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Edmir Carvalho Bezerra
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia
RELGIOS NO SO PRECISOS

Amenophis I contava o tempo
com relgios d'gua
Babilnia incendiou-se
nas badaladas do meio-dia
de sua pedra horria
clepsidras marcavam tragdias gregas
ampulhetas tm lgrimas de areia
do deserto de Saara
Galileu est cego para v as horas
Jesus Cristo de to pobre
no possuia relgio
andava perdido no tempo
aps trs horas de aflio
deu o ltimo suspiro
relgios marcam tragdias
chineses difundiram a horologia solar
melhor que o sol seu espectro peregrino

o relgio acelera as estaes
o relojoeiro pinga gotas de diazepan
sobre seus rubis perfurados
molas helicoidais
outrora eram seu coraoas horas de tragdias
tic-tac arrastado
relgio com febre
em observao
o relgio sofre de amor
as horas no passam
atraso
o calendrio no avana
vigsimo terceiro dia
no chega a hora da menstruao

outrora relgios eram precisos
marcavam sonhos
sorrisos
preocupaes
encontros
ausncias

analgicos
automticos
atmicos
corda
corao

torres
catedrais
estaes de trens
terminais
pararam de narrar acenos de despedidas
no procuram a hora exata das tragdias
gua
terra
pedra
sol
pndulo
pulso
parede
ponto
bolso
corda
ponteiro
quartzo
csio
luxo
corao
relgios deixaram de ser precisos

OS CEMITRIOS TM EPITFIOS BELSSIMOS

sastes das minhas mos
por onde fostes no soube
ficastes em mim
o tempo de um fsforo
e esse tempo pode custar mil exploses
corri perigos e no alcancei
as horas de jbilos
fique fora de teus mapas

o tempo depois do claro
desabrigou-me
percorri rastilhos de plvora
demarquei as minas dos campos
esmaguei palavras sem melodia
aluguei salas escondidas
para sonetos
decasslabos
odes
hai cais
redondilhas
mas a hora do jbilo
o risco do fsforo
inconformavam-me

eu quis
estalactite
bruma
nctar
ventos saturados
galvanizaes
arrebatamentos
bulios
sussurros,
pensei em
carvoeiros
ourives
relojoeiros
sapateiros
alpinistas
cosmonautas

espreitei a porta
a faca
azuis
a frico do vento nas mars
casas aps a chuva
ruas aps a chuva

fui clarear os olhos
debrucei-me janela
vi petnias
miostis
amor-perfeito
orqudeas
narcisos
crisntemos
cravos
girassis coroando sacerdotisas astecas
flor-cadver chacinando o cultivador
maranta que se move parada
mariposas nas arandelas

na tera a sava cortadeira
carregadeira
jardineira
formigas surdas
quase cegas acordadas
visitei casas e cmodos
casa da fonte
casa da igreja
casa das lgrimas
procurei resonncias
homofonias
homorgamias
aliteraes
ritmos
eufonias
chaves de ouro
novos incensos

retornei ao momento fsforo
no meio do freme
o espao trivio
desbotado
desmaiado
o que fazer com estas palavras?

apuraes formais
adoecem-me tanto
facilitao de contornos
valorizaes emotivas
sigam-me
as palavras dicionrias
febre de inventar
sede da procura
o momento fsforo
o graveto estorricado
no quero as coisas obscuras
pirotecnias
fruies de novidades
a sintaxe complexa no me pertence
a arte indigesta
o rastejar luntico
o flagelo de versos inteligveis
quero o poema silncio
aps o fsforo
mesmo que detonem as granadas
fique s a perfeio da palavra
minhas mos eclamam poesia

OBJETO PAR-TI-DO
[a rosa louca]

eu sou a rosa branca
tons lilases que borbotam em mim
so ais de outras flores
que transbordam chorosas
nos umbrais dos livros
brotei na boca de um ferro de engomar
que passante fora
ferro de passar histria
se acalorou
se resfriou
virou compndio da escravatura
slido na biblioteca
o ferro da escrava louca
ainda pouco era um livro
de tanto borralho e assopro no fundilho
ferro rouco de passar roupa
cuspindo fumaa em estribilho
guardou cinzentas histrias nos pulmes
ferro lrico carvo
se punha em p no romanceiro
olhando de hora em hora mesma janela
paisagens seculares em movimento
tempos atrs de tempos
eu sou a rosa louca filha de um ferro antigo
a gaivota com gua no bico
morrendo de desejos pelo peixe icgnita
pintado no aqurio
primeira paisagem
o mingau feito de via-lctea em p
a moa eltrica sem tempo para o filho
pensa em novos deleites inconsqentes
outra paisagem que entrevemos
eu louca e o ferro velho carvo
tantos amores exalam dos livros
o nariz de meu pai muito grande
reacende a saudade da escrava louca
runas de gotas engelham minhas ptalas
tantas paisagens transmudando-se na janela
meu pai comete suicdio
sou a rosa no raso da biblioteca
filha de um objeto par-ti-do
semelhantes cacos coavam J
deitam sobre toalha engomada
em galeria nobre
uma instalao mais que ps-moderna
na ardsia do atelier clarividente
eu sou a rosa roxa
a rosa esquecida

biografia:

Nascido em Monte Alegre no estado do Par, morando na capital paraense, Belm, Brasil. Professor de lnguas e literatura. Escreve poemas, crnicas e contos. Livro publicado 'DIZERUDITO - poemas'. em fase de anamento os livros 'LIVRO LEVE - a poesia que [a]trai' e o livro de contos 'FESTA NO TRAPICHE.Organizador do espao dedicado a publicaes ltero-scio-culturais www.veropoema.net

Recebeu o convite ara participar de poetas Del mundo de Noris albert poeta venezuelana e de Marcelo Torca poeta e msico brasileiro.

 

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