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Fernando [Ferool] Oliveira
Nacionalidad:
Portugal
E-mail:
Biografia

o poeta de idade silvestre

ríspido e brando.. tal corcel de arrebola
por entre as pedras.. fazia continhas
como um arcanjo.. ou um mariola
amontoava contos.. como camarinhas

colhia amoras nas urzes.. para ele vinhas
e armazenava o caderno.. numa sacola
delatava do mato crespo.. as espinhas
e com os da sua igualha.. jogava à bola

mancebo meliante.. aberrava a escola
por entre pinheiros.. e silvas maninhas
no monte do povo.. ou naquele do cartola
de tortulhos e pássaros.. fazia cozinhas

era assim o puto.. que era pouco carola
que fazia versos.. em papel de farinhas
e os oferecia à sorte.. pedindo esmola
que levava para casa.. seca de maminhas

morreu.. como morre o poeta com bitola
uma tísica de fundo.. secou-lhe as letrinhas
mora agora no montado.. em estéril gaiola
que tem como epitáfio.. o pio das galinhas

ferool

visita a um poema \\\'síntipo\\\'


apetece-me sair.. da minha imodesta.. modéstia
e entrar no caminho da tramóia.. da poéstia
a chave.. é um poema provavelmente estético
com o crédito da rima.. mas sem plano métrico

um exercício de semantema e de filologia

eu que sou travesso.. e antiacadémico
gotejo receitas.. como se fosse um médico
a colmeia de ideias.. é uma assisada réstia
aqui um exemplo dum síntipo.. em rima véstia
um pouco austero.. pois um holótipo

ferool

à mesa com o compasso


o tempo é uma solução de instantes.. num copo de cristal
que sorvemos olhando a marca.. como um néctar vital
a primeira gota.. é doce qual o mel
a última.. é amarga qual o fel

a morte é uma refeição indigesta

o tempo é servido a todos.. como uma fatia de pastel
alguns encontram no seu seio.. diamantes a granel
outros pobres migalhas.. que não fazem pedestal
o tempo come-se.. e bebe-se.. como um bodo total
que para uns é farto.. e para outros.. escasso

ferool [Síntipo]

Biografía:

Fernando Oliveira
: autorização, nasceu para os lados do Porto, Portugal em 1945. Escritor, Jornalista, Poeta. - Publicou \\\' Versos Achados no Caminho\\\' Versos Colhidos em Paragens\\\' - Editor, e Tradutor Literário e Jurídico, \\\'Douro Terra de Porto\\\', \\\'O Trigo\\\', obras completas, [Os Mistérios de Jesus], tradução independente. Vive em Paris onde edita o \\\'Jornal\\\'Ecos\\\' que co-fundou e co-dirige com a escritora e poeta brasileira Vânia Moreira Diniz, O Observatório da Letra Plural. Escreve em francês e traduz poemas para este idioma.
É director do grupo \\\'Elos da Poesia\\\' grupo que edita uma colectânea anual, sob a coordenação da escritora e poeta: Manuela Rodrigues, advogada Lisboeta. Participou em várias Antologias, de onde sobressaem \\\'Palavras que Falam\\\' da Editora Scortecci, , que apresentou recentemente na Bienal Internacional do Livro de S. Paulo, Brasil. Ou ainda, Terra Lusíada da Editora Abrali coordenada por Celso Brasil e Elos da Poesia: Livro I, Assina: ferool, Antanho Esteve Calado e Monte Frio. Palestrante.

 

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