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Jorge Augusto Paulo Pereira
Nacionalidad:
Portugal
E-mail:
Biografia
A RAPOSA

As montanhas estavam cravejadas de pinheiros frondosos;
As suas vertentes eram um hino vida;
Os seus cumes, bordados a verde.
Por onde quer que passssemos, o cheiro a resina investia-nos as narinas.
Alm, ao fundo dos declives, pelos vales bordejados de fetos, o fragor das guas.
Os bichos aninhavam, no gasalho das tocas e dos galhos, as crias.
O sol entrava pelas copas fogosas num murmrio de paz
E a chuva enchia o tero da terra pelas razes sedentas.
No recato da floresta, tudo tinha um sentido qualquer:
A formiga na caruma, a ameaa dos lobos ou at a mordedura da serpente.

Quando agora, passando pela floresta antiga, nos atrevemos a fit-la,
S um vestgio, um arremedo, nos relembra o poder da vida.
Em seu devastador anseio de tudo consumir,
O fogo convertera as encostas num campo de morte e desolao.
Somente as cinzas cobrem as vertentes esvadas.

De repente, olhamos, surpresos, o cume da ravina;
Ali, parece ter sobrado ainda um fragmento de vida:
Um vulto fareja uma negrura queimada.
Os binculos nos acercam das proximidades do evento:
Uma raposa que torna junto ao corpo do amante,
Carbonizado na voracidade do lume,
E dali no sai, exigindo vida que desponte e se refaa
Com a simples presena do amor!

A PERGUNTA

s vtimas de Beslan [Osstia do Norte]

De manh, l partiram rumo escola,
Rindo e brincando pelo caminho ladeado de flores,
To tranquilos que nem pressentiram, ao longe,
Aproximar-se o azedume da vida.

Na escola, sentados, colheram o saber intil...

Acabado o tempo do dever, arrumaram-no, alegres, nas mochilas
E correram praa da cidade,
Onde espantaram os pombos e jogaram s escondidas.
Espelhada nos seus olhos a euforia da vida,
Nada podia ocultar o futuro antecipado
Nos gritos que a praa aceitou.

s seis horas e cinco minutos, um rombo surdo atroou.
Um cheiro a medo estacou o dia.
E as crianas que, h breves momentos, riam e brincavam,
Eram agora um feixe de morte no rossio da cidade:
Os olhos longnquos e o sangue detido nos canais da vida.

Por que razo tudo isto nos ultraja e nos insulta
pergunta nunca feita pelos anjos da morte!

TE AMEI

Te amei, amor,
Na fria voragem do caminho,
Quando o vazio nos carregou
E a raridade da hora nos prendeu.

Tu, esse instante que no tempo se encontrou,
Esse rumor indecifrvel
Nas torrentes de rudo abrupto,
Esse grito que desmente a morte...

Quando doa calcular a vida
E o caos nos infectava o cio,
Te amei com desmedido anseio,
No absurdo das palavras ditas
Ou dos gestos consumados.

Hoje beijo as tuas formas inquietas,
Devorando a maciez dos seios
Ou a largura maternal das coxas.

E logo, meu amor?
Depois do tempo, h lugar ainda
Para o corpo do amor inteiro
Onde nos damos e, dando, nos colhemos?

Jorge Paulo

biografia:

Nasceu em Lisboa.
Acredita num Deus que de todos os homens e no pertena exclusiva de algum em particular.
Acredita na bondade humana e na capacidade que cada ser humano tem para se tornar melhor, apesar de tudo o que a experincia mostra.
professor numa escola pblica e na Universidade.
Investiga na rea da Lingustica.

 

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