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Bernardino Matos
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia
Saudade, uma Ternura Imensa.


O tempo um espaoso e imenso palco,
onde o show e a trajetria da vida acontece,
e atravs de um imenso e preciso placar,
registra cada detalhe e de nada esquece,
permitindo, at, que o ser humano possa,
com base no passado o futuro projetar

Os registros de todos os fatos e acontecimentos
so salvos e guardados na memria de um arquivo,
onde vamos buscar lembranas e recordaes,
sempre que necessrio e por algum motivo,
desejamos que elas aflorem vivas e intensas,
quando alento e ternura exigem nossos coraes.

Esse trio: o tempo, os registros e as lembranas,
dimensionam com preciso e com rigor a nossa idade,
e ao reunir cada detalhe de nossa histria de vida,
define o conceito e o contedo da saudade,
o tempo informa o quando; os registros detalham o como;
e as lembranas destacam o que merece e queremos dar guarida.

D tempo ao tempo, sempre uma deciso sbia,
tenha calma, isso passa, reflete uma conformao,
vai d certo, voc vai ver, confiana e otimismo,
meu Deus, quanta saudade, puro amor e afeio.
eu era feliz e no sabia um sentimento de tristeza
no ter,porm, o que recordar, o vazio total do egosmo.

Embora alterne momentos de alegria e de tristeza ,
a saudade retrata com fidelidade a nossa histria,
as lembranas de entes queridos nos machucam,
mas o ter com eles vivido uma glria,
Deus os colocou, sabiamente., em nosso caminho,
e, muitas vezes, d-nos a impresso que nos escutam.

Se o semblante de minha me, em minha mente surge,
um rosto suave, um olhar triste e um ar bem dolorido,
diante de uma fogo a lenha, suando com dignidade
lavando, e passando roupas, de um modo bem sofrido,
rezando e pedindo a Deus proteo pra todos ns,
no h como dela no sentir saudade.

Se revejo meu pai com os olhos fixos no horizonte,
suplicando a Deus chuvas para irrigar o seu roado,
ou escalando postes para do telgrafo restabelecer a ponte,
ou nas procisses pedindo aos cus uma oportunidade,
com as mos feridas de um trabalho spero e pesado,
no h como dele no sentir saudade.

Se relembro o meu irmo mais velho luz de uma lamparina,
estudando, para um concurso, durante toda a madrugada ,
para tentar ajudar a famlia pobre e mudar sua triste sina,
lutar durante 30 anos e morrer sem conseguir prosperidade ,
sem jamais perder a coragem , a esperana e o otimismo,
no h como dele no sentir saudade.

Se a luta para a sobrevivncia foi dura e por demais rdua,
mas se a convivncia no serto me deu fora e dignidade,
se o viver, lado a lado, com pessoas sofridas me deu coragem,
para enfrentar a vida sem medo , e com lealdade
se todo o caminho percorrido foi importante e valeu a pena,
no h como dele no sentir saudade.

Se tive, nos momentos mais difceis, amigos sinceros e leais,
que me estenderam a mo nos piores trechos da caminhada,
que foram importantes na conquista dos meus ideais,
e se ainda sinto falta de suas companhias e amizade,
e se gostaria de retomar , passo a passo, cada instante vivido,
no h como deles no sentir saudade.

Se o estudo em Paris, sem recursos, me trouxe pesadelo e dor,
se a formao de uma pequena repblica, eliminou o medo,
se a contribuio de cada um numa caixinha trouxe destemor,
se unidos nos preparamos para o futuro com esperana e vontade,
se a recordao desses momentos sadios aperta-me o peito,
no h como deles no sentir saudade.

Se nos momentos de amargura e de profundas agruras,
Liso, atordoado, meio perdido, sem rumo e solitrio,
e nos bares de Pigalle com uma striper dividia ternuras,
e ela me transmitia paz, segurana, sem demonstrar piedade,
embora sem saber o seu destino , nem de sua vida o desfecho.
no h como dela no sentir saudade.

Se com minha esposa vivi momentos de paixo imensa,
de um amor profundo, para mim, o maior do mundo,
se hoje, caminhamos, lado a lado, com chama ainda intensa,
se foram todos os momentos vividos cercados de lealdade,
se os gestos nessa trilha s aumentam nossa felicidade,
no h como deles no sentir saudade.

Se consegui, na vida, todos os baques superar,
se ainda me sinto forte para continuar na lida,
se estou cercado de amigos dispostos a me apoiar,
se vivo sentimentos de confiana, amor, f e caridade,
se felizes momentos vividos me envolvem por inteiro,
no h como deles no sentir saudade.

Fortaleza, 16 de maio de 2005

EU SOU DEUS!

De repente, me pintou uma vontade,
de fazer ao nosocmio uma visita,
um cidado alto falou: tenha bondade,
achei aquela gentileza muito esquisita.

