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Sebastiao Alves Da Silva
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia
Magia que h

[Ao anjo1803]

Ah anjo perdido
Que fao para que me toques?
Que fao para que no me toques?
Que fao que no compreendas?
Que segredo resiste a tua perspiccia?
Assim
Do jeito que falas
Com as janelas abertas
Com o vento soprando
Nao temes que as almas franzinas
De leveza incomum
Se preciptem no abismo?
Anjo de sonhos,
Anjo dos sonhos,
Teu segredo meu segredo!
Por onde foste,
De onde vinhas
Em algum lugar nos encontramos
Ns que no vimos
Ns que no vimos
E seguimos nossa estrada
E seguimos
Perdidos entre aqui e acol
Entre seres e pedras
Entre noites e dias
No mormao das coisas
Nos gestos alheios
Na dor que perdura
Ns nos perdemos.
E agora que falas
E agora que cantas
Um canto sincero
Na substncia da noite
Eu te amparo, eu te consolo
Ser diferente, Ser de mil faces
Habitante ausente
Dos confins infindos
No corpo presente
Tambm disolvido
'Entre o hoje e o amanh'
Eu te encontro
E te busco
Com um vazante corao
A querer te abraar
Num lance ligeiro
Num carinho extremo
De acordo e amor...
Aqui vou parar
So longos delirios
Criaes infinitas
E te deixo seguir
Te acompanhando no olhar
Mas no v muito longe
Mas no v muito rpido
Pois quero te ver
Mesmo perdida
A passear por a
A no querer, mas sempre insistindo
Na vida que h...

O Mal do corao

O mal do corao no aceitar
Que tudo um dia de repente termina
Que a sina de toda alegria findar
E que no final, quando no houver
Mais nada, Ele ainda vai sentir.

O mal do corao saber
Que no h cair do qual no levante
Que pra si inexiste o sofrer maior
E que qualquer dor, por maior que
Seja, Ele sempre pode suportar.

O mal do corao acreditar
Que sempre possvel mudar
Que no h esperar em vo
Que um dia a dor termina
Que um dia o vazio termina
Que um dia o frio termina...

O mal do corao aceitar
Que a vida ande com ele insatisfeito
Que o rosto se ilumine sem que
No seu interior haja real felicidade
Que seja sua conselheira a Saudade

O mal do corao permitir
Que os ps continuem a caminhar
E o nariz continue a respirar
E os olhos continuem a brilhar
Em plena discordncia com tudo
Com tudo que est a passar.

O mal do corao esperar
Que um dia tudo mude, mude
Mesmo quando nada tende mudar.

Infinito Poema

Claro,
Por mais genial que seja o poema,
Por mais longo que seja o poema,
Por mais fiel que seja o poema,
Por mais vasto que seja o poema,
De ns ele no leva nenhuma porcentagem...

O poema escrito se transforma a cada leitura
E se adapta imediatamente a histria de vida de quem ta lendo.
O poema apenas um jogo de palavras,
A poesia segue com cada ser humano em suas idas e vindas.

A poesia no o mar, no o rio, no a lua...
A poesia o olho de quem olhar
Para o mar, para o rio, para a lua...
Na verdade, a poesia o prprio ser humano,
Sim, cada ser humano um infinito poema.

A imagem

Pelo meu rosto branco, sempre frio,
Fazes passar o lgubre arrepio
Das sensaes estranhas, dolorosas...
[Florbela Espanca]

I
Quando foste embora de repente
Beirei pelas fronteiras da demncia,
No sabia ser mais algum contente,
Fiquei sem minha frgil referncia

E lutei como pude contra o tempo,
Lutei para sair da estao difcil,
Mas era muito escuro o momento
E apenas via o grande sacrifcio...

Refletia sobre isso sem parar...
No tinha motivao para nada,
E Sentia varar-me uma espada
Que tenaz impedia o respirar.

Eu tentava andar pela cidade
E ento via a alegria dos passantes
E chorava de modo angustiante
Sufocada por dores de saudades...

II
Mas surgiu outra noite em que dormia
Uma sada para minha aflio
Que de grande crescer j no podia
E ali veio quem um dia dei a mo

Estava dormindo na casa silenciosa
Aquela mesma em que felizes vivemos
E l de baixo ouvi uma voz misteriosa
Dessas que ouvimos, mas nada vemos

Eu fui devagar pela escada enroscada
Na qual tantas vezes nos beijamos,
Na qual tantas vezes ns brincamos,
E que agora eu descia meio assustada

Olhei a espaosa sala demoradamente
Analisei os objetos, nada mudado...
Parei diante de tua foto, muda, calado
Eu vi que ela estava muito diferente...

III
No via mais teus olhos, teu nariz
Somente a silhueta ali se mostrava
E me senti por demais infeliz

Porque at assim me deixavas...
Me indagava sobre o mal que fiz,
Pois nem podia ver quem mais amava...

