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Gegina [Gina] Mas de M. Cardoso
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia
Em Busca do Passado
gina - 29 de janeiro de 2006

Catei no lixo da minha memria
Palavras soltas, textos meus
Partes da minha histria

O que encontrei foram restos
Amarelecidos pelo tempo,
Gastos e sem sentido

Falando de um passado remoto
H muito perdido
Levado pelas enxurradas

Em cada canto achei uma lembrana
um manuscrito em papel amassado
onde j no se lia quase nada...

Tentei recolher esses retalhos
pintar o que perdera a cor
mas foi em vo o meu trabalho...

Juntar os cacos do passado
reviver o que j fora
deixar o presente descuidado

E assim fechei todas as gavetas do outrora
sem mgoa, tristezas ou saudades
e mergulhei nas guas do agora.

Carta ao mendigo

[em resposta ao testamento]
gina - 11 de maio de 2004


Acabo de saber, amigo,
que tinhas um testamento,
um legado de mendigo,
sem lgrimas ou lamento...

E que apesar da pobreza
era muito o que deixavas
pois te sobrava nobreza
e era o que ofertavas...

Rogo-te, meu amigo,
que deixes todos os bens
acumulados por ti
a toda esta humanidade
to carente,
to descrente
e to infeliz tambm...
Que eles possam ver o mundo
com teus olhos de mendigo
mendigo de alma rica
de cala esfarrapada
e bolsos sem um vintm.
Mendigo, cuja camisa rasgada
guarda intacto um corao...

Deixa pra mim teu chapu,
amassado, desbotado, desabado,
que cobriu tua cabea
to pura de pensamentos
e de sonhos to difceis de sonhar...
Deixa a sabedoria
que soube ver nas estrelas
nos vagalumes luzindo,
nos rios e neste sol
tudo aquilo ques poucos podem ver...

Querido amigo, mendigo...
Deixa pra ns a poeira dos teus sapatos,
ainda rotos que sejam,
carregam toda a poeira dos caminhos percorridos
e trazem tambm o plen das flores
que sem saberes te acompanharam de perto...

No hesites, companheiro,
ao legares teu sorriso,
teu jeito de olhar o mundo
teus sonhos de anjo puro
certamente bem impressos nas folhas de um jornal
que noite te abrigava
sem te contaminar
com as misrias do mundo...

Deixa pra ns teus ouvidos
que podiam ouvir cantos
e no os tristes lamentos
Teu legado precioso
Deixa-o a mim e a todos...
Espalha toda a beleza
dessa vida que foi pobre
muito pobre de dinheiro
mas rica de muito amor!

Teu leno, eu guardarei...
As lgrimas derramadas
umedecendo este trapo
que no lixo tu pegaste
vieram de tua alma
aflita de ver um mundo
to cheio de crueldade
to carente de amor
onde dinheiro sobrava
trazendo dr e rancor!

DE MEIA TIGELA
gina - 02 de maro de 2006

Quero escrever um poema
que seja bem diferente
no tenha amor no tema
nem sofrimento latente!

Que seja bem despojado
livre de toda tristeza
luas, flores e agregados
nada de muita beleza.

Quero um poema reto
sem destaques ou rodeios
que ele seja correto
sem firulas ou floreios

Mas ai que engasgo
onde ponho a emoo?
No lixo jogo e rasgo
e vida digo um no?

Sinto que me atrapalho
a mente fica confusa
e logo tudo embaralho
de dentro vem a recusa!

Que poeta mesmo esse
que s fala de amor
de sofrimentos padece
e chora a sua dor...

Tu te enganas que s poeta
mas sabes bem que no s
Ests mais para atleta
das letras e rapaps!

Encara j a verdade
poeta de meia tigela
abandona a vaidade
encerra-a numa cela!

Assim fars bem a ti
e a todos que te rodeiam
A alguns direi morri
ainda que eles no creiam!
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biografia:
regina mas de magalhes cardoso


Sou carioca, no tenho livro publicado, no tenho pgina na internet. Tenho folhas soltas onde imprimo meus poemas para que no se percam como muitos que escrevi. Poucos conhecem o que escrevo pois s mostro a um pequeno grupo do qual fao parte.
Embora tenha comeado a escrever ainda bem jovem, foi com o advento do computador e da internet que passei a produzir mais. Escrevo por impulso, por necessidade mesmo.
Graduei-me em psicologia depois de me aposentar na Caixa Econmica Federal. Depois de aposentada, falta-me tempo para fazer tudo o que desejo e gosto.

rmas@uol.com.br

 

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