Ele disse no tenha receio, sou o PT,
No fique assustado, no faa confuso,
Eu sou o Pai de Todos, Deus, e voc?
Sou apenas um curioso, vivo na solido.

Se voc Deus, veio de louco dessa vez?
Eu pensei bem qual deveria ser a profisso,
Como um carpinteiro, no o pai, talvez.
No iriam acreditar em mim, com razo.

Quando eu comeasse a pregar o amor,
A fraternidade, a solidariedade, a paz.
iam me chamar o louco, o pregador,
Onde j se viu, sem cultura, to loquaz.!

Se concordasse com Godard, o cineasta,
Viria como motorista de txi, popular,
Do povo saberia seu ganho, quanto gasta,
Mas todos os excludos, eu iria isolar.

Como poltico no seria um bom exemplo,
Lembro-me dos fariseus hipcritas, arrogantes,
Tive que expulsar aqueles vendilhes do templo,
Aqueles negcios, na casa de Deus, revoltantes.

A figura do professor, do mestre, me agrada,
Mas ele encarna o profissional injustiado,
Ensinei muito, abri caminhos, vivia na estrada,
Em cada encontro, porm, me sentia ameaado.

Percebi o grande divisor de guas que criei,
Entre os que ouviam e entendiam a verdade,
E aqueles que desprezavam tudo, s eu sei,
Antevia um futuro amargo, sentia piedade.

O sermo da montanha, aquele foi meu grito,
Foi como minha aula final, de encerramento,
Procurei deixar um legado, um gabarito,
Expus com clareza todo o meu ensinamento.

Quando escolheram Barrabs, eu tudo entendi,
Depois de curar cegos, leprosos, mortos ressuscitar,
Preferiram um ladro em vez de mim, quanto sofri,
Do ser humano, imperfeito, tudo se pode esperar.

Muitos, porm, entenderam, muito bem, minha misso,
Por isso ressuscitei Lzaro, um homem bom, amigo leal,
J Zaqueu, subiu numa rvore, pois era quase ano,
Queria me ver, me ouvir, sua procura era, de fato, real.

Ele era um corretor de impostos, um fiscal, ficou dividido,
Entre escolher a riqueza, o conforto, os bens materiais,
E o desprendimento, o amor ao prximo, meu pedido,
No teve coragem, optou por sua rota, seguiu seus ideais.

J Madalena vivia o amor at as ltimas conseqncias,
Ela se expunha, sua alma era pura, sua doao era total,
No tinha apego a riquezas, detestava falsidades e ausncias,
Era um ser de uma beleza interior, de uma fortaleza sem igual.

Quando a salvei daquela terrvel cena de apedrejamento,
Colocando aqueles cruis agressores num dilema,
Quem no tiver pecado, atire a primeira pedra, lamento
Ningum se atreveu, to real e profundo era o tema.

Tom, todavia, era pura dureza, vivia na total racionalidade,
S acreditava no que via, ele sempre pagava para ver,
Eu o fiz tocar minhas chagas, para conseguir credibilidade,
Era muito exigente para consigo mesmo, mas era um belo ser.

Apesar, portanto, de ter todo o bem e a verdade semeado,
De ter formado uma multido de seguidores, um professor,
Achei que o profissional seria aquele que de modo integrado,
Conseguisse formar uma unidade entre a alegria e a dor,

Que obtivesse o equilbrio entre o imaginrio e o real,
Entre o lgico e o ilgico, entre o princpio e o fim,
Entre o sonho e a realidade, entre o bem e o mal,
Entre o dio e o perdo, enfim, um louco, igual a mim.

Para o louco o que pensa real, uma verdade evidente,
Acredita nos outros, se algum disser pula, ele pula,
Pois sente que nenhum mal ir lhe acontecer, naturalmente,
Ele se situa sempre entre a lucidez e a demncia, no capitula.

Para ele s importa o presente, ele vive, respira, sorrir,
No liga para o que dele dizem, est com a verdade,
No se abala com o abandono, com o que h de vir,
Ele est centrado na f que tem na humanidade.

Todos os sbios e os gnios so considerados loucos,
Nas escolas encontramos muitas crianas deslocadas,
Ainda bem que no enviei demais, muito poucos,
Do contrrio, alm de excludas, seriam isoladas.

De fato olhar o cu, o mar, a lua, a natureza,
E acreditar que existe um ser superior,
Que nos acompanha nos protege, com clareza,
Que existe uma outra vida, loucura sim senhor.

Enxergar as pegadas de Cristo em nossa estrada,
Acreditar que ele afasta as pedras do nosso caminho,
Que ele zela pela nossa paz e acompanha cada empreitada,
No meio de um universo imenso, cheio de amor e carinho.

Muitos consideram esse gesto uma verdadeira demncia,
Que no se coaduna, com a fortaleza que parecemos ser,
Que nada tem a ver com a genialidade de sua essncia,
Mas quando esto ameaados pedem a Deus para proteger.

