil para a implantação do Sistema Nacional de Cultura.




jasyjatere@terra.com.br

 

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