Segurei a cabea desesperada,
Me invadiu o medo que tua lembrana
Dessa forma tabm fosse apagada!

IV
E voltei para cama em meu mundo
L pensando muito desacordei
E cansada dormir sono profundo

E foi naquela fria solido
que em p perto da cama te senti
A me olhar com grande comoo...

E como em sonho te encontrei,
Passou no meu rosto branco tua mo
E assim eu finalmente suspirei...

O que vai no meu poema



O que vai no meu poema...
Vai o meu pensamento
O meu sonho
Os sonhos que no tenho mais...

Vai minha vontade
As vontades que tive
Os desejos que se desfizeram
Na iminncia de existir
Que ficaram por a
A esperar que os lembrasse novamente

Vai minha anulao
As impossibilidades
Certas agonias brutais
Da qual no se pode escapar
Mas que se resiste...
Vai a dureza deglutida
Por no se poder evitar.
Vai ai minha lgrima
Aquela que pensei derramar...

Vai a viagem que no fiz
Vai a morte que desejei
Vai a estrada onde fiquei
Vai o sonho de ser feliz
Vai a iluso que tive um dia
De que tudo pudesse se ajeitar...

Vai meu mar de sonhos, imenso mar,
Vai tudo que eu queria, que quis...
E mais quis o que no pude alcanar...

Vai o amor
As coisas mais simples
As que me davam alguma alegria
Coisas to bsicas
To estranhas de se amar

Vai tudo no meu poema
Ele carregado, avesso traduo,
Tem sempre algo por trs
Sempre h um sentido a mais...

Vai o gesto que no fiz
As coisas que no pude ser
As decepes que causei
Sem nem mesmo saber
As dores que provoquei
Em quem nunca vou conhecer...

Vai meu perdo distorcido
A minha raiva que nunca cessou
Diante das coisas horrveis
Que arquitetaram para mim
Que me atingiram o rosto...
Cada golpe que no cicatrizou
Vai no meu poema,
Vai no meu poema
A reao que nunca comeou...

Vai no meu poema
A mo que nunca se lanou
A me afagar num momento dodo
Uma palavra que ningum me falou
Vai o silncio sempre ouvido
Nas noites que ningum imaginou
Mas que sempre existiram,
Sempre meu ser se desencontrou
Por razes que no entendo
Por razes que nunca ningum explicou.

Vai no meu poema amigos
Poucos que amealhei
Com meu jeito meio tosco
Vivendo a vida que encontrei
Que inventei com esses
Frangalhos de tudo que resultei

Vai minha gratido
A todos queles que encontrei
E que me deram umas palavras
Uns ouvidos aos quais falei
Com um dilatado corao
Sob uma dor que no dissipei
Em momentos de extrema solido
Vai minha gratido
todos os que me deram um empurro

Vai no meu poema o que no sei...

Vai minha dvida
A minha desconfiana,
Esse jeito de olhar...
Vai no meu poema sentidos escusos
Vontades de chorar
Vontades de sorrir
Vontades de gritar...
Vai tudo no meu poema,
E o que fica ainda muito,
Eu no consigo abarcar...

biografia:

Sebastiao Alves da Silva
, nasci em Barra do Corda, interio do Maranho, o estado mais pobre do Brasil, mas isso no vem ao caso...