Sempre ao levantar, antes de mais nada, rezo a orao do poder,
Dai-me a segurana do teu amor e a certeza de que estais comigo,
tira de mim o medo que me invade, a paz absorve o meu ser,
proteja a minha famlia, ainda que seja por milagre, me ligo.

Fica comigo, para que eu no te abandone, jamais te esquea,
Saio to tranqilo para o trabalho, feliz que tudo correr bem,
ajuda-me a seguir-te sem olhar para trs, entro de cabea,
Que se cumpra em mim a tua vontade e no a minha,amm.

Eu sou um homem de f e me orgulho muito disso,
Fico muito feliz se for considerado um louco,
Aqui est meu testemunho firme, nada quebradio,
espero que me entendam de poeta tenho um pouco.

Fortaleza, 20 de junho de 2005.


CONTA E O TEMPO.

No tive tempo a desculpa mais freqente,
sobretudo quando se tem que prestar conta,
muitos preferem no ter conta , cansa a mente,
mas sem tempo, ao passado no se remonta.

Diz um provrbio chins que se algum pretende,
que uma tarefa seja realizada, no tempo, na medida,
procure o homem mais ocupado que ele entende,
de melhor dar conta, j que organizar sua vida.

Quanto tempo perdemos no mundo do faz de conta,
no levamos em conta pessoas , no tempo, importantes,
cometemos erros que sua conseqncia nos desmonta,
o amor no faz contas, ele as paga pra ver, eletrizantes.

Quantos amigos perdemos a conta, ficaram no caminho,
no lhes dedicamos um pouco de tempo para lembranas,
o companheirismo ficou por conta, isolado, em desalinho,
no valorizamos o tempo to presente em nossas andanas.

Se tivssemos levado em conta todos os belos momentos,
vividos, lado a lado, intensamente, no tempo desejado,
quantas recordaes, a gente conta, so monumentos,
que dedicamos gratido ao tempo que no nos foi tirado.

Sentimos falta do tempo perdido nos estudos, na escola,
jamais recuperaremos essa conta, e um vazio imenso,
nos penetra e se prolonga por muito tempo, sem bitola,
invade-nos um desejo de reaver tal conta, to intenso.

Por aparente falta de tempo dos filhos no cuidamos,
eles fazem a conta de nossa ausncia , que desencanto,
sua evoluo, suas idias, nem o tempo relembramos,
sua histria no conta, ficam sem amor, sem acalanto.

Nossos pais que muito nos amaram, a conta perdemos,
de todo o amor, da dedicao, do tempo todo presentes,
como prestaremos conta a Deus se nada lhes demos,
gostaramos de retroceder no tempo de to ausentes.

E ao nosso amor lhe dedicamos do tempo a maior parte?
que histria ele conta ,ser de uma felicidade intensa?
ou ele se perdeu no tempo, foi um infeliz descarte,
que sentimos, nos damos conta, dessa triste ofensa!

E os amigo sinceros que o tempo nos aportou,
que nos debitaram uma conta imensa de carinho,
quanto tempo nos resta, ser que tudo nos importou,
essa conta Deus no perdoa, fica em desalinho.

O relgio do tempo vai parar quando tudo terminar,
ser que nos demos conta, a tempo, de nossa misso,
e podemos fechar os olhos sem uma conta pra pagar,
caminharemos decididos tendo o tempo por anfitrio.

Fortaleza. 24 de junho de 2005.

biografia:

Bernardino Matos


Nasci na cidade de Iguatu Estado do Cear, me formei em Filosofia pela Faculdade de Filosofia em Fortaleza-Ce. Em Teologia pela Universidade Gregoriana de Roma-Itlia. Em Economia, na Sorbonne - Universidade de Paris Frana. Em Sociologia pelo Instituto Catlico de Paris - Frana. Em Direito Internacional pela Universidade de Toulouse-Frana. Fui professor durante 13 anos na Universidade do Vale do Sinos; Na faculdade So Judas Tadeu e na Faculdade Porto-alegrense no Rio Grande do Sul. Leciono h 20 anos na Universidade de Fortaleza - Unifor.
Atualmente sou Diretor Administrativo Financeiro do Hospital Pronto Socorro de acidentados e sou Consultor de empresas.Casado com Raquel Caminha Matos h 28 anos, esposa dedicada e amada, temos duas filhas: rika Caminha Matos, que est concluindo o curso de Administrao de Empresas e Cssia Caminha Matos, que est cursando Fisioterapia na Universidade de Fortaleza - Unifor.
Adoro ler de tudo, por essa razo, tenho muita facilidade de escrever e sempre gostei de fazer versos brincando com a turma da faculdade, mas como minha vida foi sempre muito corrida, nunca tive tempo de me dedicar a poesia. Quando li as poesias dos amigos da minha esposa na internet, resolvi voltar a screver, a torcida em casa era muito grande, da mulher, das filhas, todas me incentivando no deu para recuar, estou indo em frente com prazer.

 

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