Me considero um homem forte, mas tambm fraco. Por incrveis vias do destino e de descobertas interiores acabei percebendo que gostava de dar aulas: tornei-me professor de matemtica, mas tambm, j dei aulas de literatura, artes e religio, entre outras. Descobri a Literatura verdadeira no segundo ano do ensino mdia quanto tinha 20 anos, passei, por motivos vrios, quatro anos sem poder concluir a terceira srie primria, isso por algum tempo foi motivo de muita angstia. Atualmente sou funcionrio pblico da rede estadual de ensino mdio onde moro, trabalho tambm na rede particular, alm disso, em cursinhos, e sou professor substituto na Universidade Estadual do Maranho. Mas me agrada muito no fazer nada, tento trabalhar o mnimo e ganhar o mximo, mas isso muito difcil na profisso que escolhi. Tenho pensado em aprender mandarim ou outro idioma que me permita trabalhar na China, dizem que l eles pagam muito bem o profissional da educao, principalmente o professor [alis, nesse sentido outro dia li um ensaio de Bertrand Russel, o matemtico que ganhou o premio Nobel de literatura e que gostava de filosofia e lgica, entre outras, e l ele dizia que no oriente, ele valorizam mais o saber, diferente do ocidente em que poder sinnimo de ter, no Brasil nem se fala...] apesar de ter um situao mais ou menos, nada disso me satisfaz completamente, me angustia no poder continuar meus estudos de matemtica, matria na qual sempre fui autodidata, assim como na maioria das coisas que acho que aprendi, todavia no Brasil, sem ttulo, no se chega muita longe, pois em tudo ele requisitado. Penso muito em mudar-me, somente um grande centro pode oferecer efervescncia suficiente para meu ser inquieto. No penso em viver o resto de minha vida ministrando aulas, tenho outros sonhos guardados e que se remexem dia e noite pedindo ateno... Penso que vou viver mais uns 50 anos, e depois disso mais um bocado, poca essa em que estarei ainda esperando se revelar para mim o segredo da vida, que se repetir continuamente aos meus ouvidos... Sinto-me um vencedor, mas tambm sinto-me um derrotado, quando olho para a profundidade de onde consegui emergir, percebo que no foi pouca coisa, olho ao redor de mim e ningum dos meus conhecidos conseguiu chegar to longe, isso me deixa muito triste... Quando olho para adiante e vejo onde quero chegar, sinto que perdi muito tempo e que o mesmo se escorre em alta velocidade, e vai l frente e no consigo acompanhar, estou amarrado... Isso me angustia... Aprendi que tudo acontece no momento certo, independe da pressa ou da lerdeza, que faamos ou no algo para forar as coisas, no adianta, o esforo humano intil, tudo est ocorrendo como deveria, tudo ao doce ritmo alheio a nossa compreenso... Sobre a poesia, escrevo compulsivamente, no h um momento sequer em que a esquea, e todo dia escrevo algo, infelizmente desprezvel, acho que levo a serio demais a 'procura da poesia' do Drummond, ainda bem... Entre os poetas de lngua portuguesa que no me cansam, h dois: o Fernando Pessoa e o Drummond, o restante no consigo gostar completamente... No sei como o Drummond escreveu uns versos to bobos, mais a maioria de seus poemas so dignas da magnitude dos poetas universais, entre muitas desses poemas, me extasia: a mquina do mundo, e agora Jos, a cavalo de galope, consolo na praia, cano para lbum de moa... So muitos, quanto ao Fernando, toda sua obra potica maravilhosa, no um verso que no seja digno de nota, dos seus heternimos, o que mais me apraz o lvaro de Campos, e um de seus poemas, entre os muitos, muitos, dos seus poemas que acho mgico o Poema em linha reta, para citar s esse. Eu tenho sonho de grandeza, mesmo que no seja nada na vida, esse sonho o carregarei para sempre, grandeza no amor principalmente. No escrevo direcionado, acho-me muito incauto, aculturado, mas tambm no fao tanto quanto deveria para consegui a cultura clssica, ela me cansa um pouco, a moderna tambm... No considero certos poemas de autores consagrados dignos de uma antologia, me cansa pensar para compreender a poesia, que, no meu duvidoso entender, deve ser uma rosa de sinestesias. Se tiver que fazer raciocnios laboriosos, prefiro resolver Equaes Diferenciais, muito mais deliciosas, ou ento, estudar lgebra Moderna e Teoria dos Nmeros... a poesia deve desabrochar-se diante dos olhos e ir direto para o corao, apenas depois disso que paira no crebro, gerando uma sensao de descoberta e satisfao. Nada, alm ou aqum disso, poesia. Estou sempre entre poesias e nmeros, no sou grande em nenhuma dessas coisas, por isso sou duplamente angustiado, [sem considerar agonias de outras naturezas...], todavia, em meus papis, sempre possvel, entre um clculo ou outro, achar um poema, ou algo parecido com isso, ou completamente diferente... tudo me cansa, me cansa tudo que no essencial, como o amor, que se no for o verdadeiro amor da gente, podemos at levar, mas sem animao... Muitas coisas poderia escrever aqui, mas faz tempo que me fala aqui na cabea o bom senso dizendo que j escrevi demais, apesar de, at este ponto, ainda sobrar espao para aproximadamente 14200 caracteres... duvido muito que algum leia isso at aqui, pois a maioria dos brasileiros no tem o hbito de ler, e, alm disso, como qualquer outro ser humano do mundo, sempre tem algo mais interessante para fazer do que ficar lendo essa lengalenga. Se veio at aqui ou um humanista ou algum que conheo e quer saber mais sobre mim, para talvez contar como se fosse uma piada... Ou alguns daqueles que desconheo e me acham, coisa que no compreendo, de alguma forma arrogante, ou bobo, ou pseudognio, ou qualquer coisa que lhes d prazer em alimentar contra mim algum tipo de desgosto... mas eu, como no compreendo isso, tambm no me preocupo... Se voc chegou at aqui pode ser um desses, ou ento ser um novato que adentra nesse meu universo de relevos deturpados, mas claro que pode ser que esteja fora desses que citei, nesse caso, talvez seja completamente louco, ou um inveterado diletante da boa literatura, ou quem sabe...

sebastianmath@homail.com

 

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